Alerta: como criminosos utilizam a confiança das vítimas para aplicar fraudes financeiras

Casos já registrados mostram como golpistas se passam por representantes de instituições e convencem pessoas a compartilhar dados sigilosos. Nesta reportagem, dois depoimentos ajudam a compreender como esses esquemas funcionam e como se proteger
Por Redação | GNEWSUSA

Há três anos, o repórter investigativo Thathyanno Desa acompanha e investiga denúncias relacionadas ao chamado “Falso Rômulo do Santander”. Durante esse período, foram reunidos relatos de vítimas, conversas e informações que ajudam a compreender a dimensão do caso. Nesta reportagem especial, apresentamos novos desdobramentos da investigação, que busca esclarecer os fatos e dar voz às pessoas que afirmam ter sido prejudicadas pelo suspeito.

O GNEWSUSA já acompanhou e divulgou, em reportagens anteriores, denúncias envolvendo o chamado “golpe do falso funcionário de banco”, uma modalidade criminosa que tem feito vítimas em diferentes regiões dos Estados Unidos. Nesse tipo de fraude, os criminosos entram em contato com clientes se passando por representantes de instituições financeiras, alegando supostas movimentações suspeitas, tentativas de invasão de conta ou problemas de segurança que exigiriam ação imediata da vítima.

Utilizando técnicas de manipulação psicológica e engenharia social, os golpistas conquistam a confiança das pessoas e as induzem a fornecer informações sigilosas, códigos de verificação, dados bancários ou até mesmo realizar transferências financeiras sob o pretexto de proteger seus recursos. Em muitos casos, as vítimas só percebem que foram enganadas após sofrerem prejuízos financeiros significativos.

Diante da crescente quantidade de relatos recebidos pela nossa redação, o GNEWSUSA segue acompanhando denúncias relacionadas a fraudes financeiras e esquemas que afetam especialmente a comunidade brasileira residente nos Estados Unidos. Nesta reportagem, apresentaremos dois depoimentos de pessoas que afirmam ter sido alvo de situações semelhantes, contribuindo para o esclarecimento dos fatos e para o alerta da população sobre os riscos desse tipo de golpe.

Depoimento de Romulo Siqueira – Philadelphia, Pensilvânia

Morador da cidade de Philadelphia, no estado da Pensilvânia, Romulo Augusto Ferracini de Siqueira afirma que teve seus dados pessoais e seu passaporte utilizados de forma indevida por criminosos desde 2019. Segundo ele, foi naquele ano que descobriu que sua identidade estaria sendo usada em esquemas fraudulentos, incluindo golpes praticados contra brasileiros.

Romulo relata que, ao tomar conhecimento da situação, adotou os procedimentos legais cabíveis, registrando a perda do passaporte, comunicando seu advogado e formalizando as ocorrências necessárias. No entanto, afirma que, apesar das medidas adotadas, teve dificuldades para identificar o responsável pelos crimes.

De acordo com seu relato, a identificação do suspeito só foi possível após uma investigação própria. Com a ajuda de contatos ligados à área investigativa, Romulo afirma ter conseguido obter informações que levaram à identificação do suposto autor dos golpes. A partir desses dados, reuniu documentos, endereços e demais elementos que foram encaminhados às autoridades por meio de uma notícia-crime elaborada por seu advogado.

Mesmo após anos de denúncias, Romulo afirma que o suspeito continua em liberdade e, segundo ele, ainda estaria utilizando seu nome e suas fotografias para aplicar golpes. O denunciante relata que o criminoso se apresentaria como funcionário do Banco Santander, utilizando imagens pessoais e até fotografias de sua família para transmitir credibilidade às vítimas.

Além dos prejuízos à sua imagem, Romulo afirma enfrentar uma situação delicada, recebendo frequentemente contatos de pessoas que acreditam que ele seja o autor dos golpes. Segundo seu depoimento, algumas dessas pessoas já chegaram a fazer ameaças após sofrerem prejuízos financeiros.

“Eu sou um trabalhador nos Estados Unidos e nunca tive qualquer envolvimento com esse tipo de atividade. Depois de anos denunciando os fatos, reunindo provas e colaborando com todas as informações que possuo, minha maior indignação é perceber que o caso continua sem uma solução definitiva. Enquanto o suspeito segue sendo apontado por vítimas como responsável por novas fraudes, sou eu quem permanece sofrendo as consequências. Tive que investir tempo, recursos financeiros e esforços pessoais para fazer uma investigação que, em minha opinião, deveria ter recebido uma resposta mais efetiva das autoridades. A sensação é de impotência diante da demora e da falta de resultados concretos, mesmo após tantos elementos terem sido apresentados ao longo dos anos”, enfatiza.

Outro depoimento

A reportagem também recebeu o relato de Mikaelly Possamai, moradora de Everett, Massachusetts, que afirma ter identificado indícios de fraude ao tentar verificar a identidade de uma pessoa com quem mantinha contato.

Segundo Mikaelly, a desconfiança surgiu quando decidiu buscar mais informações sobre o indivíduo. Durante a pesquisa, ela afirma ter encontrado diversos relatos e denúncias relacionados a golpes semelhantes.

De acordo com seu depoimento, o suposto esquema envolvia uma alegada venda de imóvel vinculada ao Banco Santander. Ao aprofundar as verificações, ela concluiu que poderia se tratar de uma fraude e decidiu reunir provas do caso.

Mikaelly afirma possuir diversos materiais que podem contribuir com a apuração, incluindo mensagens de texto, mensagens de voz, gravações de ligações e outros registros das conversas mantidas com o suspeito.

Ao final da apuração, o repórter investigativo Thathyanno Desa entrou em contato com Dameão Oliveira de Sousa, de 42 anos, apontado nas denúncias e investigações apresentadas ao GNEWSUSA como a pessoa que estaria utilizando a identidade de Romulo Siqueira.

Durante a conversa, Dameão afirmou estar “cansado dessa vida”. Diante da declaração, Thathyanno questionou os motivos que o levaram a se envolver na situação denunciada e destacou os prejuízos causados ao verdadeiro Romulo, que há anos convive com as consequências do uso indevido de sua identidade.

Ainda durante o contato, o repórter pediu que Dameão apresentasse sua versão dos fatos e reconhecesse os danos causados ao verdadeiro Romulo. Thathyanno também o incentivou a pedir desculpas à vítima, considerando os impactos pessoais, profissionais e emocionais relatados ao longo dos anos.

O GNEWSUSA permanece à disposição para publicar, na íntegra, eventuais esclarecimentos, manifestações ou posicionamentos das partes envolvidas, em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do compromisso com a informação.

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