Ação policial de sete dias na Flórida identificou suspeitos de tentar encontros sexuais com menores de idade; entre os detidos estão 13 funcionários da Disney e quatro da Universal Studios
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Uma grande operação policial realizada no estado da Flórida, nos Estados Unidos, terminou com a prisão de 281 pessoas suspeitas de envolvimento em crimes relacionados à exploração sexual, tráfico humano e tentativa de encontros sexuais com menores de idade. Entre os detidos estão 17 funcionários de dois dos maiores complexos de entretenimento do mundo: Walt Disney World e Universal Studios.
A operação, denominada Polk Around and Find Out II, foi conduzida pelo Gabinete do Xerife do Condado de Polk e teve duração de sete dias. Os resultados foram apresentados pelas autoridades norte-americanas na sexta-feira (30 de outubro de 2026).
De acordo com o balanço divulgado pela polícia, dos 281 presos, 13 trabalhavam na Disney World e quatro na Universal Studios. Sete dos funcionários dos parques foram apontados entre os suspeitos de crimes relacionados à predação sexual de menores.
O caso ganhou repercussão internacional pela quantidade de pessoas detidas e, principalmente, pela ligação de parte dos investigados com empresas que recebem diariamente milhares de famílias e crianças.
COMO FUNCIONOU A OPERAÇÃO
Segundo as autoridades, a investigação teve duas frentes principais: identificar pessoas envolvidas em atividades relacionadas à prostituição e ao tráfico humano, além de localizar adultos que estariam dispostos a viajar para encontrar menores de idade com a finalidade de praticar atos sexuais ilegais. Os investigadores utilizaram estratégias de infiltração para identificar e abordar os suspeitos.
O xerife do condado de Polk, Grady Judd, classificou a ação como a maior operação infiltrada já realizada pelo seu departamento. No balanço apresentado, foram contabilizadas 488 acusações criminais, sendo 198 classificadas como crimes graves pela legislação norte-americana.
Do total de prisões, 239 estavam relacionadas a crimes de prostituição, incluindo solicitação, oferta e auxílio a atividades dessa natureza. Outras 31 prisões envolveram suspeitos de predação sexual de menores, enquanto 11 foram relacionadas a outras infrações.
As autoridades também informaram que 24 suspeitos estavam armados durante os encontros investigados e que 32 pessoas foram acusadas de posse de drogas.
EX-FUNCIONÁRIO QUE INTERPRETAVA O MICKEY MOUSE ESTÁ ENTRE OS PRESOS
Um dos casos que mais chamou a atenção durante a apresentação dos resultados foi o de Collin Klaco, de 24 anos, que já havia trabalhado como intérprete do personagem Mickey Mouse na Disney.
Segundo informações divulgadas pelo Gabinete do Xerife, o homem foi preso depois de manter conversas pela internet com um investigador que se passava pelo responsável por um menino de 13 anos.
De acordo com a investigação, Klaco acreditava que iria encontrar a criança e se deslocou até o local combinado. Entretanto, a pessoa com quem conversava era um policial disfarçado. Durante a abordagem, os investigadores encontraram duas mochilas cheias de fraldas, algumas delas com a marca Disney.
O xerife Grady Judd apresentou detalhes do caso durante a coletiva de imprensa e afirmou que o investigado já não trabalhava na empresa no momento da prisão, embora tivesse atuado anteriormente como personagem do parque.
Klaco foi acusado de viajar para encontrar um menor com finalidade sexual, utilizar computador para aliciar o responsável pela criança, utilizar dispositivo de comunicação para cometer um crime e tentativa de prática de ato libidinoso contra menor. As acusações ainda deverão ser analisadas pela Justiça.
FUNCIONÁRIO DA DISNEY FOI DETIDO A CAMINHO DE ENCONTRO COM MENINO DE 13 ANOS
Outro caso envolvendo um trabalhador da Disney também chamou a atenção dos investigadores.
Segundo informações, um funcionário do parque foi preso enquanto se dirigia a um encontro que acreditava ter marcado com um menino de 13 anos.
O contato havia sido estabelecido pela internet, mas o suposto menor era, na realidade, um policial disfarçado. De acordo com as informações apresentadas pelo xerife, o homem estava com o uniforme da Disney dentro do veículo no momento da abordagem.
O episódio reforçou a preocupação das autoridades com a participação de pessoas que trabalham em ambientes frequentados por crianças e adolescentes.
TREINADOR DE FUTEBOL AMERICANO INFANTIL TAMBÉM FOI PRESO
Entre os investigados está Rashawn Crayton, de 31 anos, apontado pelas autoridades como treinador principal da equipe infantil de futebol americano Davenport Titans. O grupo esportivo trabalha com crianças e adolescentes de aproximadamente 11 a 14 anos.
Segundo o xerife, o treinador acreditava que iria encontrar uma menina de 14 anos. Durante as conversas realizadas pela internet, ele teria enviado mensagens de conteúdo sexual e oferecido até mesmo buscá-la na escola. As autoridades informaram que o homem compareceu ao local combinado e foi preso pelos policiais.
O caso também levou os investigadores a aprofundarem as apurações para verificar se outras crianças poderiam ter sido vítimas de possíveis abusos relacionados ao suspeito. A investigação sobre essa possibilidade continua.
13 FUNCIONÁRIOS DA DISNEY E QUATRO DA UNIVERSAL FORAM DETIDOS
O envolvimento de trabalhadores dos parques temáticos foi um dos aspectos que mais repercutiram após a divulgação dos resultados.
Segundo as autoridades, 17 funcionários de estabelecimentos ligados aos complexos de entretenimento foram presos, sendo 13 da Walt Disney World e quatro da Universal Orlando.
O xerife informou que a Disney colaborou com a investigação e comunicou que havia demitido os 13 funcionários envolvidos nas prisões. Em relação à Universal, até a publicação das informações pela imprensa norte-americana, não havia confirmação pública sobre a situação profissional dos quatro trabalhadores detidos.
É importante destacar que a prisão dos funcionários não significa que todos respondam pelo mesmo tipo de crime. As autoridades apontaram que sete dos 17 trabalhadores estavam entre os investigados por crimes relacionados à predação sexual de menores.
OPERAÇÃO TAMBÉM IDENTIFICOU POSSÍVEIS VÍTIMAS DE TRÁFICO HUMANO
Além das prisões, a operação identificou 11 pessoas consideradas possíveis vítimas de tráfico humano.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, pessoas que compareceram aos locais investigados para oferecer serviços sexuais foram submetidas a entrevistas e avaliações realizadas por investigadores e organizações de assistência social. O objetivo era identificar situações de exploração, violência, coerção ou tráfico de pessoas.
Uma das organizações que participou do trabalho foi a One More Child, instituição que atua no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade. A entidade informou que conversou com 93 pessoas durante a operação, das quais 18 aceitaram receber algum tipo de assistência. As 11 possíveis vítimas identificadas receberam encaminhamento para serviços de apoio.
DETIDOS TAMBÉM INCLUEM IMIGRANTES EM SITUAÇÃO IRREGULAR
Outro dado apresentado pelas autoridades diz respeito à situação migratória de parte dos presos.
Segundo o xerife, 32 pessoas estavam nos Estados Unidos sem situação migratória regular. Desse grupo, 16 haviam sido transferidas para a custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE.
As autoridades também informaram que nove dos detidos estavam em liberdade condicional por ocorrências anteriores. A operação contou com a participação de diferentes órgãos de segurança e instituições governamentais.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
Mesmo após o anúncio das 281 prisões, as autoridades informaram que os trabalhos investigativos continuam.
Um dos pontos que ainda está sendo apurado envolve a possibilidade de outras crianças terem sido vítimas de pessoas detidas durante a operação.
O caso ganhou dimensão internacional por envolver trabalhadores de dois dos parques temáticos mais conhecidos do mundo e por apresentar números expressivos de prisões e acusações criminais. As autoridades norte-americanas ainda deverão dar andamento aos procedimentos judiciais individuais de cada investigado.
É importante ressaltar que os presos são suspeitos e acusados, e não podem ser considerados culpados antes de uma condenação judicial. Cada caso deverá ser analisado individualmente pela Justiça dos Estados Unidos.
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