Trump diz que desempenho de Flávio Bolsonaro no 1º turno foi uma “vitória muito grande”

Foto: Eduardo Munoz Alvarez / POOL / AFP
Presidente dos Estados Unidos avaliou que resultado do candidato do PL foi expressivo, mas afirmou que disputa contra Lula no segundo turno será “muito acirrada”
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta segunda-feira (5) como uma “vitória muito grande” o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial brasileira. O senador terminou a primeira etapa da disputa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas por uma margem estreita, levando a eleição para o segundo turno.

Questionado por jornalistas na saída da Casa Branca sobre o resultado da votação realizada no domingo (4), Trump afirmou que a vantagem de Flávio foi apertada, mas representou uma conquista significativa.

“É uma grande vitória, apertada, mas uma vitória muito grande. Incrível, na verdade”, declarou o presidente americano.

Apesar do tom favorável ao candidato brasileiro, Trump adotou cautela ao avaliar a próxima etapa da eleição. Ao ser questionado sobre o segundo turno, previsto para 25 de outubro, afirmou que a disputa deverá ser “muito acirrada”.

O resultado confirmou uma eleição marcada pela forte polarização política. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Como nenhum dos dois candidatos obteve mais de 50% dos votos válidos, os dois avançaram para a segunda rodada.

Trump acompanha eleição brasileira de perto

A declaração desta segunda-feira reforça o interesse de Trump pelo processo eleitoral brasileiro. Na semana anterior, o presidente americano já havia afirmado que acompanhava “de perto” a eleição no Brasil e que considerava o pleito importante.

A relação entre Trump e o grupo político ligado à família Bolsonaro também ajuda a explicar a atenção do presidente americano ao cenário brasileiro. O resultado do primeiro turno colocou novamente o campo conservador em posição competitiva para disputar o Palácio do Planalto.

A vitória de Flávio, entretanto, não foi suficiente para encerrar a disputa. A diferença entre os dois candidatos ficou próxima de dois pontos percentuais, deixando aberta a possibilidade de uma mudança significativa na composição dos votos até o segundo turno.

Analistas ouvidos pela imprensa brasileira destacaram que o cenário favorece uma disputa especialmente competitiva, já que os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno passam a ser alvo dos dois concorrentes.

Flávio chega ao segundo turno na liderança

O desempenho de Flávio Bolsonaro surpreendeu pela capacidade de reunir votos em diferentes regiões do país. O candidato terminou a primeira rodada com vantagem nacional sobre Lula e liderou em 16 das 27 capitais brasileiras, enquanto o presidente venceu em 11.

A distribuição regional dos votos também mostrou um mapa eleitoral bastante dividido. Flávio apresentou desempenho especialmente forte no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de ter ampliado sua votação em áreas do Norte e do Nordeste.

Segundo levantamento divulgado após a apuração, o candidato do PL abriu vantagem de aproximadamente 2,3 milhões de votos sobre Lula. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos resultados no Sul e Sudeste, enquanto Lula manteve força em importantes áreas do Nordeste.

Esse cenário faz com que a disputa pelo eleitorado que não votou em nenhum dos dois candidatos no primeiro turno seja decisiva.

Trump também elogia rapidez da apuração

Além de comentar o desempenho de Flávio Bolsonaro, Trump voltou a falar sobre o sistema eleitoral brasileiro nas redes sociais.

Em uma publicação na Truth Social, o presidente americano destacou a rapidez com que os resultados do primeiro turno foram divulgados. Trump afirmou que cerca de 125 milhões de pessoas votaram no Brasil e comparou a divulgação dos resultados com o processo de apuração nos Estados Unidos.

A manifestação, porém, veio acompanhada de críticas ao sistema eleitoral americano. Trump utilizou a rapidez brasileira para questionar a demora na divulgação de resultados em determinadas regiões dos Estados Unidos.

Posteriormente, Trump chegou a publicar uma mensagem na qual confundiu o Brasil com a Índia ao fazer referência à eleição, antes de corrigir a informação. O episódio repercutiu internacionalmente.

A comparação feita pelo presidente americano também foi contestada por verificadores de fatos. O sistema eleitoral brasileiro é nacionalmente padronizado, com urnas eletrônicas e procedimentos uniformes, enquanto nos Estados Unidos as regras eleitorais variam entre estados e há ampla utilização do voto pelo correio em algumas regiões.

Por isso, a velocidade da apuração brasileira, por si só, não constitui evidência de irregularidade ou fraude no sistema americano.

Segundo turno será marcado por forte polarização

Com Flávio Bolsonaro e Lula novamente frente a frente, a eleição brasileira entra em uma etapa ainda mais polarizada.

O resultado do primeiro turno mostrou que nenhum dos dois candidatos conseguiu construir uma maioria suficiente para vencer de forma definitiva. A diferença inferior a dois pontos percentuais indica que uma parcela relativamente pequena do eleitorado poderá ser determinante para definir o próximo presidente.

A campanha até 25 de outubro deverá ser marcada por negociações políticas, busca por apoios e esforços para conquistar os eleitores dos candidatos que ficaram fora da disputa.

Flávio chega ao segundo turno com a vantagem simbólica de ter terminado a primeira rodada em primeiro lugar e com um ambiente político favorável à direita. Lula, por sua vez, tentará transformar a experiência de governo e sua força eleitoral histórica em uma reação capaz de reverter a diferença.

A avaliação de Trump resume parte desse cenário: embora o desempenho de Flávio tenha sido considerado pelo presidente americano uma “vitória muito grande”, a própria diferença entre os candidatos mostra que a eleição ainda está longe de estar decidida.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, quando os eleitores brasileiros voltarão às urnas para escolher entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

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