Ebola avança na RD Congo e ONU intensifica combate ao surto em meio a conflitos armados

WHO Africa Profissionais de saúde em Uganda
Variante rara do vírus tem taxa de letalidade de 50%; OMS alerta para risco de expansão da doença em áreas de deslocamento populacional
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A corrida para conter um novo surto de ebola na República Democrática do Congo mobiliza equipes internacionais de saúde em meio a um cenário de extrema vulnerabilidade social, violência armada e deslocamentos forçados de milhares de pessoas. A Organização Mundial da Saúde confirmou que profissionais estão atuando diretamente no rastreamento de contatos, isolamento de casos suspeitos e reforço das medidas de biossegurança após a identificação da variante Bundibugyo, uma cepa rara do vírus com taxa de letalidade estimada em 50%.

Segundo autoridades sanitárias internacionais, a situação preocupa devido à rápida circulação de pessoas nas áreas afetadas por conflitos internos, especialmente na província de Ituri, onde os primeiros casos foram detectados. A representante da OMS no país, Anne Ancia, afirmou à ONU News que a ausência de vacinas específicas contra esta variante torna o rastreamento e o isolamento as principais ferramentas para interromper a cadeia de transmissão.

Anne destacou que as comunidades precisam adotar medidas rígidas de prevenção, incluindo higienização frequente das mãos, distanciamento social e funerais seguros, considerados um dos principais focos de propagação do vírus. Ela também explicou que pessoas com sintomas devem procurar rapidamente atendimento médico para permitir a identificação de contatos próximos e o monitoramento contínuo daqueles que possam ter sido expostos ao ebola.

De acordo com a OMS, o vírus identificado neste novo surto pertence à cepa Bundibugyo, considerada menos agressiva que a cepa Zaire, responsável pelos surtos mais devastadores da história recente, porém ainda extremamente perigosa. A taxa de mortalidade próxima de 50% mantém o nível de alerta elevado entre autoridades sanitárias e organizações humanitárias.

A descoberta da variante ocorreu após autoridades locais investigarem mortes causadas por uma doença inicialmente desconhecida na cidade de Bunia. Os primeiros testes realizados na província deram resultado negativo para a cepa Zaire. Posteriormente, amostras foram enviadas para Kinshasa, capital congolesa, onde exames laboratoriais confirmaram a presença da cepa Bundibugyo. A partir daí, a OMS passou a apoiar diretamente o governo congolês com envio de especialistas, suprimentos médicos e estratégias emergenciais de resposta.

Outro fator que amplia a preocupação internacional é o impacto do surto sobre os profissionais de saúde. Casos de contaminação entre trabalhadores da linha de frente já foram registrados, levando a OMS a reforçar protocolos rigorosos de prevenção e controle de infecções. As medidas incluem uso obrigatório de equipamentos de proteção individual, criação de fluxos separados dentro das unidades de saúde e sistemas especiais para descarte de resíduos biológicos contaminados.

A agência também informou que trabalha em parceria com organizações humanitárias para ampliar a capacidade de atendimento nas regiões afetadas. Novas estruturas de isolamento e tratamento estão sendo identificadas ou construídas para responder ao aumento progressivo do número de casos suspeitos.

As populações infantis da RD Congo e também de Uganda estão entre as mais vulneráveis diante da emergência sanitária. O UNICEF alertou que a epidemia ameaça interromper serviços essenciais de saúde, proteção social e assistência básica para milhares de crianças.

Em Portugal, o UNICEF Portugal lançou um apelo urgente à sociedade civil para apoiar financeiramente as ações humanitárias destinadas às famílias afetadas. A responsável pela comunicação da entidade, Catarina da Ponte, afirmou que garantir acesso seguro às comunidades atingidas será fundamental para impedir o avanço do vírus.

A República Democrática do Congo já enfrentou uma das piores crises de ebola da história recente entre 2018 e 2019, quando mais de 2,3 mil pessoas morreram em decorrência da doença. Especialistas temem que os atuais desafios de segurança e instabilidade política dificultem novamente o controle da epidemia, especialmente em regiões de difícil acesso e forte presença de grupos armados.

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