Aumento de eventos adversos e venda irregular pela internet preocupam autoridades sanitárias; especialistas reforçam que medicamentos devem ser usados apenas com indicação médica
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, emitiu um alerta epidemiológico sobre o uso inadequado de medicamentos indicados para diabetes e obesidade que vêm sendo utilizados com finalidade estética para emagrecimento.
Segundo a entidade, a crescente procura por esses medicamentos tem sido acompanhada pelo aumento de relatos de eventos adversos, alguns deles potencialmente graves, além da expansão da venda irregular em plataformas digitais e da circulação de produtos falsificados.
Entre os medicamentos mais conhecidos dessa classe estão o Ozempic e o Mounjaro, amplamente divulgados nas redes sociais como opções para perda rápida de peso.
Medicamentos agem no controle do apetite e da glicemia
Esses fármacos pertencem ao grupo dos agonistas do receptor do GLP-1, substâncias que imitam hormônios produzidos no intestino e que atuam no controle da glicose e na sensação de saciedade.
Entre os principais medicamentos dessa classe citados pela Opas estão:
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Semaglutida
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Dulaglutida
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Liraglutida
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Tirzepatida
Essas substâncias são indicadas principalmente para o tratamento de Diabetes tipo 2 e, em alguns casos específicos, para pacientes com Obesidade associada a outras doenças.
Segundo a Opas, quando utilizados dentro das indicações médicas corretas, esses medicamentos podem ajudar no controle do metabolismo e na perda de peso de forma significativa.
Eventos adversos preocupam autoridades de saúde
Em alerta publicado em 27 de fevereiro de 2026, a Opas informou que diversos países da região das Américas registraram aumento de notificações de efeitos adversos associados ao uso indevido desses medicamentos.
Os efeitos mais comuns relatados são gastrointestinais e costumam ser temporários, incluindo:
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náuseas
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vômitos
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dor abdominal
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diarreia
No entanto, a organização também relatou casos menos frequentes, porém mais graves, como:
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pancreatite aguda
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doença da vesícula biliar
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obstrução intestinal
Essas complicações podem exigir atendimento médico imediato e, em alguns casos, hospitalização.
Venda irregular e produtos falsificados
Outro fator que preocupa autoridades sanitárias é o crescimento da venda desses medicamentos por canais não oficiais, especialmente pela internet e redes sociais.
De acordo com a Opas, a alta demanda global pode estimular a circulação de medicamentos:
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falsificados
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não autorizados pelas agências reguladoras
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produzidos sem controle de qualidade adequado
Diversas autoridades regulatórias da região já emitiram alertas sobre a identificação de produtos adulterados ou vendidos sem prescrição médica.
A organização ressalta que adquirir esses medicamentos fora dos canais oficiais aumenta o risco para os consumidores.
Uso estético aumenta riscos desnecessários
Segundo a Opas, um dos principais problemas é o uso desses medicamentos exclusivamente para fins estéticos, sem avaliação médica completa.
A entidade alerta que essa prática pode expor pessoas saudáveis a riscos evitáveis e ainda comprometer o acesso de pacientes que realmente precisam da medicação para tratar doenças.
A obesidade é considerada pela OMS uma doença crônica que exige acompanhamento contínuo e abordagem multidisciplinar, envolvendo mudanças de estilo de vida, acompanhamento nutricional, atividade física e, em alguns casos, tratamento farmacológico.
Orientações da OMS sobre o uso desses medicamentos
Em fevereiro de 2026, um comitê de especialistas da Organização Mundial da Saúde publicou a 24ª edição da Lista Modelo de Medicamentos Essenciais.
O documento recomenda o uso de medicamentos como semaglutida, dulaglutida, liraglutida e tirzepatida como terapias adicionais para adultos com diabetes tipo 2 que também apresentem doenças cardiovasculares, renais ou obesidade.
Por outro lado, o comitê não recomendou o uso dessas substâncias para pessoas que têm obesidade isolada, sem diabetes ou outras condições médicas associadas.
Uso deve ser feito com prescrição e acompanhamento médico
A Opas reforça que os países das Américas devem fortalecer a vigilância sanitária e garantir que o uso de agonistas do receptor GLP-1 ocorra apenas dentro das indicações aprovadas pelas autoridades regulatórias.
A entidade destaca que esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente sob prescrição médica e dentro de um plano clínico estruturado, com acompanhamento regular do paciente.
Segundo a organização, a avaliação médica individual — considerando histórico de saúde, comorbidades e riscos — é fundamental para garantir que os benefícios do tratamento superem os possíveis efeitos adversos.
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