Maior tesouro de moedas da Era Viking é descoberto na Finlândia

Descoberta feita por um entusiasta de detector de metais revelou cerca de 4,5 quilos de prata, milhares de moedas e objetos de valor histórico enterrados há aproximadamente mil anos
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

Um impressionante tesouro de prata da Era Viking foi descoberto na cidade de Sysmä, no sul da Finlândia, em uma descoberta que já é considerada a maior do gênero registrada no país. O achado foi feito no dia 3 de setembro por Kalle Lappinen, um entusiasta de detector de metais que explorava uma área próxima ao centro da cidade.

Ao perceber uma grande quantidade de sinais emitidos pelo equipamento, Lappinen começou a escavar. O que inicialmente poderia parecer apenas mais um objeto metálico enterrado revelou uma descoberta arqueológica extraordinária: milhares de moedas de prata, além de outros objetos, estavam escondidos no local.

O tesouro recuperado pesa aproximadamente 4,5 quilos e inclui, além das moedas, um fragmento de prata que provavelmente era utilizado como forma de pagamento, uma pulseira de prata, um encaixe ou peça decorativa e uma conta de prata. Os objetos estavam enterrados em dois recipientes feitos de casca de bétula, localizados a aproximadamente 45 centímetros de profundidade e separados por cerca de 12 metros.

Um tesouro escondido há cerca de mil anos

Os pesquisadores acreditam que o conjunto tenha sido enterrado durante a parte final da Idade do Ferro, período associado à Era Viking. A datação mais precisa ainda será realizada, mas estudos preliminares indicam que as peças podem ter sido escondidas por volta dos anos 1000 a 1050.

Um dos aspectos mais interessantes da descoberta é a diversidade das moedas. Entre os exemplares identificados preliminarmente estão peças relacionadas a regiões que hoje correspondem à Alemanha, Suécia e Reino Unido, além de dirhams islâmicos. Essa variedade fornece pistas sobre a amplitude das redes comerciais que conectavam o norte da Europa a outras partes do continente e até ao mundo islâmico.

Os especialistas ressaltam, porém, que ainda é cedo para determinar exatamente quantas moedas fazem parte do tesouro. Muitas delas continuam cobertas por terra e corrosão e ainda não foram limpas, separadas ou catalogadas individualmente. Por isso, o número definitivo e a composição completa do achado só serão conhecidos depois de novas etapas de conservação e pesquisa.

Descoberta supera antigo recorde finlandês

A dimensão do achado impressionou os arqueólogos porque ele supera com folga o antigo recorde conhecido na Finlândia. O maior tesouro de moedas da Era Viking registrado anteriormente havia sido encontrado em Nousiainen, em 1895. Naquela descoberta estavam aproximadamente 1.700 moedas, com um peso total de cerca de 2,2 quilos.

Agora, mais de um século depois, a nova descoberta em Sysmä estabelece um novo marco para a arqueologia finlandesa.

O mistério por trás do tesouro

Apesar da importância da descoberta, uma das principais perguntas ainda não tem resposta: por que alguém escondeu toda aquela riqueza?

Os arqueólogos ainda não sabem quem enterrou as moedas, por que os objetos foram divididos em dois depósitos ou quais circunstâncias levaram o proprietário a deixá-los enterrados. A disposição dos objetos e a localização dos recipientes poderão ajudar os pesquisadores a compreender melhor o contexto da descoberta.

O material também pode fornecer informações sobre a economia da região e sobre as conexões comerciais existentes há aproximadamente mil anos. Para os pesquisadores, cada moeda pode funcionar como uma pequena peça de um enorme quebra-cabeça histórico.

Pesquisas continuam

Após a descoberta, o local foi examinado por especialistas e o tesouro foi recuperado sob a coordenação do arqueólogo Esko Tikkala, dos Museus de Lahti, instituição responsável pelo patrimônio arqueológico da região. O material deverá passar por limpeza, catalogação e estudos científicos antes que seja possível determinar com maior precisão sua idade, origem e significado histórico.

A descoberta de Sysmä mostra como objetos enterrados durante séculos ainda podem transformar o conhecimento sobre o passado. O tesouro não representa apenas uma grande quantidade de prata: ele pode ajudar a reconstruir parte da história das pessoas que viveram na Finlândia e das extensas redes de comércio que conectavam diferentes povos durante a Era Viking.

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