Partido de Flávio Bolsonaro aparece na liderança em 17 estados, enquanto o PT está à frente em cinco; resultado final depende da apuração das urnas
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
As pesquisas divulgadas às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026 apontam para uma disputa favorável ao Partido Liberal (PL) na corrida pelo Senado, em um cenário que pode resultar em uma bancada mais numerosa da legenda na próxima legislatura. Os dados, porém, representam intenções de voto e projeções, e não antecipam o resultado oficial das urnas.
Levantamento baseado nas pesquisas mais recentes da Quaest mostra candidatos do PL numericamente à frente em 17 estados, enquanto o MDB lidera em sete. O PT aparece na primeira colocação em cinco estados, mesmo número registrado pelo PP. A análise considera os candidatos que ocupavam as duas primeiras posições nas pesquisas estaduais.
A eleição deste domingo (4) renovará dois terços do Senado Federal, com duas vagas em disputa em cada uma das 27 unidades da Federação. Ao contrário das eleições em que apenas uma cadeira é renovada por estado, o eleitor terá direito a escolher dois candidatos.
PL busca ampliar presença no Senado
O desempenho projetado para o PL é acompanhado com atenção pela direita brasileira. Uma bancada expressiva poderia aumentar o poder de negociação do partido no Congresso e fortalecer a oposição ao governo federal.
Entre as prioridades defendidas por setores da direita estão propostas relacionadas à anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma bancada maior também ampliaria a capacidade do PL de participar da escolha da presidência do Senado e das principais comissões da Casa.
Apesar da vantagem numérica em vários estados, muitas disputas permanecem abertas. A margem de erro das pesquisas faz com que candidatos apareçam tecnicamente empatados em diversas unidades da Federação.
PT enfrenta cenário mais apertado
Para o PT, as pesquisas indicam uma eleição particularmente desafiadora para ampliar sua representação no Senado. A legenda aparece na liderança em cinco estados nos levantamentos considerados, mas enfrenta disputas competitivas em várias regiões.
Um dos exemplos é Minas Gerais, onde as últimas pesquisas apresentaram resultados diferentes. O Datafolha colocou Marília Campos (PT) na liderança, com 21% dos votos válidos, seguida por Carlos Viana (PSD), com 19%, Domingos Sávio (PL), com 17%, e Aécio Neves (PSDB), com 13%.
Já a Quaest apresentou Domingos Sávio (PL) numericamente na frente, com 22%, enquanto Carlos Viana e Marília Campos apareceram com 18% cada, e Aécio Neves com 17%. A diferença entre os levantamentos demonstra o grau de competitividade da disputa mineira.
Rio de Janeiro também tem disputa acirrada
No Rio de Janeiro, os levantamentos mais recentes também mostram uma corrida indefinida pelas duas vagas.
A Quaest colocou Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, na liderança, com 23% e 22% dos votos válidos, respectivamente. Benedita da Silva (PT) aparece logo atrás, com 21%.
No Datafolha, Benedita lidera com 26% dos votos válidos, enquanto Portinho registra 19% e Jordy, 18%. As diferenças entre os institutos mostram que a definição das duas cadeiras permanece aberta.
São Paulo tem quatro nomes na disputa pelas duas vagas
Em São Paulo, o cenário também é competitivo. Pesquisas recentes colocam Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e André do Prado (PL) entre os candidatos mais bem posicionados.
Na Quaest divulgada em 29 de setembro, Derrite tinha 18%, enquanto Marina e Simone apareciam com 15% cada e André do Prado com 12%. Já o Datafolha apontava Marina na liderança, com 15%, seguida por Simone Tebet, com 14%, e Derrite e André do Prado, ambos com 12%.
O cenário paulista é um exemplo da dificuldade de transformar liderança nas pesquisas em previsão segura de resultado, especialmente porque duas vagas estão em disputa e cada eleitor pode votar em dois candidatos.
Pesquisas para o Senado exigem cautela
A disputa pelo Senado apresenta características diferentes da eleição presidencial. Como cada estado e o Distrito Federal elegem dois candidatos, pequenas mudanças na preferência do eleitor podem alterar significativamente a composição final da Casa.
Além disso, a existência de dois votos por eleitor dificulta a leitura direta dos percentuais. Candidatos podem aparecer próximos nas pesquisas e, ainda assim, terminar em posições diferentes na apuração.
Por isso, a projeção de uma determinada quantidade de cadeiras para cada partido deve ser vista como uma fotografia do momento, e não como uma previsão definitiva.
Resultado das urnas definirá nova correlação de forças
A votação deste domingo será decisiva para determinar a composição do Senado para os próximos anos. O resultado poderá alterar a relação de forças entre governo e oposição e influenciar a tramitação de projetos, a formação das comissões e a escolha da Presidência da Casa.
O PL chega ao primeiro turno com candidatos liderando pesquisas em um número expressivo de estados, enquanto o PT tenta preservar e ampliar sua representação em meio a disputas acirradas.
A definição, entretanto, dependerá exclusivamente da apuração dos votos válidos. As pesquisas indicam tendências, mas somente o resultado oficial das urnas mostrará o tamanho de cada bancada no Senado Federal.
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