OMS alerta: eliminar hepatite é possível, mas ritmo lento e desigual ameaça metas de 2030

Relatório global destaca queda de infecções e mortes, mas aponta falhas no acesso a diagnóstico e tratamento; Brasil é exemplo ao avançar na eliminação da transmissão vertical da hepatite B
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde revela que, embora o mundo esteja avançando no combate às hepatites virais, o progresso ainda é insuficiente e desigual para cumprir as metas de eliminação da doença até 2030. Dados atualizados mostram redução significativa nas infecções e mortes, mas evidenciam lacunas graves no acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento. O Brasil surge como destaque positivo, especialmente pela redução da transmissão da hepatite B de mãe para filho.

Os esforços globais para combater as hepatites virais têm produzido resultados concretos, mas ainda aquém do necessário. O relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde durante a Cúpula Mundial sobre Hepatite, em Genebra, aponta que as hepatites B e C responsáveis por 95% das mortes relacionadas à doença — causaram cerca de 1,34 milhão de óbitos em 2024.

Apesar disso, a transmissão permanece ativa: são 4,9 mil novas infecções por dia, o equivalente a 1,8 milhão por ano, mantendo a hepatite como um dos principais desafios globais de saúde pública.

Avanços globais ainda insuficientes

Desde 2015, houve progressos relevantes. As novas infecções por hepatite B caíram 32%, enquanto as mortes por hepatite C diminuíram 12%. Outro avanço importante foi a redução da prevalência da hepatite B entre crianças menores de 5 anos, que chegou a 0,6%.

Ao todo, 85 países já atingiram ou superaram a meta de 0,1% prevista para 2030, incluindo Brasil e Portugal, alinhados aos Nações Unidas dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Brasil se destaca como exemplo

O relatório coloca o Brasil entre os países que estão acelerando o progresso rumo à eliminação da hepatite. O principal destaque é a redução da transmissão vertical da hepatite B, ou seja, de mãe para filho.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o país alcançou “resultados impressionantes” por meio de políticas públicas robustas, especialmente via o Sistema Único de Saúde.

Entre os avanços recentes:

  • Cobertura vacinal contra hepatite B em recém-nascidos subiu de 77% em 2023 para 98% em 2025
  • Distribuição de 14 milhões de testes rápidos para hepatite C e 10 milhões para hepatite B em 2025
  • Redução de 50% na mortalidade por hepatite B e 60% por hepatite C entre 2014 e 2024

Desigualdade no acesso ainda é obstáculo

Apesar dos avanços, o relatório alerta para barreiras significativas, especialmente relacionadas a fatores socioeconômicos e geográficos. Milhões de pessoas seguem sem diagnóstico ou tratamento.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que eliminar a hepatite “não é um sonho distante”, mas depende de compromisso político contínuo e financiamento sustentável.

Ele também destacou que o estigma, sistemas de saúde frágeis e desigualdade no acesso continuam impedindo o avanço global.

Números que preocupam

  • 287 milhões de pessoas viviam com hepatite B ou C crônica em 2024
  • Apenas menos de 5% dos infectados por hepatite B recebem tratamento
  • Cerca de 20% dos pacientes com hepatite C foram tratados desde 2015
  • A hepatite B causou 1,1 milhão de mortes, enquanto a C foi responsável por 240 mil

As principais causas de morte seguem sendo cirrose hepática e câncer de fígado.

Regiões mais afetadas

A carga da doença permanece concentrada em países de baixa e média renda. Em 2024, dez países — Bangladesh, China, Etiópia, Gana, Índia, Indonésia, Nigéria, Filipinas, África do Sul e Vietnã — responderam por 69% das mortes por hepatite B.

Na África, onde ocorreram 68% das novas infecções por hepatite B, apenas 17% dos recém-nascidos receberam a vacina ao nascer, evidenciando uma grave lacuna na prevenção.

Caminhos para acelerar a eliminação

De acordo com a diretora do departamento de hepatite da OMS, Tereza Kasaeva, cada caso não diagnosticado representa uma morte evitável.

O relatório aponta ações prioritárias:

  • Ampliar o tratamento para hepatite B crônica
  • Expandir o acesso à cura da hepatite C
  • Integrar serviços de hepatite na atenção primária
  • Aumentar a vacinação ao nascer
  • Fortalecer a prevenção da transmissão vertical
  • Melhorar a segurança em procedimentos de saúde

Embora existam ferramentas altamente eficazes  como vacinas que protegem mais de 95% e tratamentos com taxas de cura semelhantes o desafio agora é garantir acesso universal.

O alerta da Organização Mundial da Saúde é claro: o mundo já sabe como eliminar a hepatite, mas precisa agir com mais rapidez e equidade para transformar essa possibilidade em realidade até 2030.

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