Secretário de Estado americano questiona atuação da ONU e afirma que EUA reforçam ações próprias de controle e prevenção
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou nesta terça-feira (19) a atuação da Organização Mundial da Saúde (OMS) diante do novo surto de ebola que atinge países da África Central. Segundo Rubio, a entidade internacional demorou para reagir à crise sanitária, permitindo o agravamento da situação em regiões já afetadas por conflitos armados, pobreza extrema e dificuldades no acesso à saúde.
A declaração ocorreu após a OMS classificar o ressurgimento da doença como uma emergência de saúde pública de alcance global, convocando uma reunião urgente para discutir medidas de contenção.
Os Estados Unidos, porém, ficaram de fora das discussões após a saída oficial da agência, concluída em janeiro deste ano durante o governo Donald Trump.
Rubio afirmou que Washington decidiu agir paralelamente à OMS, utilizando diretamente a estrutura do CDC — o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA — para coordenar parte da resposta internacional ao avanço do vírus.
“Infelizmente, a OMS reagiu um pouco tarde”, declarou o secretário.
EUA reforçam controle sanitário e endurecem restrições
Diante do risco de disseminação internacional do ebola, o governo americano anunciou uma série de medidas emergenciais voltadas à proteção do território dos Estados Unidos e ao apoio humanitário na África.
Entre as ações adotadas estão:
• Reforço das triagens sanitárias em aeroportos americanos;
• Monitoramento especial de passageiros vindos da África Central;
• Restrição de entrada para estrangeiros que passaram por Uganda, República Democrática do Congo ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias;
• Ampliação da operação humanitária americana nas áreas afetadas.
Além disso, Washington confirmou o envio de cerca de 13 milhões de dólares em assistência emergencial para a República Democrática do Congo (RDC), considerada atualmente o epicentro da crise.
O governo americano também iniciou a abertura de aproximadamente 50 clínicas para atendimento de pacientes infectados pelo vírus.
Rubio reconheceu que a operação enfrenta enormes desafios logísticos devido às condições da região.
“É um pouco difícil chegar lá porque fica numa área rural… e num local de difícil acesso, num país devastado pela guerra”, afirmou.
OMS reage após críticas dos EUA
As declarações do governo americano provocaram reação imediata da Organização Mundial da Saúde (OMS). O diretor da agência, Matthew Kavanagh, contestou a estratégia adotada pelos Estados Unidos após a saída oficial da entidade e criticou a atuação independente de Washington no enfrentamento ao surto.
Segundo Kavanagh, a estrutura internacional da OMS continua sendo essencial para coordenar respostas globais em crises sanitárias.
Apesar das críticas da organização, integrantes do governo Trump afirmam que o atual surto reforça preocupações antigas dos Estados Unidos sobre a demora da OMS em agir diante de emergências internacionais.
O embate entre Washington e a agência da ONU começou ainda durante a pandemia da Covid-19, quando Donald Trump acusou a entidade de agir com lentidão, falta de transparência e influência política internacional durante uma das maiores crises sanitárias da história recente.
Mesmo fora da OMS desde janeiro de 2026, os Estados Unidos ampliaram medidas próprias de contenção ao ebola, reforçando controles sanitários, restrições de entrada e operações humanitárias na África Central.
Aliados de Trump afirmam que a postura americana demonstra que o país pretende manter autonomia para agir rapidamente em situações de risco global, sem depender exclusivamente de organismos multilaterais.
Variante preocupa pela ausência de vacina
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo do vírus ebola, considerada uma das variantes mais preocupantes da doença por ainda não possuir vacina específica nem tratamento terapêutico aprovado.
Especialistas alertam que a combinação entre guerra, deslocamentos populacionais e sistemas de saúde fragilizados pode acelerar ainda mais a propagação do vírus pela África Central.
Nas últimas cinco décadas, o ebola matou mais de 15 mil pessoas no continente africano, consolidando-se como uma das doenças virais mais letais do mundo moderno.
Enquanto isso, o governo americano orientou oficialmente que seus cidadãos evitem viagens para as regiões afetadas até que a situação esteja controlada.
A nova crise sanitária também reacende o debate internacional sobre a capacidade de resposta da OMS diante de emergências globais e reforça o discurso defendido por aliados de Trump de que os Estados Unidos precisam manter autonomia em questões estratégicas de segurança sanitária.
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