Instalação reúne 12 robôs que aprendem a executar atividades domésticas e industriais, como retirar alimentos da geladeira, organizar roupas e operar equipamentos
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A Coreia do Sul inaugurou, em 3 de novembro de 2026, sua primeira fábrica dedicada à produção de dados para treinar robôs humanoides com inteligência artificial. A instalação foi criada para desenvolver máquinas capazes de compreender o ambiente ao redor, movimentar objetos e executar atividades semelhantes às realizadas pelas pessoas.
Localizado na cidade de Daejeon, o centro foi construído pelo Instituto Coreano de Máquinas e Materiais (KIMM), em parceria com o Instituto de Pesquisa em Eletrônica e Telecomunicações (ETRI).
Atualmente, o espaço conta com 12 robôs humanoides, que utilizam movimentos controlados remotamente por pesquisadores para aprender diferentes atividades. A proposta é registrar cada movimento e transformar essas informações em dados que possam aprimorar a inteligência artificial das máquinas.
Robôs aprendem atividades do cotidiano
Durante a inauguração, os pesquisadores demonstraram algumas das tarefas que os equipamentos conseguem executar durante o treinamento.
Entre elas estão retirar objetos de uma geladeira, manusear roupas, organizar um sofá e realizar movimentos que exigem coordenação entre braços, pernas e outras partes do corpo.
Os robôs também foram apresentados realizando atividades relacionadas ao ambiente industrial, como pressionar botões e movimentar alavancas dentro de um veículo.
O objetivo é fazer com que essas máquinas desenvolvam habilidades que possam ser utilizadas em diferentes ambientes, desde residências até fábricas e outros espaços de trabalho.
Como funciona o treinamento?
Diferentemente de sistemas de inteligência artificial que aprendem principalmente por meio de textos e imagens, os robôs humanoides precisam aprender também com movimentos físicos.
Para isso, operadores humanos controlam as máquinas remotamente e demonstram como determinadas atividades devem ser realizadas. Durante o processo, os sistemas registram os movimentos, a manipulação dos objetos e as informações relacionadas a cada tarefa.
Esses dados são utilizados para treinar a inteligência artificial. Depois, o sistema desenvolvido é aplicado novamente aos robôs para avaliar se eles conseguem realizar as atividades com maior autonomia.
Os resultados dos novos testes também são registrados e podem ser utilizados em etapas posteriores de treinamento.
Coreia do Sul aposta em robô humanoide nacional
Outro destaque do projeto é o desenvolvimento do KAIROS, um robô humanoide criado pelo próprio Instituto Coreano de Máquinas e Materiais.
Durante a inauguração, o equipamento demonstrou capacidade de manipular objetos com precisão e reproduzir movimentos humanos utilizando diferentes partes do corpo.
A iniciativa faz parte de uma estratégia para fortalecer a indústria robótica sul-coreana e diminuir a dependência de tecnologias e dados produzidos em outros países.
A expectativa é ampliar gradualmente a quantidade de robôs e as atividades realizadas no centro. A partir do final de 2027, a instalação deverá começar a ser disponibilizada para universidades, empresas e instituições de pesquisa.
Uma nova etapa para o futuro da robótica
A inauguração representa um passo importante na corrida internacional pelo desenvolvimento de robôs capazes de trabalhar de maneira cada vez mais independente.
A expectativa é que, com o avanço dos treinamentos, essas máquinas possam assumir atividades repetitivas, auxiliar trabalhadores em ambientes industriais e executar determinadas tarefas domésticas.
Entretanto, ainda existem desafios importantes. Para funcionar com segurança e eficiência, os robôs precisam aprender a lidar com objetos diferentes, ambientes desconhecidos e situações inesperadas.
Com a nova instalação, a Coreia do Sul pretende acelerar esse desenvolvimento e ampliar sua participação no mercado mundial de inteligência artificial e robótica humanoide.
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