Polícia Federal quer esclarecer suposta intermediação financeira entre investigados em esquema de descontos ilegais contra aposentados e pensionistas
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Polícia Federal agendou para a próxima quarta-feira (20) o depoimento da empresária Roberta Luchsinger no âmbito das investigações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O interrogatório será realizado por videoconferência e faz parte de uma força-tarefa da PF que busca concluir dezenas de oitivas relacionadas à operação que apura irregularidades em contracheques de beneficiários da Previdência Social.
Segundo informações da investigação, Roberta é apontada pelos investigadores como suposta intermediária de pagamentos ligados ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A PF pretende esclarecer a relação da empresária tanto com Antunes quanto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Os investigadores analisam suspeitas de que Lulinha teria ligação indireta com negócios associados ao grupo investigado. Em manifestações anteriores, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e negou qualquer participação em fraudes.
Roberta Luchsinger trabalhou anteriormente para Antônio Camilo Antunes e foi alvo de mandado de busca e apreensão durante uma das fases da Operação Sem Desconto, realizada pela PF em dezembro do ano passado. De acordo com relatórios da investigação, a empresária teria recebido aproximadamente R$ 1,5 milhão provenientes de empresas vinculadas ao suposto líder do esquema.
A defesa da empresária também nega irregularidades. Em nota divulgada anteriormente, o advogado Bruno Salles declarou que Roberta já havia apresentado esclarecimentos detalhados por escrito às autoridades e permanecia disponível para prestar novas informações sempre que necessário.
A investigação apura um esquema de descontos associativos supostamente aplicados de forma irregular sobre benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas. O modelo consistiria na inclusão de cobranças automáticas nos contracheques sem autorização válida dos beneficiários, gerando prejuízos milionários.
O depoimento ocorre em meio a mudanças internas na condução do inquérito. Inicialmente vinculado à divisão de crimes previdenciários, o caso passou recentemente para um setor responsável por investigações envolvendo pessoas com possível foro privilegiado, o que ampliou a repercussão política do processo.
A troca de coordenação gerou críticas de integrantes da oposição e motivou pedidos de esclarecimento sobre a condução das investigações. Paralelamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, avalia medidas relacionadas às mudanças ocorridas na investigação, segundo informações divulgadas pela imprensa nacional.
Outro ponto considerado estratégico pela PF envolve as negociações de delação premiada do empresário Mauricio Camisotti, apontado pelos investigadores como um dos principais operadores financeiros do esquema. As tratativas para um possível acordo de colaboração haviam avançado, mas retornaram à fase inicial após reavaliações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Nos bastidores, investigadores consideram que os próximos depoimentos poderão ajudar a mapear o fluxo financeiro do suposto esquema e identificar possíveis conexões empresariais, políticas e operacionais entre os envolvidos.
O caso segue sob sigilo parcial e ainda está em fase de investigação. Até o momento, a PF não divulgou previsão para conclusão do inquérito.
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