Estado registra 108 casos em 2026, incluindo 92 infecções desde julho em comunidades rurais; medida permite que mais profissionais de saúde apliquem a vacina e facilita a realização de testes
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Nova York declarou estado de emergência diante do avanço do sarampo e da concentração de novos casos em comunidades rurais com baixa cobertura vacinal. A governadora Kathy Hochul assinou na segunda-feira, 5 de outubro, uma ordem executiva que amplia temporariamente a rede de profissionais autorizados a aplicar a vacina tríplice viral, conhecida como MMR, e dá mais flexibilidade para a realização de testes em pessoas com suspeita da doença. A medida ocorre em meio a uma forte retomada do sarampo nos Estados Unidos, que já registrava 3.887 casos confirmados em 2026 até 1º de outubro, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).
Estado contabiliza 108 casos de sarampo em 2026
De acordo com o governo de Nova York, foram registrados 108 casos de sarampo no estado até 3 de outubro. Desse total, sete ocorreram na cidade de Nova York e 101 foram identificados em outras regiões do estado.
A situação se agravou principalmente desde meados de julho. Desde 15 de julho, 92 casos foram registrados em comunidades rurais de 18 condados, regiões nas quais as autoridades identificaram níveis insuficientes de imunização.
A resposta estadual também ocorre em um momento de aumento dos casos em estados vizinhos. A Pensilvânia, que faz fronteira com Nova York, enfrenta um surto ainda maior, com mais de mil casos registrados neste ano. A proximidade entre as áreas afetadas aumenta a preocupação das autoridades com a circulação do vírus entre comunidades.
Segundo o governo estadual, departamentos locais de saúde já aplicaram mais de mil doses da vacina MMR em áreas rurais de Nova York desde 15 de julho, como parte da estratégia para conter a transmissão.
O que muda com a declaração de emergência
A declaração não significa que todo o estado esteja sob medidas de isolamento ou que a população esteja impedida de circular. O objetivo principal da ordem executiva é dar ao sistema de saúde mais ferramentas para responder rapidamente ao surto.
Entre as principais mudanças estão:
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paramédicos passam a integrar a rede autorizada a administrar a vacina contra sarampo;
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profissionais de EMS avançado também podem atuar na vacinação;
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farmacêuticos passam a poder vacinar crianças a partir dos 2 anos;
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parteiras são incluídas entre os profissionais autorizados a administrar a vacina;
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enfermeiros ganham maior flexibilidade para solicitar testes para casos suspeitos de sarampo;
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as vacinações MMR devem ser registradas nos sistemas estaduais ou municipais de imunização em até 72 horas.
A vacinação continua dependendo do consentimento do paciente ou, no caso de crianças, de seu responsável legal. A mudança está relacionada à ampliação da capacidade do sistema de saúde para oferecer a imunização e identificar possíveis casos com maior rapidez.
A emergência entrou em vigor imediatamente e está prevista para permanecer válida até 4 de novembro de 2026, conforme a ordem anunciada pelo governo estadual.
Por que o sarampo voltou a preocupar os Estados Unidos?
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas conhecidas. O vírus é transmitido principalmente pelo ar, por meio de partículas liberadas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus antes mesmo do aparecimento das manchas características na pele.
O retorno de grandes surtos nos Estados Unidos chama atenção porque o país havia eliminado a transmissão endêmica do sarampo em 2000. A doença, entretanto, continuou chegando por meio de pessoas infectadas em outros países e pode voltar a se espalhar quando encontra comunidades com cobertura vacinal insuficiente.
Os dados mais recentes do CDC mostram a dimensão da atual retomada. Até 1º de outubro, eram 3.887 casos confirmados nos Estados Unidos em 2026, com 95% deles associados a surtos. Em todo o ano de 2025, foram registrados 2.289 casos.
O CDC informa ainda que, entre os casos registrados em 2026, houve surtos em dezenas de jurisdições americanas, incluindo Pensilvânia, Texas, Utah, Carolina do Sul, Ohio, Wisconsin e Nova York.
Vacinação é a principal ferramenta de prevenção
As autoridades de saúde reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de proteção contra o sarampo.
A vacina utilizada é a MMR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Segundo o CDC, duas doses apresentam aproximadamente 97% de eficácia contra o sarampo, enquanto uma dose oferece cerca de 93% de proteção.
O Departamento de Saúde de Nova York recomenda que os moradores verifiquem seu histórico de vacinação e procurem um profissional de saúde ou departamento local de saúde caso não tenham certeza de que estão protegidos.
Em situações de viagem ou exposição a áreas com surtos, as autoridades podem recomendar medidas específicas. Nova York também informa que bebês entre 6 e 11 meses podem receber uma dose antecipada da MMR em determinadas situações de risco, como viagens para regiões onde o sarampo está circulando. Essa dose não substitui as doses de rotina que serão necessárias posteriormente.
Quais são os sintomas do sarampo?
Um dos desafios do controle da doença é que os primeiros sintomas podem parecer com os de outras infecções respiratórias.
Segundo o CDC e o Departamento de Saúde de Nova York, os sinais iniciais geralmente aparecem entre 7 e 14 dias após a infecção, embora o período possa chegar a 21 dias.
Os sintomas incluem:
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febre alta;
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tosse;
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coriza;
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olhos vermelhos e lacrimejantes;
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posteriormente, aparecimento de manchas na pele.
A erupção normalmente surge alguns dias depois do início dos sintomas, começando no rosto, próximo à linha do cabelo, e avançando para o pescoço e outras partes do corpo. A febre pode aumentar significativamente quando as manchas aparecem.
As autoridades de Nova York recomendam que pessoas que apresentem sintomas compatíveis com sarampo telefonem antes de comparecer a uma clínica, pronto atendimento ou emergência, para que os profissionais possam adotar medidas para evitar a exposição de outras pessoas.
Doença pode causar complicações graves
Embora algumas pessoas se recuperem sem complicações, o sarampo não deve ser tratado como uma doença infantil simples.
O CDC alerta que a infecção pode provocar pneumonia, encefalite, hospitalização e morte. Crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves.
O Departamento de Saúde de Nova York também cita complicações como pneumonia, inflamação cerebral, parto prematuro, aborto espontâneo e alterações prolongadas no sistema imunológico. Uma complicação neurológica rara, chamada panencefalite esclerosante subaguda, pode surgir anos depois de uma infecção pelo vírus.
De acordo com o CDC, aproximadamente uma em cada cinco pessoas não vacinadas que contraem sarampo nos Estados Unidos é hospitalizada.
Contenção depende de identificar rapidamente os casos
Além da vacinação, as autoridades de Nova York estão reforçando a vigilância epidemiológica.
O estado mantém um painel específico para acompanhar a evolução dos casos e trabalha com departamentos locais de saúde na investigação das infecções, identificação de contatos e distribuição de vacinas.
A pessoa infectada pode transmitir o vírus aproximadamente quatro dias antes até quatro dias depois do aparecimento da erupção cutânea, o que torna a identificação rápida dos casos especialmente importante para interromper cadeias de transmissão.
A declaração de emergência busca justamente aumentar a capacidade de vacinação e testagem enquanto as autoridades acompanham a disseminação do vírus nas áreas mais afetadas.
Um alerta que ultrapassa as fronteiras de Nova York
O cenário de Nova York faz parte de um quadro maior nos Estados Unidos. O país vive, em 2026, o maior número de casos de sarampo em décadas, de acordo com os dados divulgados pelo CDC.
A situação também coloca pressão sobre regiões próximas, principalmente porque surtos em comunidades de estados vizinhos podem favorecer novas introduções do vírus em áreas com menor cobertura vacinal.
Para as autoridades de saúde, o desafio agora é evitar que os focos localizados se transformem em uma transmissão mais ampla. A estratégia passa por aumentar a vacinação, detectar rapidamente pessoas infectadas, rastrear contatos e manter a população informada sobre sintomas e prevenção.
Em Nova York, a declaração de emergência permanecerá em vigor até 4 de novembro, enquanto o governo estadual acompanha a evolução dos casos e reforça as ações de imunização e vigilância.
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