Operação apura suspeita de pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil e vantagens ligadas ao Banco Master no Congresso
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), tornou-se alvo nesta quinta-feira (7) da quinta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que expediu mandados de busca e apreensão contra o parlamentar e outros investigados.
Segundo a investigação, Ciro é suspeito de receber uma suposta mesada entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de atuação política favorável aos interesses da instituição financeira dentro do Congresso Nacional.
O irmão do senador, Raimundo Nogueira, também aparece entre os alvos da operação.
Na decisão, André Mendonça afirma que os elementos reunidos pela Polícia Federal indicam, em tese, a existência de um esquema estruturado entre o senador e o banqueiro.
“Os elementos descritos na representação são suficientes para indicar, em tese, o estabelecimento de um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade, entre o Senador Ciro e Daniel Vorcaro”, escreveu o ministro.
PF cumpre mandados em quatro estados
Além das buscas contra Ciro Nogueira, a Polícia Federal cumpre outros nove mandados nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal.
O empresário Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente por cinco dias durante a operação.
A decisão do STF também determinou a suspensão, por tempo indeterminado, de quatro empresas apontadas como peças importantes do suposto esquema:
• CNLF Empreendimentos Imobiliários, ligada à família Nogueira;
• BRGD S.A;
• Green Investimentos;
• Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.
Segundo os investigadores, essas empresas teriam sido utilizadas para movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis ocultações de vantagens indevidas.
“Emenda Master” está no centro da investigação
Um dos principais focos da apuração envolve a chamada “Emenda Master”, proposta atribuída ao senador Ciro Nogueira.
A proposta previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege investidores em caso de quebra de instituições financeiras.
De acordo com a investigação, a mudança beneficiaria diretamente bancos que utilizam a proteção do FGC como estratégia para atrair investidores, especialmente o Banco Master.
Relatórios citados no processo apontam que interlocutores do mercado financeiro avaliaram que a medida poderia multiplicar os lucros do banco e provocar forte impacto no sistema financeiro nacional.
Outro ponto considerado grave pela PF é a suspeita de que a própria assessoria ligada ao Banco Master tenha elaborado o texto da proposta.
A investigação afirma que a minuta da emenda teria sido redigida dentro do banco e posteriormente enviada ao senador por meio de um envelope entregue em sua residência.
Além disso, os investigadores afirmam ter encontrado referências a outras minutas de projetos de lei relacionadas aos interesses da instituição financeira.
O que Ciro Nogueira teria recebido, segundo a PF
O relatório da Polícia Federal aponta quatro principais vantagens supostamente recebidas pelo senador ou por pessoas ligadas a ele:
• Pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, disfarçados por meio de contratos empresariais;
• Venda da Green Investimentos por valor abaixo do mercado, já que a empresa avaliada em R$ 13 milhões teria sido negociada por apenas R$ 1 milhão;
• Custeio de viagens internacionais;
• Pagamento de hospedagens e restaurantes de alto padrão.
Os investigadores também destacam conversas interceptadas envolvendo Daniel Vorcaro e um operador identificado como Léo Serrano.
Em um dos diálogos citados no processo, Serrano pergunta:
“Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado? (sic)”
Na sequência, recebe a resposta:
“Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths (sic)”.
Para a Polícia Federal, as mensagens reforçam suspeitas de pagamento de despesas pessoais e benefícios indiretos ligados ao suposto esquema investigado.
Caso amplia pressão política em Brasília
A operação gera forte repercussão política em Brasília, principalmente por envolver o presidente nacional do PP e uma das principais lideranças do Congresso Nacional.
O caso também reacende o debate sobre a influência de grandes grupos financeiros na elaboração de propostas legislativas dentro do Congresso Nacional.
Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades e sustenta que o senador é alvo de perseguição política. A investigação segue em andamento.
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