Governo Trump aposta na energia de Itaipu para abastecer empresas de IA dos EUA

Acordo com empresas do Paraguai prevê centro de computação de alto desempenho com operação inicial em 2027

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Os Estados Unidos anunciaram uma parceria entre a empresa americana Crusoe e a desenvolvedora paraguaia Araico para construir um centro de computação de alto desempenho voltado à inteligência artificial, utilizando energia hidrelétrica de Itaipu. O projeto reforça a aproximação econômica entre Washington e Assunção e coloca o Paraguai na disputa por investimentos em infraestrutura tecnológica.

Segundo as informações divulgadas, a primeira fase deverá entrar em operação em meados de 2027. A estrutura será destinada a atender clientes de serviços de computação em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina.

A iniciativa também prevê potencial de expansão para 280 megawatts de capacidade total, conforme o planejamento divulgado pela Crusoe. O volume efetivamente contratado para cada etapa, entretanto, precisa ser distinguido da capacidade projetada.

Brasil ficou fora da agenda

Um dos pontos que chamaram a atenção foi a ausência de representantes brasileiros na agenda da delegação americana. A visita ocorreu no lado paraguaio de Itaipu e foi organizada pelo Paraguai, sem participação da diretoria brasileira da usina ou do governo brasileiro, conforme as informações divulgadas sobre o encontro.

Embora Itaipu seja administrada conjuntamente por Brasil e Paraguai, a realização de uma visita no território paraguaio não significa, por si só, violação do tratado binacional. O ponto central é esclarecer como será estruturado o fornecimento de energia para o empreendimento.

Como fica a energia de Itaipu?

O Tratado de Itaipu, assinado em 1973, estabelece o direito de cada país à metade da energia produzida pela usina. A contratação de eletricidade para o novo centro de computação deverá seguir as regras aplicáveis ao sistema elétrico paraguaio.

Até o momento, o anúncio inicial não detalhou todas as condições comerciais do fornecimento, o volume de energia assegurado nem o investimento total do projeto.

O crescimento da demanda paraguaia merece acompanhamento, especialmente se a instalação for ampliada. Isso, porém, não significa que o empreendimento retirará automaticamente energia destinada ao Brasil. O impacto dependerá dos contratos, da demanda interna do Paraguai e das condições de geração e comercialização.

Disputa estratégica pela inteligência artificial

A parceria combina tecnologia americana, desenvolvimento de infraestrutura no Paraguai e acesso à energia hidrelétrica. Para os Estados Unidos, representa mais um avanço empresarial em um setor estratégico; para o governo paraguaio, abre a possibilidade de atrair capital estrangeiro e ampliar a atividade tecnológica no país.

Para o Brasil, o anúncio reforça a importância de acompanhar os desdobramentos energéticos e comerciais relacionados a Itaipu, um ativo fundamental para os dois países.

O desafio será garantir transparência sobre os contratos e os impactos do empreendimento, sem confundir a expansão tecnológica do Paraguai com uma suposta perda de direitos brasileiros sobre a usina.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

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