Secretário de Trump visita três países e reforça a estratégia de Washington contra o narcotráfico e a influência chinesa
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, inicia na próxima terça-feira (8) uma viagem estratégica pela América do Sul. Até quinta-feira (10), ele passará por Colômbia, Equador e Peru, em uma agenda que terá como prioridades segurança, combate ao narcotráfico, comércio e fortalecimento das relações com governos considerados importantes para a estratégia de Washington na região.
A viagem foi confirmada pelo governo americano e representa mais um movimento da administração Donald Trump para ampliar a presença dos Estados Unidos na América do Sul.
A movimentação ocorre em meio a uma disputa geopolítica cada vez mais evidente. Enquanto Washington busca recuperar espaço estratégico na América Latina, a China consolidou uma forte presença econômica e comercial na região, especialmente em setores como infraestrutura, energia, mineração, logística e tecnologia.
Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica por ser a maior economia da América Latina e manter relações comerciais relevantes com Pequim.
Segurança e combate ao narcotráfico
A segurança estará no centro da agenda de Rubio. Colômbia, Equador e Peru são considerados estratégicos no combate ao tráfico internacional de drogas e às organizações criminosas que atuam na região.
Para o governo Trump, o narcotráfico é tratado não apenas como uma questão policial, mas também como um problema de segurança nacional e de defesa do hemisfério.
Rubio deverá discutir com os governos locais maneiras de ampliar a cooperação contra organizações criminosas e fortalecer a capacidade dos países sul-americanos de combater o tráfico.
Na Colômbia, a agenda também deverá abordar questões relacionadas à segurança e à cooperação com Washington. O país mantém há décadas uma relação próxima com os Estados Unidos em áreas como defesa e combate ao narcotráfico.
Equador ganha importância
O Equador também passou a ocupar uma posição de destaque na política de segurança americana.
O governo de Daniel Noboa mantém uma relação próxima com Washington, especialmente no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
Uma maior cooperação entre Estados Unidos e Equador pode ampliar a capacidade americana de atuação no Pacífico e nas rotas utilizadas pelo narcotráfico.
Peru completa o eixo regional
A terceira parada de Rubio será o Peru, outro país considerado estratégico para a política americana na América do Sul.
A aproximação com Lima reforça a tentativa de Washington de construir uma rede de parceiros regionais em segurança, comércio e combate ao crime organizado.
O movimento acontece em um momento em que governos identificados com posições de direita ou centro-direita ganharam espaço político em diferentes países da região.
A disputa com a China
Por trás da agenda de segurança existe uma disputa maior: a influência sobre a América do Sul nas próximas décadas.
A China tornou-se um dos principais parceiros comerciais de diversos países latino-americanos e ampliou investimentos em infraestrutura, energia, mineração, logística e tecnologia.
Para Washington, a expansão chinesa em setores considerados estratégicos representa um desafio econômico e geopolítico aos interesses americanos.
É nesse contexto que ganhou força a expressão “Doutrina Donroe”, uma referência a Donald Trump combinada à histórica Doutrina Monroe.
A estratégia atual, porém, apresenta diferenças importantes em relação à formulação original. O foco passou a incluir a contenção da influência de potências como China e Rússia em áreas consideradas estratégicas para os Estados Unidos.
O precedente venezuelano
A política externa de Trump ganhou uma dimensão mais dura em 2026, após a operação americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
O episódio provocou forte controvérsia internacional e passou a ser considerado um marco na política de segurança do governo Trump para a região.
A operação também aumentou a atenção das chancelarias sul-americanas para os próximos movimentos de Washington.
E onde entra o Brasil?
É justamente nesse ponto que a eleição brasileira ganha dimensão internacional.
O primeiro turno das eleições presidenciais está marcado para 4 de outubro, poucas semanas depois da passagem de Rubio pela América do Sul.
O Brasil é a maior economia da América Latina e possui uma posição estratégica que nenhum projeto de influência regional pode ignorar.
Além disso, a China é um dos principais parceiros comerciais brasileiros, tornando Brasília peça importante na disputa geopolítica entre Washington e Pequim.
Isso faz com que o cenário político brasileiro seja acompanhado de perto pelas principais potências.
Não há evidência pública de que os Estados Unidos estejam tentando escolher ou interferir diretamente no resultado da eleição brasileira. No entanto, a orientação política do próximo governo poderá influenciar significativamente as relações do Brasil com Washington, Pequim e outros parceiros internacionais.
Uma oportunidade para a direita brasileira?
Para setores da direita brasileira, a aproximação com o governo Trump pode representar uma oportunidade para ampliar a cooperação com os Estados Unidos em segurança, defesa, tecnologia, energia e investimentos.
Governos mais alinhados à direita também tendem a compartilhar posições semelhantes com Washington em temas como combate ao crime organizado, defesa da propriedade privada e oposição a regimes autoritários.
Mas uma aproximação com os Estados Unidos não precisa significar submissão.
O interesse nacional deve continuar sendo o principal critério da política externa brasileira.
O Brasil pode ampliar sua parceria com Washington e, ao mesmo tempo, manter relações comerciais com China, Europa e outras potências.
A eleição brasileira no centro do tabuleiro
Uma eventual vitória de um candidato de direita poderia aproximar Brasília da agenda de Washington em áreas como segurança pública, combate ao narcotráfico, defesa, liberdade econômica e relações internacionais.
Uma eventual continuidade de um governo de esquerda, por outro lado, poderia preservar uma orientação mais próxima de parceiros do chamado Sul Global e manter relações estratégicas importantes com Pequim.
Essa diferença ajuda a explicar por que o resultado da eleição brasileira poderá ter consequências que vão além da política doméstica.
A viagem de Rubio, por si só, não determina o resultado das eleições e não comprova qualquer tentativa de interferência americana na votação.
O que ela demonstra é que Washington está buscando ampliar sua influência na América Latina em um momento de forte competição geopolítica com a China.
E, nesse cenário, o Brasil será uma das principais peças do tabuleiro sul-americano.
O que está em jogo
Para a direita brasileira, o debate não deveria se limitar a ser “pró-EUA” ou “contra os EUA”.
A questão central é como o Brasil pode aproveitar uma aproximação estratégica com Washington sem abrir mão da própria soberania e dos interesses nacionais.
Uma política externa mais próxima do Ocidente pode trazer oportunidades em investimentos, tecnologia, segurança e defesa, desde que baseada em negociação e reciprocidade.
O Brasil não precisa ser satélite de nenhuma potência. Pode construir alianças estratégicas com diferentes países, priorizando sua segurança, prosperidade e soberania.
É justamente por isso que a passagem de Marco Rubio pela América do Sul merece atenção.
Enquanto Washington busca recuperar espaço na região e Pequim tenta preservar sua influência econômica, o Brasil se aproxima de uma eleição que poderá alterar não apenas sua política interna, mas também o equilíbrio geopolítico de toda a América do Sul.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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