Auditoria aponta problemas na integração entre Receita e PF, limitações no monitoramento e sugere mais cooperação e tecnologia
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Uma auditoria operacional do Tribunal de Contas da União (TCU), concluída em 2026, identificou fragilidades relevantes no sistema de combate ao tráfico internacional de drogas nos portos brasileiros. O relatório destaca que a atuação fragmentada de órgãos públicos e a ausência de integração operacional comprometem a eficiência das ações de fiscalização e investigação.
Segundo a análise, há dificuldades na cooperação entre a Receita Federal do Brasil e a Polícia Federal, instituições centrais no controle aduaneiro e no enfrentamento ao crime organizado. A falta de alinhamento entre procedimentos e o compartilhamento limitado de informações podem gerar redundâncias operacionais e prejudicar a condução de investigações.
O documento também chama atenção para riscos relacionados à cadeia de custódia das provas. Em operações portuárias, a coleta e o manuseio de evidências — como vestígios biológicos, impressões digitais e materiais apreendidos — exigem protocolos rigorosos. De acordo com o TCU, falhas nesse processo podem comprometer a validade jurídica das provas e dificultar a responsabilização de envolvidos.
Outro ponto crítico identificado é a insuficiência de sistemas de monitoramento marítimo em diversos portos do país. Tecnologias como o VTMIS ainda não estão plenamente implementadas em toda a estrutura portuária nacional. A ausência de vigilância em tempo real em determinadas áreas amplia vulnerabilidades e pode favorecer a atuação de organizações criminosas que utilizam rotas marítimas para o transporte ilícito.
A auditoria aponta ainda que o Brasil desempenha papel relevante como rota internacional do tráfico de cocaína, especialmente com destino ao mercado europeu. O alto volume de cargas movimentadas nos portos brasileiros e o valor elevado da droga no exterior tornam o ambiente propício para esquemas sofisticados, como a inserção de entorpecentes em contêineres sem o conhecimento dos exportadores, prática conhecida no meio criminal.
Como encaminhamento, o relator do processo apresentou recomendações voltadas ao aprimoramento da governança e da coordenação institucional. Entre as medidas sugeridas está a formalização de uma atuação conjunta entre Receita Federal e Polícia Federal, com definição de protocolos padronizados para atuação integrada, preservação de provas e compartilhamento de informações.
O TCU também defende que a modernização dos portos brasileiros incorpore critérios de segurança pública, com investimentos em tecnologia, inteligência e integração entre bases de dados. A avaliação geral indica a necessidade de uma mudança de abordagem, passando de um modelo centrado principalmente na apreensão de drogas para uma estratégia mais ampla, baseada em investigação, cooperação institucional e prevenção.
O relatório reforça que o enfrentamento ao tráfico internacional exige maior coordenação entre diferentes esferas do poder público e alinhamento entre fiscalização aduaneira e investigação criminal, a fim de reduzir vulnerabilidades e aumentar a efetividade das ações no sistema portuário brasileiro.
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