Carga com impurezas acima do permitido seria exportada pelo Porto de Paranaguá; material pode ser destruído após perícia
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resultou na apreensão de aproximadamente 48 toneladas de açúcar VHP sob suspeita de adulteração. A carga, que tinha como destino o mercado externo via Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, foi interceptada após a identificação de irregularidades durante análises preliminares de fiscalização.
Segundo os órgãos responsáveis, os primeiros testes indicaram possível fraude no padrão de pureza do produto, levantando suspeitas de que o açúcar teria sido adulterado antes da exportação.
O que é o açúcar VHP
O açúcar VHP (Very High Polarization, ou “polarização muito alta”) é um tipo de açúcar bruto com elevado teor de sacarose, geralmente acima de 99,4%, amplamente utilizado no comércio internacional. Ele é uma das principais commodities exportadas pelo Brasil e serve, em muitos casos, como base para refino em outros países.
Por ser um produto de alto volume no mercado global, qualquer alteração em sua composição pode gerar prejuízos econômicos e afetar a credibilidade da cadeia de exportação.
Indícios de adulteração e irregularidades
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, a fiscalização encontrou presença de materiais insolúveis em níveis acima do permitido pela legislação, com indícios de substâncias como areia misturadas ao açúcar.
A principal linha de investigação aponta que a adulteração teria sido feita de forma proposital, com a hipótese de aumento artificial do peso da carga, o que poderia gerar ganho financeiro indevido na comercialização.
As autoridades classificaram o material como fora dos padrões de qualidade exigidos para exportação e apontaram risco sanitário e econômico caso o produto chegasse ao destino final.
Amostras e investigação laboratorial
Auditores do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (SIPOV/PR) realizaram a coleta de amostras, que foram encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás, onde passarão por análises mais detalhadas.
O resultado dos exames será determinante para confirmar a fraude e definir a responsabilização dos envolvidos.
Destino da carga e possíveis sanções
Em razão da ausência de rastreabilidade do material misturado ao açúcar, o Ministério da Agricultura classificou a carga como risco à defesa agropecuária. A tendência, segundo o órgão, é que seja determinada a destruição total do produto, seguindo normas ambientais e sanitárias.
A empresa responsável pela carga foi autuada, mas não teve o nome divulgado até o momento. Caso a fraude seja confirmada, ela poderá responder a sanções administrativas e desdobramentos criminais, além de outras penalidades previstas na legislação brasileira.
Impacto e investigação em andamento
O caso reforça a atuação de fiscalização em um dos setores mais estratégicos da economia brasileira: o agronegócio exportador. As investigações seguem em andamento para identificar a origem da adulteração e possíveis responsáveis pela manipulação do produto.
As autoridades não descartam a ampliação das apurações para verificar se há outros lotes ou operações semelhantes envolvendo o mesmo tipo de irregularidade.
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