Argentina investiga roedores após surto mortal de hantavírus em cruzeiro internacional

Três mortes foram registradas no navio MV Hondius; autoridades analisam possível origem da contaminação em Ushuaia enquanto passageiros enfrentam quarentena e repatriação
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

As autoridades de saúde da Argentina anunciaram nesta quarta-feira (6) uma operação para capturar e analisar roedores na cidade de Ushuaia, ponto de partida do cruzeiro internacional afetado por um surto de hantavírus que já deixou três mortos.

A medida foi confirmada pelo Ministério da Saúde da Argentina, que tenta identificar a possível origem da infecção após passageiros holandeses apresentarem sintomas durante a viagem marítima.

O caso vem mobilizando autoridades sanitárias de vários países e acendendo alertas internacionais por envolver a chamada cepa andina do hantavírus, considerada rara e conhecida pela possibilidade de transmissão entre humanos.

Cruzeiro internacional virou foco de preocupação sanitária

Os passageiros viajavam a bordo do MV Hondius, embarcação operada pela Oceanwide Expeditions.

O roteiro do cruzeiro havia começado em Ushuaia e seguiria até Cabo Verde. No entanto, o surgimento dos casos transformou a embarcação em alvo de monitoramento epidemiológico internacional.

Segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), três pessoas morreram após contraírem o vírus.

Enquanto isso, autoridades argentinas e chilenas trabalham para reconstruir o trajeto dos passageiros infectados antes do embarque, numa tentativa de identificar possíveis pontos de exposição ao vírus.

Investigação se concentra em roedores

O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, saliva ou fezes de roedores infectados. A análise ambiental em Ushuaia busca identificar se animais da região carregam a cepa envolvida no surto.

Especialistas avaliam que a investigação poderá ajudar a determinar se a contaminação ocorreu antes do embarque ou durante a viagem.

A preocupação aumentou após autoridades confirmarem que a cepa identificada pertence ao grupo andino, um subtipo incomum do hantavírus associado a casos de transmissão entre pessoas.

Passageiros serão repatriados e colocados em quarentena

O governo da Espanha informou que os passageiros remanescentes no navio estão, até o momento, assintomáticos.

Segundo a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, cidadãos estrangeiros serão repatriados para seus países de origem, enquanto 14 passageiros espanhóis deverão ser encaminhados a um hospital em Madri, onde permanecerão em quarentena após o desembarque.

Disputa política atrasa atracação

O navio deveria atracar nesta quarta-feira em Tenerife, mas uma disputa entre autoridades nacionais e regionais gerou impasse sobre a operação.

Embora o governo espanhol tenha autorizado a atracação nas Ilhas Canárias, o presidente regional, Fernando Clavijo, criticou a decisão publicamente.

Segundo ele, ainda não existem informações suficientes para garantir a segurança da população local. Clavijo afirmou ter solicitado uma reunião urgente com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para discutir o caso.

Doença rara e potencialmente grave

Os hantavírus podem provocar febre hemorrágica, insuficiência respiratória e complicações cardíacas severas. Em muitos casos, os sintomas iniciais se confundem com doenças comuns, dificultando o diagnóstico precoce.

A cepa andina, identificada neste surto, é considerada especialmente preocupante pela possibilidade de transmissão entre humanos, situação incomum entre hantavírus conhecidos.

As investigações seguem em andamento enquanto autoridades internacionais monitoram o estado de saúde dos passageiros e tentam evitar novos casos ligados ao episódio.

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