Maior cestinha da história olímpica, Oscar Schmidt marcou gerações, recusou a NBA para defender a seleção e se tornou símbolo do esporte no país
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
O ex-jogador Oscar Schmidt, maior ídolo da história do basquete brasileiro, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. Conhecido como “Mão Santa”, o eterno camisa 14 da seleção brasileira passou mal e foi socorrido ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, mas não resistiu. A causa da morte não foi divulgada.
Em nota, a família lamentou a morte e destacou a trajetória do ex-atleta, além de informar que o velório e o enterro serão realizados de forma reservada. Desde 2011, Oscar Schmidt convivia com um tumor cerebral. Ao longo desse período, passou por cirurgias e diferentes tratamentos, mantendo acompanhamento médico contínuo. Mesmo com a gravidade do diagnóstico, seguiu participando de homenagens e eventos ligados ao esporte sempre que possível, tornando pública sua luta contra a doença nos anos seguintes. Em 2022, chegou a afirmar que havia interrompido a quimioterapia, mas posteriormente esclareceu que seguia sob acompanhamento médico.
Reconhecido como um dos maiores nomes do basquete mundial, Oscar foi decisivo para a popularização do esporte no Brasil. Pela seleção brasileira, teve uma carreira longeva e histórica, com cinco participações consecutivas em Jogos Olímpicos — Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996 — somando 1.093 pontos e se tornando o maior cestinha da história da competição.

Além do recorde olímpico, também é o maior pontuador da história da seleção brasileira, com 7.693 pontos, e foi cestinha em três edições dos Jogos: Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996. Em Seul, estabeleceu marcas expressivas, como 55 pontos em uma única partida e a melhor média de pontos de uma edição.
No último dia 8 de abril, foi homenageado pelo Comitê Olímpico do Brasil durante cerimônia do Hall da Fama, no Rio de Janeiro. Em recuperação de uma cirurgia, não compareceu ao evento e foi representado pelo filho, que destacou a dedicação do pai à seleção e às Olimpíadas.
Nascido em Natal, em 16 de fevereiro de 1958, Oscar iniciou a trajetória esportiva no basquete ainda jovem, após migrar do futebol por conta da altura. Desenvolveu-se em Brasília e, aos 16 anos, transferiu-se para o Palmeiras, onde ganhou projeção nacional e chegou à seleção.
Na carreira profissional, acumulou passagens relevantes por clubes do Brasil e da Europa. Conquistou o Mundial de Clubes de 1979 com o Sírio, um dos primeiros grandes títulos da carreira. Nos anos 1980, transferiu-se para a Itália, onde atuou por mais de uma década, principalmente pelo JuveCaserta, em uma das ligas mais competitivas da época.
Mesmo sendo escolhido no draft da NBA de 1984 pelo New Jersey Nets, recusou a proposta para continuar defendendo a seleção brasileira, já que as regras da FIBA impediam atletas da liga americana de atuar por seus países. Anos depois, voltou a receber convites, mas manteve a decisão.
Entre os momentos mais marcantes da carreira está a conquista do ouro no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, quando o Brasil derrotou os Estados Unidos na final, em uma das vitórias mais emblemáticas da história do basquete nacional.
Na década de 1990, após passagem pela Espanha, retornou ao Brasil e atuou por clubes como Corinthians e outros, encerrando a carreira em 2003, pelo Flamengo.
Ao longo da trajetória, Oscar somou 49.737 pontos em jogos oficiais, sendo por muitos anos o maior pontuador da história do basquete mundial. A marca foi superada apenas em 2024 por LeBron James.
Em reconhecimento à carreira, foi incluído no Hall da Fama da NBA em 2013 e também no Hall da Fama da FIBA. Fora das quadras, era conhecido pela personalidade marcante e pela influência sobre gerações de atletas.
Oscar Schmidt deixa um legado que transcende estatísticas e títulos, sendo lembrado como um dos maiores nomes da história do esporte brasileiro e mundial.
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