Moraes usa inquérito das Fake News para acusar Mendonça e pede ação contra ministro do STF

Ministro Alexandre de Moraes recorre ao inquérito das Fake News para questionar atuação de André Mendonça em investigações que produziram elementos envolvendo o próprio magistrado

Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou nesta quinta-feira (3) inquérito das Fake News para acusar André Mendonça de possíveis crimes e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma ação contra o colega, em uma nova escalada do confronto entre os dois ministros após a divulgação de elementos da investigação sobre o Banco Master.

A ofensiva ocorre dias depois de Mendonça retirar o sigilo de documentos da investigação sobre o Banco Master, permitindo que viessem a público informações que colocaram Moraes no centro de novos questionamentos. Entre os elementos divulgados estão diálogos registrados no relatório da Polícia Federal entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, que passaram a integrar o material analisado na investigação.

Um dos trechos mais sensíveis mostra Vorcaro, dois dias antes de sua prisão, consultando Moraes sobre a necessidade de deixar o Brasil. Em 15 de novembro de 2025, o banqueiro teria perguntado: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Quarenta e oito horas depois, em 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um avião particular.

As mensagens também revelaram outro elemento que chamou atenção dos investigadores: segundo o relatório da PF, Vorcaro teria autorizado a emissão de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para cada um dos filhos de Moraes.

É nesse contexto que Mendonça passa a ser alvo de Moraes

André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, determinou a retirada do sigilo dos documentos que continham os novos elementos. A decisão permitiu que o conteúdo das mensagens e outras informações apreendidas pela PF no celular de Vorcaro fossem conhecidos publicamente.

O material passou a ser analisado justamente em um momento em que Alexandre de Moraes já aparecia no conteúdo da investigação, aumentando a pressão por esclarecimentos sobre a relação entre o ministro e o banqueiro.

Agora, Moraes recorre ao inquérito das Fake News, instaurado no STF em 2019, para questionar a atuação de Mendonça e apresentar acusações contra o colega.

O que Moraes acusa Mendonça de ter feito

Na decisão desta quinta-feira, Moraes aponta suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crimes de responsabilidade.

O ministro também acusa Mendonça de supostamente ter usurpado a direção das investigações, conduzido de maneira irregular tratativas relacionadas a uma delação premiada e direcionado apurações contra ele.

Moraes sustenta ainda que Mendonça teria extrapolado os limites de sua atuação como relator nas investigações relacionadas ao Banco Master.

O pedido foi encaminhado a Edson Fachin, presidente do STF, para que sejam avaliadas as providências cabíveis contra Mendonça.

Mensagens de Vorcaro colocaram Moraes sob pressão

A sequência dos acontecimentos ajuda a entender a dimensão do novo confronto.

Primeiro, vieram à tona os documentos apreendidos pela PF no celular de Vorcaro. Depois, Mendonça retirou o sigilo do material. Entre as informações divulgadas estavam os contatos entre o banqueiro e Moraes, inclusive a mensagem em que Vorcaro questionava se deveria deixar o país antes de uma possível operação.

No dia seguinte à pergunta sobre deixar o Brasil, Vorcaro teria voltado a questionar Moraes sobre a possibilidade de ser preso. As respostas atribuídas ao ministro, entretanto, não foram preservadas, porque as mensagens utilizadas pelo banqueiro eram enviadas em formato de visualização única.

Por isso, embora os registros das mensagens enviadas por Vorcaro tenham sido recuperados pela Polícia Federal, não é possível afirmar, com base nesses registros, qual teria sido a resposta de Moraes.

Fachin terá de decidir os próximos passos

O novo embate coloca Fachin diante de uma situação delicada. De um lado, estão as acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça. Do outro, está a investigação que teve o sigilo retirado pelo próprio Mendonça e que trouxe à tona mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro.

Fachin já afirmou que adotará as medidas cabíveis diante do caso e determinou que autoridades citadas nos documentos prestem esclarecimentos sobre os diálogos.

O episódio transforma uma disputa sobre a condução de uma investigação em um confronto institucional entre ministros da mais alta Corte do país.

As acusações feitas por Moraes contra Mendonça ainda precisam ser analisadas e não representam, por si só, comprovação dos crimes apontados. Da mesma forma, as mensagens atribuídas a Vorcaro registram as manifestações do banqueiro, mas não permitem concluir, sem outros elementos, qual teria sido a resposta de Moraes ou se eventual pedido feito pelo empresário foi atendido.

O caso agora está nas mãos de Fachin, enquanto aumentam as cobranças por esclarecimentos sobre as relações entre autoridades do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sobre a condução das investigações que acabaram expondo essas relações.

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