Trump acusa China de interferência nas eleições e defende mudanças no sistema eleitoral

Em pronunciamento de cerca de 25 minutos, presidente americano voltou a questionar o sistema eleitoral, afirmou que a Casa Branca tornou públicos arquivos sobre vulnerabilidades nas eleições e defendeu mudanças nas regras de votação
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pronunciamento à nação na noite de quinta-feira (16), no qual voltou a levantar questionamentos sobre a segurança do sistema eleitoral americano. Durante aproximadamente 25 minutos, o republicano anunciou a divulgação de documentos da Casa Branca que, segundo seu governo, tratam de vulnerabilidades na infraestrutura eleitoral, supostas tentativas de interferência estrangeira e investigações relacionadas ao processo de votação nos Estados Unidos.

Segundo Trump, os arquivos foram reunidos por uma força-tarefa criada pela Casa Branca em conjunto com o Conselho Consultivo de Inteligência do Presidente. De acordo com o governo americano, os documentos abordam quatro áreas principais: vulnerabilidades em sistemas de votação eletrônica e de contagem de votos, suposta aquisição de dados eleitorais americanos pela China, investigação sobre o cadastro de eleitores no estado de Michigan e registros de não cidadãos inscritos em listas eleitorais estaduais.

Ao comentar o material divulgado, Trump afirmou que a China teria obtido acesso ilegal a informações de milhões de eleitores americanos.

“Esta é uma ameaça cibernética direcionada ao próprio cerne de nossa democracia. Dezenas de milhões de dados de eleitores em 18 estados foram comprados, roubados ou hackeados pela China”, declarou.

O presidente também afirmou que aproximadamente 220 milhões de registros de eleitores teriam sido acessados de forma ilícita e disse que os documentos divulgados por sua administração reúnem informações sobre o caso.

Trump afirmou ainda que integrantes de órgãos de inteligência teriam deixado de compartilhar informações que considerava relevantes com sua administração e com o Congresso.

“Os responsáveis por soar o alarme mantiveram a informação em segredo e escondida. Não me revelaram nada enquanto presidente, nem a ninguém mais e, até onde sabemos, não informaram o Congresso.”

Segundo o presidente, essas informações representam um dos maiores desafios já enfrentados pelos Estados Unidos na área de segurança eleitoral.

Críticas ao sistema de votação

Grande parte do pronunciamento foi dedicada ao sistema eleitoral americano. Trump voltou a defender mudanças nas regras de votação, afirmando que o processo precisa oferecer mais garantias de segurança e transparência.

Entre as propostas mencionadas está o apoio ao SAVE America Act, projeto que prevê a obrigatoriedade da apresentação de documento de identificação no momento da votação e da comprovação da cidadania americana para o registro de novos eleitores.

O republicano também anunciou que o secretário de Segurança Interna deverá apresentar um relatório detalhando, segundo o governo, vulnerabilidades cibernéticas identificadas em sistemas eletrônicos utilizados em parte das eleições americanas. Atualmente, os Estados Unidos utilizam diferentes modelos de votação, incluindo cédulas de papel, equipamentos eletrônicos e voto pelo correio, dependendo das regras adotadas por cada estado.

Referência à Venezuela

Durante o discurso, Trump também citou a Venezuela ao afirmar que documentos produzidos pela CIA apontariam que o governo de Nicolás Maduro teria desenvolvido mecanismos capazes de manipular resultados eleitorais por meio de máquinas de votação eletrônica.

Segundo os documentos divulgados pela administração americana, o suposto esquema teria sido desenvolvido ao longo dos últimos anos e envolveria órgãos ligados ao sistema eleitoral e de inteligência venezuelano. Os registros descrevem uma suposta capacidade técnica para alterar resultados em determinados centros de votação.

Trump afirmou que essas informações reforçam sua preocupação com a segurança dos processos eleitorais em diferentes países.

Emissoras de televisão

Outro momento do pronunciamento foi dedicado às emissoras americanas que optaram por não transmitir o discurso ao vivo. Trump criticou a decisão e afirmou que ABC e NBC, entre outras empresas de comunicação, fazem parte de uma “conspiração”.

“Eles e outros na mídia fazem parte de uma conspiração. Uma fraude como essa deveria significar a revogação de suas licenças. Eles usam nossas ondas públicas, avaliadas em bilhões de dólares, absolutamente de graça. Não pagam nada.”

Resposta da China

Antes mesmo do pronunciamento, a Embaixada da China em Washington divulgou uma nota negando qualquer interferência nas eleições presidenciais americanas.

Segundo o comunicado, “a eleição nos EUA é uma questão interna dos Estados Unidos” e “seu resultado é determinado pelos votos do povo americano”.

As declarações de Trump devem ampliar o debate político nos Estados Unidos às vésperas das eleições legislativas de novembro de 2026, quando serão renovadas todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. O tema da segurança eleitoral tem sido um dos principais pontos defendidos pelo presidente e voltou a ocupar posição central no pronunciamento.

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