Banqueiro afirmou que familiares receberam e-mails e ligações anônimas com ameaças; manifestação de Paulo Gonet ocorre em meio a questionamentos sobre mensagens em que o próprio Vorcaro menciona o procurador-geral e o diretor da PF
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O banqueiro Daniel Vorcaro relatou ameaças de morte contra sua mãe e sua irmã em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo da oitiva, realizada em 27 de agosto, veio a público nesta quinta-feira (3), revelando que os familiares teriam recebido e-mails e ligações anônimas com ameaças. No mesmo dia em que o caso foi divulgado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pelo arquivamento da petição relacionada ao relato.
Dias depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, defendeu o arquivamento da petição aberta a partir das denúncias de ameaças feitas pelo banqueiro. Segundo Gonet, o depoimento não apresentou fatos concretos nem elementos mínimos que justificassem novas providências investigativas. A decisão sobre o arquivamento, contudo, cabe ao ministro André Mendonça.
A manifestação da PGR ocorre enquanto o conteúdo extraído do celular de Vorcaro colocou o nome de Gonet no centro de novos questionamentos. Em uma das mensagens analisadas pela Polícia Federal, Vorcaro menciona a necessidade de uma suposta “proteção” envolvendo o procurador-geral da República e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Diante do conteúdo, Mendonça solicitou esclarecimentos à PGR.
O episódio acrescenta um novo elemento à controvérsia em torno do caso. De um lado, Vorcaro afirma ter informações e relata ameaças contra pessoas próximas. De outro, o órgão chefiado por um dos nomes mencionados nas mensagens avalia que o relato não apresenta elementos suficientes para justificar uma investigação.
Durante a audiência, o juiz auxiliar João Azambuja questionou Vorcaro sobre possíveis intimidações contra familiares. O banqueiro respondeu:
“Minha mãe está em casa com a minha irmã, que está sozinha, porque não existe um homem, todos estão presos. Receberam inúmeras ameaças de morte e falaram que eu seria morto. Tem e-mails, inclusive, depois a gente pode entregar e-mails de ameaça de morte.”
O juiz pediu que Vorcaro detalhasse como as ameaças teriam ocorrido. O banqueiro então afirmou:
“Ela recebeu e-mails falando que eu iria morrer, que não sei o quê, que iria acontecer coisas comigo, recebeu ligações…”
Questionado sobre quem teria enviado as mensagens, Vorcaro respondeu:
“Anônimo. Todos anônimos.”
Em outro momento da oitiva, o banqueiro declarou:
“Hoje, a minha família está destruída. Pra te falar a verdade…”
O juiz auxiliar explicou que precisava compreender melhor as circunstâncias das ameaças para avaliar sua relevância para a audiência:
“Eu só estou querendo entender, senhor Daniel, essas ameaças que o senhor falou da sua mãe são relevantes para a finalidade dessa audiência. Então, eu quero detalhar, se o senhor puder detalhar, como isso aconteceu.”
O depoimento foi realizado na Papudinha e contou com a presença dos advogados Daniel Bialski e Engels Muniz, além de um integrante do Ministério Público Federal.
No parecer apresentado ao STF, Gonet sustentou que o relato não trouxe elementos concretos que justificassem a abertura ou continuidade de uma investigação. A PGR também relacionou a análise à tentativa de colaboração premiada apresentada anteriormente pela defesa de Vorcaro.
Segundo o procurador-geral, a Polícia Federal e a própria PGR já haviam rejeitado a proposta porque consideraram que as informações apresentadas não acrescentavam elementos inéditos ao conjunto investigativo.
Gonet afirmou:
“Na espécie, o indeferimento formalizado pela autoridade policial em ato fundamentado respaldou-se justamente na ausência de acréscimo informativo de natureza inédita, conclusão reiterada por esta Procuradoria-Geral da República, que, ao examinar o acervo ofertado, igualmente recusou o pacto ante a manifesta debilidade de seu conteúdo”
Na avaliação da PGR, o novo depoimento também não apresentou provas capazes de alterar os fundamentos utilizados para rejeitar a colaboração ou demonstrar que a decisão anterior tenha sido indevida.
Gonet acrescentou que Vorcaro não teria conhecimento de todo o conjunto de provas reunido no inquérito. Por essa razão, informações que o banqueiro considera novas poderiam já estar em posse dos investigadores.
O pedido de arquivamento acontece, portanto, em um momento de forte questionamento sobre o conteúdo das mensagens e relatos atribuídos a Vorcaro, inclusive aqueles que citam integrantes das próprias instituições envolvidas na análise de suas acusações. O ministro André Mendonça deverá avaliar os elementos apresentados antes de decidir sobre o destino da petição.
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