Pés frios, arroxeados e inchados podem indicar doenças cardíacas graves, alertam especialistas

Mudanças na coloração, temperatura e sensibilidade dos pés podem ser sinais precoces de má circulação e aumentar o risco de infarto e AVC
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

Alterações aparentemente simples nos pés, como sensação constante de frio, mudança na coloração da pele, inchaço persistente ou feridas que demoram a cicatrizar, podem ser sinais de problemas cardiovasculares importantes. Especialistas alertam que essas manifestações podem indicar comprometimento da circulação sanguínea e até revelar doenças cardíacas antes do surgimento de sintomas clássicos, como dor no peito ou falta de ar.

Segundo diretrizes recentes da American Heart Association e do American College of Cardiology, a chamada doença arterial periférica (DAP) está diretamente associada à aterosclerose — condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias. O problema reduz o fluxo sanguíneo principalmente para pernas e pés, mas também pode afetar vasos do coração e do cérebro, aumentando significativamente o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A diretriz “2024 ACC/AHA Guideline for the Management of Lower Extremity Peripheral Artery Disease”, publicada na revista científica Circulation, destaca que sintomas nos membros inferiores podem funcionar como um importante marcador precoce de doenças cardiovasculares sistêmicas.

Os pés costumam ser uma das primeiras regiões do corpo a apresentar sinais porque estão nas extremidades do sistema circulatório e dependem diretamente de um bombeamento eficiente do coração para receber sangue oxigenado. Quando há obstrução arterial, a circulação nessa área se torna insuficiente, provocando alterações visíveis e perceptíveis.

Entre os principais sinais de alerta observados pelos especialistas estão:

  • Pés constantemente frios, mesmo em ambientes quentes;
  • Diferença de temperatura entre um pé e outro;
  • Coloração arroxeada, azulada ou muito pálida;
  • Inchaço persistente nos pés e tornozelos;
  • Formigamento ou dormência frequentes;
  • Dor nas pernas ao caminhar, conhecida como claudicação intermitente;
  • Feridas que demoram a cicatrizar;
  • Perda de pelos nas pernas e unhas enfraquecidas.

Os médicos explicam que pés frios nem sempre significam doença cardíaca. Em alguns casos, o sintoma pode estar relacionado ao frio, hipotireoidismo ou alterações neurológicas. Porém, quando o problema se torna frequente ou surge acompanhado de outros sinais, a recomendação é procurar avaliação médica.

Outro ponto de atenção é a diferença de temperatura entre os pés. Quando apenas um deles permanece mais frio, isso pode indicar obstrução em uma artéria específica da perna, exigindo investigação imediata.

De acordo com especialistas em angiologia e cardiologia, o diagnóstico da doença arterial periférica é realizado por meio de avaliação clínica e exames específicos, como o índice tornozelo-braquial, que compara a pressão arterial dos braços com a das pernas para identificar alterações circulatórias.

Além dos riscos cardiovasculares, a falta de circulação adequada pode provocar complicações graves nos membros inferiores, incluindo infecções, necrose dos tecidos e amputações em casos avançados.

A American Heart Association orienta que hábitos saudáveis são fundamentais para reduzir o risco de aterosclerose e doenças vasculares. Entre as principais recomendações estão controlar a pressão arterial, evitar o cigarro, praticar atividades físicas regularmente, manter alimentação equilibrada e monitorar colesterol e diabetes.

Já a Mayo Clinic reforça que sintomas persistentes de má circulação nunca devem ser ignorados, especialmente em pessoas com histórico de hipertensão, diabetes, obesidade ou tabagismo.

Embora muitas pessoas associem doenças cardíacas apenas a sintomas no peito, especialistas alertam que o corpo frequentemente emite sinais silenciosos antes de quadros graves. Reconhecer essas alterações precocemente pode ser decisivo para evitar complicações e salvar vidas.

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