Autoridades internacionais mantêm alerta máximo após mortes, casos confirmados de hantavírus e quarentena recomendada para passageiros de 23 países
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Uma complexa operação internacional de emergência sanitária segue mobilizando autoridades da Espanha, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de diversos governos após o surto de hantavírus registrado a bordo do navio de expedição MV Hondius, ancorado nas Ilhas Canárias. A previsão das autoridades espanholas é de que os últimos passageiros restantes sejam evacuados nesta segunda-feira (11), encerrando uma operação considerada inédita pelas autoridades de saúde europeias.
O navio, de bandeira holandesa, chegou ao porto industrial de Granadilla de Abona, em Tenerife, no domingo (10), após semanas de tensão no Oceano Atlântico. A embarcação transportava cerca de 147 pessoas entre passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades diferentes quando o surto foi identificado durante a viagem iniciada na Argentina.
Até o momento, três mortes foram registradas: um casal holandês e uma cidadã alemã. Além disso, autoridades confirmaram casos positivos da variante Andes do hantavírus em uma passageira francesa e em um passageiro norte-americano. A cepa Andes preocupa especialistas por ser uma das raras variantes do hantavírus com possibilidade de transmissão entre humanos em contato muito próximo.
Segundo o governo espanhol, 94 passageiros já haviam sido retirados do navio no domingo em uma operação altamente controlada, envolvendo equipes usando trajes de proteção biológica, barcos de apoio, corredores sanitários isolados e voos especiais de repatriação. Os últimos voos programados devem partir nesta segunda-feira para países como Austrália e Holanda.
A ministra da Saúde da Espanha afirmou inicialmente que os passageiros estavam assintomáticos no momento da evacuação. No entanto, horas depois, autoridades francesas confirmaram que uma mulher evacuada apresentou sintomas durante o voo de retorno para Paris, onde foi hospitalizada em estado grave.
A Organização Mundial da Saúde recomendou quarentena e monitoramento de até 42 dias para todos os passageiros expostos ao vírus, período correspondente ao potencial máximo de incubação da doença. Diversos países já anunciaram protocolos de isolamento para os passageiros repatriados. No Reino Unido, por exemplo, passageiros evacuados foram encaminhados para instalações especiais de quarentena hospitalar.
O hantavírus é uma doença rara transmitida principalmente pelo contato com urina, saliva ou fezes de roedores infectados. Dependendo da variante, a infecção pode provocar febre hemorrágica, insuficiência respiratória grave e falência de órgãos. Embora a maioria das cepas não apresente transmissão entre pessoas, a variante Andes — identificada em parte dos casos ligados ao MV Hondius — é considerada uma exceção rara e monitorada com rigor por autoridades sanitárias internacionais.
Apesar da preocupação global, especialistas e autoridades reforçam que o risco para a população em geral continua sendo considerado baixo. A OMS e o Ministério da Saúde da Espanha afirmaram que os protocolos adotados visam justamente impedir qualquer disseminação internacional da doença.
Após a retirada completa dos passageiros, o MV Hondius deverá seguir para a Holanda, onde passará por um processo de desinfecção e investigação sanitária aprofundada. As autoridades internacionais continuam rastreando contatos e monitorando passageiros em diferentes países para identificar possíveis novos casos ligados ao surto.
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