Autoridades de saúde monitoram surto ligado a cruzeiro polar, mas especialistas afirmam que transmissão entre humanos é rara e risco global permanece baixo
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
A Organização Mundial da Saúde afirmou que o atual surto de hantavírus monitorado na Europa não representa risco de pandemia, mesmo após novos casos suspeitos surgirem em diferentes países. Nesta quarta-feira (13), autoridades da Itália e da Espanha confirmaram que testes realizados em 17 pessoas monitoradas por suspeita de infecção deram resultado negativo, reduzindo a preocupação imediata sobre uma possível disseminação mais ampla do vírus.
O alerta internacional teve início após um surto registrado a bordo do navio de expedição polar MV Hondius, que partiu da Argentina e passou a ser investigado após passageiros apresentarem sintomas compatíveis com hantavirose. Até o momento, três mortes foram associadas ao surto: um casal holandês e um cidadão alemão.
Segundo a OMS, o cenário atual é completamente diferente da pandemia de Covid-19, principalmente porque o hantavírus possui baixa capacidade de transmissão entre humanos. A entidade explicou que o vírus é transmitido principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. Em situações raras, algumas variantes podem ser transmitidas entre pessoas, geralmente após contato muito próximo e prolongado.
As autoridades sanitárias europeias seguem monitorando passageiros, tripulantes e pessoas que tiveram contato com infectados devido ao longo período de incubação da doença, que pode chegar a seis semanas.
Itália e Espanha descartam novos casos
Na Itália, o Ministério da Saúde confirmou que todos os exames realizados em quatro pessoas monitoradas tiveram resultado negativo. Entre os casos analisados estavam uma turista argentina internada com pneumonia, um homem da região da Calábria em isolamento voluntário, um turista britânico localizado em Milão e uma pessoa que viajava com ele.
Dois dos investigados tiveram contato direto com uma mulher holandesa que posteriormente morreu em decorrência da infecção.
Em comunicado oficial, o governo italiano afirmou que “o risco relacionado ao vírus permanece muito baixo na Europa e, portanto, também na Itália”.
Na Espanha, novos testes PCR realizados em 13 pessoas mantidas em quarentena em um hospital militar de Madri também deram negativo, informou o representante do Ministério da Saúde espanhol, Javier Padilla.
O único paciente previamente diagnosticado com hantavírus apresentou dificuldades respiratórias durante a madrugada, mas seu quadro clínico evoluiu de forma estável nas últimas horas, segundo autoridades sanitárias.
OMS confirma nove casos ligados ao surto
A Organização Mundial da Saúde elevou para nove o número de casos confirmados relacionados ao surto do cruzeiro polar, além de dois casos considerados suspeitos. Um deles envolve uma pessoa que morreu antes de realizar exames laboratoriais, enquanto o outro foi identificado na ilha de Tristão da Cunha, território remoto onde não havia disponibilidade de testes.
De acordo com a OMS, todos os casos conhecidos até agora possuem ligação direta com a viagem de cruzeiro ou com possíveis infecções ocorridas antes do embarque.
O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças recomendou quarentena de seis semanas para passageiros assintomáticos do navio, período que poderá se estender até os dias 21 ou 22 de junho, dependendo da data de desembarque de cada viajante.
Especialistas descartam grande disseminação
Autoridades de saúde da Europa se reuniram nesta quarta-feira para compartilhar informações e alinhar protocolos de monitoramento epidemiológico. A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, informou que exames estavam sendo realizados em 22 pessoas que tiveram contato com infectados.
Especialistas ressaltam que, apesar do alerta internacional, o comportamento epidemiológico do hantavírus é bastante diferente do coronavírus responsável pela Covid-19.
O epidemiologista Arnaud Fontanet, chefe do departamento de Doenças Emergentes do Instituto Pasteur, afirmou que a expectativa é de que o número de novos casos permaneça limitado.
“Como o vírus não é facilmente transmissível entre humanos, o total de casos adicionais deve ficar restrito a algumas dezenas”, afirmou o especialista à agência Reuters.
O que é o hantavírus
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres infectados. Em humanos, pode causar doenças graves, como a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, caracterizada inicialmente por febre, dores musculares, fadiga e sintomas respiratórios que podem evoluir rapidamente.
Embora raro, o contágio entre pessoas já foi registrado em algumas variantes identificadas na América do Sul, especialmente na Argentina e no Chile.
As autoridades sanitárias reforçam que medidas básicas de higiene, controle de roedores e monitoramento de sintomas continuam sendo as principais formas de prevenção.
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