China reafirma apoio a Cuba e cobra fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos

Durante a Assembleia Geral da ONU, o vice-presidente chinês Han Zheng pediu o fim imediato do bloqueio e das sanções contra a ilha; Pequim afirma que manterá o apoio ao governo cubano diante da crise energética
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

A China voltou a manifestar publicamente seu apoio a Cuba e defendeu o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha. A posição foi apresentada pelo vice-presidente chinês, Han Zheng, durante o debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York.

Em seu discurso, Han Zheng pediu que os Estados Unidos interrompam o que chamou de ameaça do uso da força contra Cuba e suspendam imediatamente o bloqueio e as sanções contra o país. A declaração ocorre em um momento de forte crise econômica e energética na ilha caribenha.

Após a manifestação na ONU, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, reforçou que Pequim continuará apoiando Cuba independentemente das mudanças no cenário internacional.

Segundo o governo chinês, os dois países construíram uma relação de amizade ao longo de décadas. Pequim afirma que continuará apoiando Cuba na busca por um modelo de desenvolvimento que considere suas próprias condições nacionais, além de defender a soberania cubana e se opor ao que classifica como interferência externa.

China critica confronto entre blocos

Durante seu pronunciamento nas Nações Unidas, Han Zheng também defendeu uma postura internacional baseada no diálogo e na cooperação. O representante chinês criticou o que classificou como uma lógica de confronto entre blocos e uma “mentalidade de Guerra Fria”.

A China afirmou que questões internacionais devem ser tratadas por meio de mecanismos multilaterais e dentro dos princípios da Carta das Nações Unidas. O discurso também abordou outros conflitos e crises internacionais, incluindo a situação no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia.

No caso de Cuba, Pequim relacionou a defesa da ilha ao princípio de soberania nacional e à oposição a medidas unilaterais aplicadas por outros países.

Cuba enfrenta crise energética

A manifestação chinesa ocorre enquanto Cuba enfrenta uma grave crise energética. Segundo informações divulgadas pelo governo chinês, a situação se agravou desde meados de 2024 e envolve dificuldades no abastecimento de combustível, além da necessidade de investimentos na modernização do sistema elétrico cubano.

O governo cubano atribui parte significativa das dificuldades às sanções e ao bloqueio norte-americano. Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm sua política de pressão econômica sobre Havana.

A China tem defendido repetidamente que as medidas sejam suspensas e afirma que as sanções unilaterais prejudicam o desenvolvimento econômico e social da ilha.

Relação entre China e Cuba

O apoio chinês a Cuba não é recente. Os dois países mantêm relações diplomáticas há décadas e vêm ampliando a cooperação em áreas políticas, econômicas, educacionais, tecnológicas e comerciais.

Em setembro de 2025, durante uma visita do presidente cubano Miguel Díaz-Canel à China, os dois governos reafirmaram a intenção de aprofundar a cooperação bilateral. Na ocasião, Pequim declarou apoio à soberania cubana e à continuidade do desenvolvimento do país dentro de seu modelo socialista.

Mais recentemente, em maio de 2026, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, voltou a afirmar que a China continuaria apoiando Cuba e auxiliando o país em seu desenvolvimento econômico e social.

Pequim mantém posição de apoio

Com a nova declaração na ONU, a China reforça uma posição que vem sendo repetida por seu governo: apoio à soberania cubana, oposição a sanções unilaterais e defesa do fim do bloqueio norte-americano.

A manifestação também evidencia a proximidade política entre Pequim e Havana em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas e pelo aumento das tensões entre diferentes blocos de países.

Enquanto Cuba enfrenta dificuldades econômicas e energéticas, a China afirma que continuará mantendo sua parceria com a ilha e defendendo, nos fóruns internacionais, o fim das medidas de pressão contra o governo cubano.

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