Açaí mostra potencial para proteger o cérebro de adolescentes e combater ansiedade e depressão

Pesquisadores da Amazônia identificam efeitos neuroprotetores do fruto em cérebros em desenvolvimento; bebida rica em antocianinas reduziu sinais de estresse oxidativo e comportamentos ligados à ansiedade e depressão em testes laboratoriais
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O açaí, um dos frutos mais tradicionais da Amazônia brasileira, pode ter um papel importante na proteção do cérebro durante a adolescência. Uma pesquisa desenvolvida por cientistas brasileiros identificou que o consumo de suco clarificado de açaí apresentou efeitos neuroprotetores e antioxidantes em cérebros em desenvolvimento, além de reduzir comportamentos associados à ansiedade e à depressão em testes laboratoriais.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Pará e da Universidade do Estado do Pará, envolvendo especialistas das áreas de farmacologia, neurociência e compostos bioativos da Amazônia.

A pesquisa analisou os efeitos do chamado “suco clarificado de açaí”, uma formulação desenvolvida em laboratório a partir da centrifugação e microfiltração da polpa da fruta. O processo remove fibras, gorduras e outros componentes, concentrando principalmente os compostos fenólicos, especialmente as antocianinas, substâncias antioxidantes responsáveis pela coloração roxa característica do açaí.

Segundo os cientistas, essas substâncias possuem forte ação antioxidante e anti-inflamatória, fatores que podem contribuir para a proteção das células cerebrais.

Conhecimento tradicional inspirou os pesquisadores

Nas comunidades ribeirinhas do Pará, o consumo de açaí faz parte da alimentação diária desde os primeiros anos de vida. Há muito tempo, moradores associam o fruto a sensações de relaxamento e bem-estar.

Essa percepção popular despertou o interesse dos pesquisadores amazônicos, que passaram a investigar cientificamente se os compostos presentes no açaí poderiam realmente atuar sobre o sistema nervoso central.

A coordenação do estudo envolveu pesquisadores ligados ao Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, da UFPA, referência em pesquisas sobre alimentos funcionais amazônicos.

Adolescência é fase crítica para o cérebro

Os cientistas destacam que a adolescência representa um dos períodos mais sensíveis do neurodesenvolvimento humano. Nessa fase, o cérebro passa por intensa reorganização neural, amadurecimento das conexões cerebrais e maior vulnerabilidade a fatores externos, como estresse, álcool, drogas e alterações emocionais.

Por isso, os pesquisadores buscaram entender se os compostos antioxidantes do açaí poderiam exercer efeito protetor sobre cérebros ainda em formação.

Os testes preliminares foram realizados em ratos machos com idade equivalente ao início da adolescência humana. Durante dez dias, os animais tiveram acesso livre ao suco clarificado de açaí em períodos controlados.

Após a suplementação, os pesquisadores aplicaram diferentes testes comportamentais usados internacionalmente para analisar ansiedade, memória, cognição e sintomas semelhantes à depressão.

Resultados indicaram redução da ansiedade e da depressão

Os animais que consumiram o suco clarificado apresentaram maior exploração de áreas abertas nos testes comportamentais, comportamento associado à redução da ansiedade.

Os pesquisadores também observaram diminuição do tempo de imobilidade em testes utilizados para avaliar sintomas depressivos, sugerindo efeito semelhante ao antidepressivo.

Além disso, o estudo mostrou que o açaí não alterou negativamente a locomoção ou o comportamento motor dos animais.

Ação antioxidante chamou atenção dos cientistas

Outro resultado considerado importante foi a redução do estresse oxidativo em regiões cerebrais ligadas às emoções, memória e tomada de decisão.

Os cientistas identificaram aumento da atividade de enzimas antioxidantes no córtex pré-frontal, no hipocampo e na amígdala cerebral.

Essas enzimas ajudam a combater os radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular, inflamações e danos neurológicos.

Segundo os pesquisadores, o aumento da atividade antioxidante sugere maior proteção das células nervosas e melhor preservação das funções cerebrais durante o desenvolvimento.

Pesquisa ainda está em fase preliminar

Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que os testes ainda foram realizados apenas em animais e que novas pesquisas serão necessárias para confirmar os efeitos em humanos.

Os cientistas também afirmam que ainda precisam aprofundar a compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos na ação neuroprotetora do açaí.

Mesmo assim, o estudo reforça o potencial terapêutico dos compostos bioativos amazônicos e amplia o reconhecimento científico do açaí como alimento funcional, associado não apenas à nutrição, mas também à saúde cerebral e emocional.

  • Leia mais:

Xabi Alonso assume Chelsea com papel central na reconstrução do clube

Ancelotti divulga lista oficial dos convocados da seleção brasileira

Dólar e Bolsa fecham em queda com tensão no Oriente Médio e petróleo no radar

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*