Fungo resistente avança nos EUA e já atinge 23 estados com mais de 3 mil casos

Dados atualizados do CDC apontam mais de 3 mil infecções por Candida auris em 2026. Especialistas alertam que o microrganismo representa uma ameaça crescente em hospitais e instituições de longa permanência devido à sua resistência aos antifúngicos
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O avanço da Candida auris, um fungo considerado uma das maiores ameaças emergentes à saúde pública mundial, acendeu um novo alerta nos Estados Unidos. Dados atualizados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que 23 estados norte-americanos já registraram casos confirmados da infecção em 2026, somando 3.182 ocorrências clínicas, das quais 379 foram identificadas em Illinois, o terceiro estado mais afetado neste ano. A característica mais preocupante do fungo é sua resistência a medicamentos antifúngicos, além da facilidade com que pode se espalhar em ambientes hospitalares, colocando em risco pacientes com o sistema imunológico comprometido.

Casos continuam crescendo

Segundo os números divulgados pelo CDC, o Texas lidera o ranking nacional, com mais de 700 casos, seguido por Michigan, com 518 registros, enquanto Illinois aparece na terceira posição, contabilizando 379 infecções confirmadas. Os dados demonstram que o fungo continua expandindo sua presença em diferentes regiões do país, especialmente em unidades de saúde e instituições de longa permanência.

Embora o número absoluto de casos chame atenção, especialistas ressaltam que a maior preocupação não está apenas na quantidade de infecções, mas na capacidade da Candida auris de sobreviver por longos períodos em superfícies, equipamentos médicos e ambientes hospitalares, facilitando a transmissão entre pacientes vulneráveis.

O que é a Candida auris?

Identificada pela primeira vez em 2009 e detectada nos Estados Unidos em 2016, a Candida auris é um tipo de levedura capaz de provocar infecções graves na corrente sanguínea, feridas, ouvidos e outros órgãos.

O fungo ganhou notoriedade internacional porque muitas de suas cepas apresentam resistência a um ou mais medicamentos antifúngicos utilizados no tratamento convencional. Em alguns casos, a infecção pode ser resistente a diversas classes de medicamentos, tornando o controle clínico bastante desafiador.

Quem corre mais risco?

O CDC destaca que a infecção dificilmente representa perigo para pessoas saudáveis. O maior risco está concentrado em pacientes hospitalizados ou internados por longos períodos, principalmente aqueles que utilizam:

  • cateteres venosos;

  • sondas urinárias;

  • tubos de alimentação;

  • aparelhos de ventilação mecânica;

  • outros dispositivos invasivos.

Pessoas com imunidade reduzida ou doenças graves também apresentam maior vulnerabilidade às complicações da infecção.

Sintomas podem ser difíceis de identificar

Os sinais clínicos variam conforme a região do corpo afetada, mas podem incluir:

  • febre persistente;

  • calafrios;

  • cansaço intenso;

  • pressão arterial baixa;

  • aumento da frequência cardíaca;

  • dor no ouvido, quando a infecção atinge essa região.

Como muitos pacientes já apresentam outras doenças graves, o diagnóstico costuma ser complexo e depende de exames laboratoriais específicos.

Resistência aos medicamentos preocupa especialistas

Um dos principais desafios é que a Candida auris consegue desenvolver resistência aos antifúngicos tradicionalmente utilizados no tratamento.

Além disso, o fungo pode colonizar pacientes sem provocar sintomas imediatos. Mesmo sem apresentar sinais da doença, essas pessoas podem transmitir o microrganismo para outros pacientes por meio do contato com superfícies, equipamentos médicos ou pelas mãos dos profissionais de saúde quando os protocolos de higiene não são rigorosamente seguidos.

Como o CDC recomenda conter a disseminação

Para reduzir novos surtos, o CDC orienta hospitais e instituições de saúde a adotarem medidas como:

  • identificação precoce dos casos;
  • triagem de pacientes com fatores de risco;
  • isolamento quando necessário;
  • reforço na higienização das mãos;
  • desinfecção rigorosa de superfícies e equipamentos;
  • cumprimento dos protocolos de controle de infecção.

Segundo a agência, essas ações têm demonstrado eficácia para limitar a transmissão em locais onde são implementadas rapidamente.

Monitoramento contínuo

As autoridades sanitárias norte-americanas seguem monitorando a evolução da doença em todo o país. Embora a população em geral apresente baixo risco de infecção, especialistas alertam que a expansão da Candida auris reforça a necessidade de vigilância constante, sobretudo em hospitais, onde pacientes mais frágeis permanecem expostos a um microrganismo capaz de desafiar os tratamentos disponíveis.

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