Edson Claro prestou mais de 80 horas de depoimentos à Polícia Federal e entregou mensagens, planilhas e fotografias sobre o esquema investigado; agora, teme pela própria segurança
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O executivo Edson Claro, uma das principais testemunhas das investigações sobre as fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS, denunciou uma nova ameaça após revelar à Polícia Federal informações sobre o esquema comandado, segundo as investigações, pelo lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O depoente apresentou documentos e conversas que ajudaram a ampliar as apurações, incluindo procedimentos que mencionam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mensagem menciona saída da prisão do filho do lobista
Na semana passada, Claro procurou a polícia para relatar o novo episódio. Segundo seu depoimento, uma cunhada de Antunes enviou uma mensagem informando que Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista, havia deixado a prisão. O texto atribuído à mulher dizia: “Romeu saiu, se cuida”.
O alerta ocorreu em um contexto de conflito entre o executivo e seu antigo empregador. Claro afirma que as intimidações começaram depois que decidiu revelar o que sabia sobre o funcionamento do esquema investigado. A nova denúncia aumenta sua preocupação com a própria segurança, e ele avalia ingressar no programa de proteção a testemunhas.
Mais de 80 horas de depoimentos e documentos entregues à PF
Ex-diretor comercial da World Cannabis, empresa ligada a Antunes, Claro prestou mais de 80 horas de depoimentos à Polícia Federal. Ao longo das oitivas, apresentou mensagens, planilhas, fotografias e diálogos de celular que contribuíram para o avanço das investigações.
O material ajudou a abrir diferentes frentes de apuração, três delas envolvendo Lulinha. O filho do presidente é citado em suspeitas de ter recebido R$ 25 milhões para facilitar negócios do lobista junto ao governo. As suspeitas ainda dependem da apuração das autoridades e não equivalem, por si só, à comprovação de responsabilidade criminal.
Lobista já havia sido acusado de intimidar a testemunha
A preocupação de Claro não começou com a mensagem mais recente. Em setembro de 2025, Antunes foi preso, entre outros motivos, por suspeitas de intimidação contra o ex-funcionário. Na ocasião, o lobista teria ameaçado o executivo, afirmando que iria “meter uma bala” em sua cabeça caso ele revelasse o que sabia.
O rompimento entre os dois também envolve disputas sobre bens e documentos empresariais. Claro afirma que o antigo patrão tomou um carro seu e reteve um computador que continha dados da contabilidade da empresa antes de ser preso.
Pedido de proteção já havia sido levado ao STF
No início de 2026, o senador Carlos Viana (PSD-MG), presidente da CPMI do INSS, solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, que Claro fosse incluído no programa de proteção a testemunhas. Na ocasião, o pedido não foi aceito.
Com a nova denúncia, o executivo voltou a considerar a possibilidade de solicitar proteção. A situação levanta questionamentos sobre as condições de segurança de quem colabora com investigações que envolvem suspeitas de grande impacto financeiro e possíveis conexões políticas.
Possível delação pode trazer novos elementos ao caso
As investigações também podem ganhar novos desdobramentos com a disposição da lobista Roberta Luchsinger, apontada como sócia de Lulinha, de negociar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.
Em entrevista, ela afirmou que pretende revelar o que sabe e declarou:
“Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau-caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar o filho do presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade”.
Roberta teria sido contratada por Careca do INSS para viabilizar negócios em Brasília. Lulinha também teria viajado a Portugal na companhia do lobista. Uma eventual colaboração poderá acrescentar informações às investigações, caso seja formalizada e aceita pelas autoridades.
A nova ameaça relatada por Claro recoloca no centro do caso uma questão essencial: o que a testemunha sabe sobre o esquema e quais informações ainda podem surgir a partir de sua colaboração com a Polícia Federal. A motivação do novo episódio, porém, precisa ser esclarecida pelas autoridades.
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