Diego Souza é suspenso por uso de licença falsa de treinador e multado em R$ 20 mil

Foto: Reprodução.
Apesar da punição de 360 dias, técnico seguirá trabalhando com o elenco do Joinville, enquanto o auxiliar Raphael Bahia comandará a equipe nos jogos
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

O técnico Diego Souza foi suspenso por 360 dias pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC), em julgamento realizado na última terça-feira (3), pelo uso de uma licença profissional considerada falsa. Além do afastamento, o ex-jogador foi condenado a pagar multa de R$ 20 mil.

Apesar da decisão, o Joinville confirmou que ele continuará participando dos treinamentos com o elenco até o encerramento da Copa Santa Catarina de 2026, mas não poderá comandar a equipe durante as partidas.

A condenação foi unânime, com três votos favoráveis. Como Diego já cumpriu parte da punição durante a suspensão preventiva, aplicada em 23 de outubro, restam aproximadamente 340 dias de afastamento do exercício da função. A multa deverá ser paga em até 15 dias.

Em nota oficial, o Joinville informou que o auxiliar técnico Raphael Bahia ficará responsável por orientar os jogadores à beira do gramado. O diretor jurídico do clube, Maycon Truppel Machado, acompanhou o julgamento, embora apenas Diego tenha sido denunciado.

A defesa do treinador sustentou que ele também foi vítima de uma fraude e contestou a aplicação do artigo 234, parágrafo 1º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê punição para quem utiliza documento falso tendo conhecimento de sua falsidade.

Os advogados pretendem recorrer ao Pleno do TJD-SC e, posteriormente, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), na tentativa de reverter a condenação.

Diego Souza afirma que desconhecia a falsificação

Durante o julgamento, Diego explicou que recebeu a proposta para obter a licença em 2023, quando ainda atuava como jogador profissional. Segundo seu depoimento, o argentino Alejandro Mancuso ofereceu um procedimento especial para conseguir o documento rapidamente, alegando que atletas com reconhecimento no futebol poderiam receber tratamento diferenciado.

O ex-jogador afirmou que não desconfiou da autenticidade da documentação e acreditava estar seguindo um processo legítimo. Também reconheceu que não participou de aulas ou atividades de formação para obter a certificação.

Em seu depoimento, Diego declarou que procurou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) assim que tomou conhecimento das suspeitas.

“Me sinto até envergonhado por essa situação toda. Eu mandei um e-mail para a CBF na mesma hora, alegando que poderia ter caído num golpe e que poderia ser uma situação de licença falsa”, afirmou.

Durante o processo, também foram apresentados áudios atribuídos a Mancuso. Nas gravações, o argentino explicava os supostos procedimentos para emissão da licença, mencionava uma lista de espera e afirmava que a documentação do treinador estava pronta.

Entenda a investigação sobre as licenças falsas

O caso veio à tona no início de outubro, quando a CBF cancelou o registro de Diego Souza como treinador no Boletim Informativo Diário (BID). O ex-jogador foi citado em uma investigação sobre um possível esquema de comercialização de diplomas e licenças falsas para profissionais do futebol, envolvendo Alejandro Mancuso.

A denúncia da Procuradoria da Justiça Desportiva catarinense teve como base informações encaminhadas pela Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) à CBF. Segundo a entidade, não havia registro acadêmico de Diego Souza referente ao curso indicado no diploma, supostamente emitido em dezembro de 2023.

A associação também identificou divergências entre a data do documento e a assinatura atribuída ao secretário-geral. Já a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) informou não ter encontrado registro de licença em nome do ex-jogador.

A partir dessas informações, a Procuradoria apresentou a denúncia que resultou no julgamento pelo TJD-SC. Diego, por sua vez, sustenta que desconhecia qualquer irregularidade na documentação recebida.

Joinville se prepara para a semifinal da Copa Santa Catarina

Enquanto aguarda os próximos desdobramentos do processo, o Joinville concentra suas atenções na semifinal da Copa Santa Catarina. A equipe terminou a primeira fase na terceira colocação, com 15 pontos em oito partidas, resultado de cinco vitórias e três derrotas.

O adversário será o Hercílio Luz, que encerrou a etapa classificatória na segunda posição, com 16 pontos. O primeiro confronto está marcado para sábado (7), às 15h, no Estádio João Marcatto, em Jaraguá do Sul, com mando do Joinville. A partida de volta será disputada no sábado seguinte, às 17h30, no Estádio da Montanha, em Nova Veneza.

O vencedor enfrentará na final quem avançar do confronto entre Figueirense e Marcílio Dias. A competição estadual oferece vagas para a Copa do Brasil e a Série D do Campeonato Brasileiro de 2027.

Com Diego Souza mantido nas atividades internas e Raphael Bahia à frente da equipe nos jogos, o Joinville busca avançar na competição enquanto acompanha a tramitação dos recursos na Justiça Desportiva.

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