Cerca de 4 mil profissionais do Brigham and Women’s Hospital preveem iniciar paralisação em 14 de outubro caso não haja acordo com a administração; reivindicações envolvem salários, custos do plano de saúde e condições de trabalho
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Enfermeiros do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, Massachusetts, se preparam para iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir da próxima quarta-feira (14), caso as negociações com a administração do hospital não resultem em um acordo. O movimento envolve aproximadamente 4 mil profissionais representados pela Associação de Enfermeiros de Massachusetts (MNA).
A possibilidade de paralisação ganhou força após uma rodada de negociações realizada na quinta-feira (8), que terminou sem consenso entre os representantes dos trabalhadores e a direção da instituição. As conversas ocorreram a menos de uma semana da data prevista para o início da greve.
A disputa trabalhista se prolonga há mais de um ano e envolve questões relacionadas à remuneração, aos custos dos planos de saúde e à organização das equipes de enfermagem. Os profissionais também defendem medidas para fortalecer o quadro permanente de funcionários e estabelecer limites para a contratação de enfermeiros temporários.
Negociações terminam sem acordo
A reunião de quinta-feira durou mais de 11 horas, mas as partes não conseguiram chegar a um entendimento. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, os representantes sindicais afirmaram ter apresentado mudanças nas propostas anteriores na tentativa de viabilizar um acordo.
Entre as alterações discutidas estavam ajustes na proposta salarial, a ampliação do período de vigência do contrato e mudanças nos limites para a utilização de profissionais temporários.
A administração do hospital, por sua vez, informou que as negociações ainda apresentavam questões econômicas pendentes. A direção também declarou que pretende manter a instituição funcionando e preparada para atender os pacientes caso a paralisação aconteça.
Com a aproximação do prazo, permanece a possibilidade de novas conversas entre as partes para tentar evitar a greve.
Salários e benefícios estão entre as principais reivindicações
A remuneração é um dos pontos centrais do impasse. Os representantes dos enfermeiros defendem reajustes que considerem o custo de vida e as responsabilidades dos profissionais, além de condições mais acessíveis para os planos de saúde oferecidos aos trabalhadores e seus familiares.
Outro tema importante é a contratação de enfermeiros temporários. O sindicato busca limitar a dependência desse tipo de mão de obra e ampliar a estabilidade das equipes permanentes.
A entidade argumenta que a manutenção de profissionais fixos contribui para a continuidade do atendimento e para a organização dos serviços hospitalares. A administração, por sua vez, afirma que precisa considerar os custos e as condições operacionais da instituição durante as negociações.
Hospital prepara medidas para manter o atendimento
Diante da possibilidade de uma paralisação prolongada, o Mass General Brigham, sistema de saúde ao qual pertence o Brigham and Women’s Hospital, informou que está organizando medidas de contingência para preservar a assistência aos pacientes.
A instituição declarou que pretende manter os serviços funcionando com o apoio de profissionais temporários e equipes de substituição, caso os enfermeiros iniciem a greve.
Mesmo com o planejamento, uma paralisação dessa dimensão pode exigir mudanças na rotina hospitalar, incluindo ajustes de escalas, reorganização de equipes e possíveis alterações em determinados serviços.
Pacientes com consultas ou procedimentos programados devem acompanhar os comunicados oficiais do hospital para verificar se haverá mudanças nos atendimentos.
Movimento pode se prolongar
A greve prevista para 14 de outubro foi autorizada em setembro, quando a maioria dos enfermeiros participantes da votação sindical apoiou a possibilidade de paralisação. Caso seja iniciada, não há uma data definida para o encerramento do movimento: a retomada do trabalho dependerá dos desdobramentos das negociações.
Em julho, os profissionais já haviam realizado uma paralisação de um dia, seguida por um período de bloqueio de retorno ao trabalho determinado pela administração hospitalar.
A nova mobilização aumenta a pressão por uma solução antes do prazo estabelecido. As partes ainda podem retomar as conversas, mas, até esta sexta-feira (9), não havia anúncio de um acordo que cancelasse a greve.
O desfecho das negociações será acompanhado por pacientes, funcionários e autoridades estaduais, diante da importância do hospital para a rede de saúde da região de Boston.
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