Justiça italiana adia para novembro julgamento sobre extradição de Carla Zambelli

Defesa consegue adiamento da audiência de extradição de Carla Zambelli para 24 de novembro, enquanto ex-deputada permanece em liberdade na Itália
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

A Justiça italiana adiou para 24 de novembro de 2026 a audiência que vai analisar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil. A decisão foi tomada nesta terça-feira (27), após solicitação da defesa, e mantém em aberto o desfecho do processo que tramita na Corte de Apelação de Roma.

Zambelli está em liberdade na Itália desde maio deste ano, depois de decisões judiciais anteriores sobre sua extradição terem sido anuladas pela Suprema Corte italiana. A nova data permitirá a continuidade da análise do caso, que envolve uma condenação no Brasil por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionada a um episódio ocorrido às vésperas das eleições de 2022.

Defesa questiona documentação sobre condições de prisão no Brasil

O processo foi retomado em julho, após a Justiça italiana considerar insuficientes as garantias apresentadas sobre a assistência médica que seria disponibilizada à ex-deputada caso ela fosse transferida para o sistema prisional brasileiro.

A defesa também alegou não ter tido acesso, até a audiência desta terça-feira, aos documentos encaminhados pelo governo brasileiro sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

A discussão sobre as condições de custódia e o atendimento médico integra a análise do pedido de extradição. A decisão definitiva sobre o caso ainda depende do andamento do procedimento judicial italiano.

Justiça italiana já negou extradição em outro processo

Carla Zambelli também foi condenada no Brasil a 10 anos e 8 meses de prisão pela invasão hacker do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesse processo, o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro foi negado pela Justiça italiana.

Na decisão, os magistrados italianos consideraram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não poderia ter julgado o caso por ser, ao mesmo tempo, juiz e vítima dos atos atribuídos à ex-deputada.

A decisão italiana representou um obstáculo à tentativa de transferir Zambelli ao Brasil para o cumprimento dessa condenação. O entendimento também colocou em evidência o questionamento sobre a atuação de Moraes no processo, conforme a avaliação adotada pela Justiça daquele país.

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