Ciro Nogueira compra milhões em imóveis após sociedade com grupo do Master

Após adquirir triplex de R$ 22 milhões, senador ampliou patrimônio com mais R$ 7 milhões em imóveis em São Paulo

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) voltou ao centro das atenções políticas após a revelação de uma série de negócios imobiliários milionários realizados em São Paulo entre 2024 e 2025. As aquisições ocorreram no mesmo período em que o parlamentar firmou sociedade com empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero e ex-controlador do Banco Master.

Segundo documentos obtidos por investigadores, os imóveis adquiridos pelo grupo ligado ao senador somam aproximadamente R$ 29 milhões. As negociações ocorreram enquanto Ciro atuava em discussões legislativas consideradas estratégicas para os interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional.

O principal negócio envolve a compra de um triplex avaliado em cerca de R$ 22 milhões em um dos empreendimentos mais luxuosos da capital paulista. O imóvel, ainda em construção, chamou atenção não apenas pelo alto valor, mas também pelo momento em que foi adquirido: poucos dias antes da apresentação de uma emenda defendida por Ciro que poderia beneficiar diretamente o Banco Master.

Posteriormente, em março de 2026, o triplex foi trocado por uma mansão de alto padrão no Jardim Europa, um dos bairros mais nobres de São Paulo. A residência possui cerca de 878 metros quadrados e pertence ao empresário Antonio Rocha Neto, conhecido como Rochinha. A negociação envolveu dois imóveis ainda em construção, avaliados juntos em aproximadamente R$ 30 milhões.

Além do triplex e da mansão, outras aquisições imobiliárias também passaram a ser analisadas por investigadores. Todas foram registradas pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, holding que tem como titular Raimundo Nogueira Lima, irmão do senador.

Entre os imóveis comprados está um apartamento de 78 metros quadrados no Itaim Bibi, adquirido em agosto de 2024 por R$ 650 mil. Pouco mais de um ano depois, em outubro de 2025, o imóvel foi transferido para outra empresa ligada ao senador pelo valor de R$ 1,3 milhão, praticamente dobrando de preço em um curto espaço de tempo.

Outro imóvel adquirido fica na rua Oscar Freire, uma das regiões mais valorizadas da capital paulista. O apartamento, de 97 metros quadrados, foi comprado em setembro de 2024 por R$ 660 mil.

Já em novembro de 2025, a holding ligada à família do senador adquiriu metade de uma casa no Morumbi avaliada em aproximadamente R$ 5 milhões. A propriedade foi dividida entre a filha do parlamentar e seu cunhado.

Ao ser questionado sobre as aquisições, Ciro Nogueira afirmou que os imóveis seriam destinados a familiares, incluindo sua mãe, sua ex-esposa Iracema Portella e sua filha Eliane. O senador também negou que recursos da Green Investimentos tenham sido utilizados nas compras.

A Green Investimentos, porém, aparece no centro das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, Ciro adquiriu 30% da empresa por apenas R$ 1 milhão, embora a participação societária tivesse valor estimado em cerca de R$ 13 milhões. Para a PF, a diferença teria representado uma vantagem financeira indireta de aproximadamente R$ 12 milhões ao parlamentar.

As suspeitas aumentaram após denúncias de supostos pagamentos mensais feitos pelo grupo Master ao senador. De acordo com informações reunidas pela investigação, os valores variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais. Ciro nega qualquer irregularidade e afirma que não recebeu vantagens indevidas.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal e anexadas aos autos do Supremo Tribunal Federal reforçaram as suspeitas dos investigadores. Em uma das conversas, Daniel Vorcaro afirma que uma emenda apresentada por Ciro em agosto de 2024 teria saído “exatamente como mandei”. Em outros trechos, há menções a pagamentos mensais ligados ao parlamentar.

A emenda defendida pelo senador propunha aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Caso aprovada, a medida beneficiaria diretamente instituições financeiras de maior risco, incluindo o Banco Master, ampliando a segurança para investidores da instituição.

Apesar da articulação política, a proposta não avançou no Congresso.

Meses depois, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. A ação também resultou na prisão de Daniel Vorcaro.

Com a quebra da instituição financeira, o Fundo Garantidor de Crédito precisará desembolsar cerca de R$ 40 bilhões para ressarcir aproximadamente 800 mil clientes que possuíam investimentos protegidos dentro do limite atual de garantia.

Nos bastidores de Brasília, o caso passou a ser visto como mais um episódio que reforça críticas sobre a relação entre grandes grupos econômicos e figuras influentes da política nacional. O episódio já provoca forte repercussão política e aumenta a pressão sobre aliados do senador, enquanto seus defensores tentam minimizar o impacto das investigações.

Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra o senador, mas a Polícia Federal continua aprofundando as apurações sobre movimentações financeiras, relações empresariais e possível tráfico de influência envolvendo integrantes do grupo investigado.

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