Equipamento desenvolvido por pesquisadores da USP com apoio da Embrapii une compressão pneumática e laser terapêutico para reduzir dores, inflamações e fadiga muscular, ampliando possibilidades na medicina esportiva e na reabilitação clínica
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A busca por recuperação rápida e desempenho máximo no esporte de alto rendimento tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias inovadoras no Brasil. Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos, ligado à Universidade de São Paulo, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, estão desenvolvendo uma bota pneumática associada à laserterapia capaz de acelerar a regeneração muscular, reduzir dores e otimizar a recuperação física de atletas. A inovação, que reúne duas técnicas já utilizadas na fisioterapia esportiva, também poderá beneficiar pacientes em tratamentos clínicos, pós-operatórios e doenças neuromusculares.
Nos bastidores do esporte profissional, reduzir o tempo de recuperação entre treinos e competições tornou-se uma necessidade estratégica. Calendários apertados, desgaste físico intenso e risco elevado de lesões exigem soluções cada vez mais eficientes para manter atletas em alto nível competitivo. É nesse cenário que surge a nova tecnologia brasileira, desenvolvida para potencializar os efeitos da fisioterapia convencional.
Como funciona a bota pneumática com laser
O equipamento integra dois recursos amplamente utilizados na recuperação muscular: a compressão pneumática e o laser terapêutico. Separadamente, ambas as técnicas já apresentam resultados positivos. No entanto, segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, a união das duas tecnologias em um único dispositivo amplia significativamente a eficiência do tratamento.
A parte pneumática da bota realiza compressões controladas nos membros inferiores, estimulando a circulação sanguínea e linfática. Esse processo ajuda na redução de inchaços, melhora o retorno venoso, diminui a fadiga muscular e contribui para evitar o acúmulo de ácido lático após atividades físicas intensas.
Já o laser terapêutico atua diretamente nos tecidos musculares e celulares. A tecnologia estimula processos biológicos ligados à regeneração celular, melhora a oxigenação dos tecidos, reduz inflamações e auxilia no alívio da dor muscular.
De acordo com o pesquisador Vanderlei Salvador Bagnato, da Embrapii IFSC-USP, a integração dos recursos representa um avanço importante para a recuperação física.
“Ao integrar compressão pneumática e laser terapêutico em um único equipamento, conseguimos potencializar os efeitos do tratamento e oferecer um protocolo de recuperação mais eficiente, rápido e duradouro”, destacou o pesquisador.
Estudos apontam resultados promissores
Os estudos clínicos realizados até o momento apresentam resultados considerados promissores pelos pesquisadores. A expectativa é de que a tecnologia contribua não apenas para acelerar a recuperação muscular, mas também para reduzir riscos de lesões causadas pelo excesso de esforço físico.
Além do ganho de desempenho esportivo, os pesquisadores acreditam que a solução poderá representar uma mudança importante na qualidade de vida de diferentes pacientes, principalmente aqueles que enfrentam limitações motoras ou processos inflamatórios crônicos.
Aplicações vão além do esporte
Embora tenha sido inicialmente pensada para atletas de alto rendimento, a bota pneumática com laser possui potencial de aplicação em diversas áreas da saúde.
Entre os usos estudados está o auxílio no pré e pós-operatório de cirurgias longas, como procedimentos bariátricos e plásticos. Nesses casos, o equipamento poderá ajudar na prevenção de complicações graves, como trombose venosa profunda e embolia pulmonar, estimulando a circulação sanguínea durante o período de recuperação.
Na área estética, a tecnologia também poderá ser utilizada em tratamentos relacionados à retenção de líquidos, celulite, linfedema e lipedema, favorecendo a drenagem linfática e a oxigenação dos tecidos.
Outro campo considerado promissor é o tratamento de pacientes com doenças que causam rigidez muscular e limitações de mobilidade. Entre as condições citadas pelos pesquisadores estão Doença de Parkinson, miopatias inflamatórias crônicas, polimialgia reumática e Esclerose múltipla. Idosos e pessoas em estágios avançados de demência também poderão ser beneficiados pela tecnologia.
Tecnologia nacional fortalece inovação em saúde
O desenvolvimento da bota reforça o avanço das pesquisas brasileiras em tecnologia aplicada à saúde e à medicina esportiva. A combinação de equipamentos terapêuticos inteligentes vem ganhando espaço mundialmente como alternativa para tratamentos menos invasivos e mais eficientes.
Com os resultados iniciais considerados positivos, os pesquisadores agora avançam para novas etapas de validação clínica e aperfeiçoamento do dispositivo, visando ampliar seu uso tanto em centros esportivos quanto em hospitais, clínicas de fisioterapia e reabilitação.
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