Advogado de Beira-Mar é alvo de duas investigações por cobrar serviços não prestados

Clientes apontam prejuízos de R$ 15 mil; OAB-RJ também apura a conduta do profissional que atua para o traficante

Por Ana Raquel |GNEWSUSA

O advogado Raphael Brito Smith da Silva, que representa o traficante Fernandinho Beira-Mar e familiares dele em processos judiciais, é alvo de investigações no Rio de Janeiro após denúncias de clientes que afirmam ter pago por serviços jurídicos que não teriam sido realizados. Os casos envolvem suspeitas de apropriação indébita, estelionato e patrocínio infiel. A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) também instaurou um processo ético-disciplinar para apurar a conduta do profissional.

As denúncias mais recentes envolvem dois clientes que relatam prejuízos financeiros superiores a R$ 15 mil. Um músico afirma ter entregue pelo menos R$ 11 mil ao advogado para regularizar pagamentos de pensão alimentícia da filha. Já uma mulher relata ter pago mais de R$ 4 mil para ingressar com uma ação judicial contra uma imobiliária, mas descobriu posteriormente que o processo não havia sido protocolado.

Músico afirma ter pago R$ 11 mil para regularizar pensão alimentícia

O primeiro caso envolve um músico que procurou Raphael Brito Smith da Silva para resolver pendências relacionadas ao pagamento da pensão alimentícia da filha.

Segundo o relato apresentado à polícia, o cliente entregou pelo menos R$ 11 mil ao advogado e acreditava que os valores estavam sendo depositados em uma conta judicial. O profissional teria informado que as transferências estavam sendo realizadas.

A situação veio à tona quando a mãe da criança entrou em contato cobrando os pagamentos. De acordo com o músico, ela informou que estava havia três meses sem receber a pensão, apesar das garantias de que os depósitos haviam sido efetuados.

Diante da situação, o homem registrou um boletim de ocorrência em setembro de 2026, alegando que acreditava estar cumprindo sua obrigação financeira.

O caso foi registrado como suspeita de apropriação indébita e está sob investigação da 34ª Delegacia de Polícia (Bangu), na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A apuração conta com acompanhamento do Ministério Público.

Mulher afirma ter pago mais de R$ 4 mil por processo que não chegou à Justiça

A segunda denúncia envolve uma mulher que contratou o advogado, em 2025, para ingressar com uma ação judicial contra uma imobiliária.

Segundo o depoimento da cliente, ela pagou mais de R$ 4 mil, entre honorários advocatícios e valores apresentados como despesas processuais. Também entregou ao profissional a chave do apartamento relacionado à disputa.

Durante o período em que aguardava o andamento do caso, a mulher afirma ter recebido mensagens do advogado informando que o processo já estava com uma juíza. Posteriormente, porém, descobriu que nenhuma ação havia sido protocolada na Justiça.

Ao procurar outra advogada para tentar resolver a situação, a cliente se deparou com outro problema: a imobiliária alegava que as chaves do imóvel não haviam sido devolvidas. Segundo a denunciante, o objeto continuava em posse de Raphael.

A mulher também relatou que tentou obter esclarecimentos diretamente com o profissional, mas acabou bloqueada no WhatsApp.

A investigação ficou sob responsabilidade da 52ª Delegacia de Polícia (Nova Iguaçu). Em julho de 2025, após concluir o inquérito, a Polícia Civil indiciou o advogado por estelionato e patrocínio infiel.

O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que solicitou novas diligências para complementar a investigação. Depois da realização das medidas, o inquérito voltou a ser enviado ao órgão.

Advogado também foi investigado por suspeita de tráfico de influência

O histórico de investigações envolvendo Raphael Brito Smith da Silva inclui outro episódio, ocorrido em 2023.

Em agosto daquele ano, o advogado foi indiciado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) por suspeita de estelionato e tráfico de influência.

Segundo a investigação policial, ele teria abordado pessoas que eram alvos de uma operação policial e oferecido ajuda para interferir no andamento dos procedimentos em troca de pagamentos.

De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, os valores cobrados chegariam a R$ 10 mil para consultas sobre a situação dos investigados e até R$ 250 mil por uma suposta solução para os inquéritos.

Na ocasião, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão no escritório do advogado, localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Documentos e equipamentos eletrônicos foram recolhidos durante a operação.

OAB-RJ apura conduta profissional

Além das investigações policiais, Raphael é alvo de um processo ético-disciplinar instaurado pela OAB-RJ. A medida busca apurar se houve infração às regras que regulamentam o exercício da advocacia.

O advogado possui inscrição regular na entidade e atua na defesa de Fernandinho Beira-Mar em um processo no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). Também representa a mulher e a filha do traficante em uma ação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

As denúncias contra o profissional ainda dependem da apuração das autoridades competentes. O indiciamento policial não equivale a uma condenação, e o advogado tem direito à ampla defesa e ao contraditório.

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