Variante rara do vírus preocupa autoridades internacionais diante da alta circulação de pessoas, conflitos armados e risco de disseminação para países vizinhos
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
A República Democrática do Congo enfrenta um novo avanço do Ebola no leste do país, em um cenário que já preocupa autoridades internacionais de saúde. O Ministério da Saúde congolês confirmou nesta sexta-feira (15) que o número de mortes relacionadas ao atual surto chegou a 80, enquanto os casos suspeitos já somam 246.
As infecções estão concentradas principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, além de registros em Bunia, capital da província de Ituri, região marcada por instabilidade política, conflitos armados e intensa movimentação populacional.
Segundo autoridades locais, exames laboratoriais mais recentes identificaram a circulação da cepa Bundibugyo do vírus Ebola, uma variante considerada menos comum e diferente da cepa Zaire, responsável pela maioria dos surtos históricos registrados no continente africano.
A descoberta elevou o nível de preocupação entre especialistas porque as vacinas e terapias atualmente disponíveis foram desenvolvidas prioritariamente contra a variante Zaire, o que pode dificultar o controle da doença neste novo cenário.
Diante do avanço do surto, o governo do Congo ativou centros de operações de emergência e ampliou ações de vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos, isolamento de pacientes e atendimento médico nas áreas afetadas.
A Organização Mundial da Saúde acompanha o caso e enviou equipes técnicas para apoiar as investigações e fortalecer a resposta sanitária no país. A entidade informou que alguns testes iniciais apresentaram resultados inconclusivos, mas análises laboratoriais posteriores confirmaram a presença do vírus.
Como medida emergencial, a OMS anunciou a liberação de US$ 500 mil de seu fundo de resposta rápida para financiar ações de contenção, incluindo monitoramento de contatos, logística hospitalar e reforço das equipes médicas.
O cenário se torna ainda mais delicado devido às condições da província de Ituri, onde milhares de pessoas vivem em deslocamento constante por causa de conflitos entre grupos armados e atividades ligadas à mineração. Especialistas alertam que essa intensa mobilidade aumenta significativamente o risco de propagação do Ebola para outras regiões do Congo e também para países vizinhos.
O Africa Centres for Disease Control and Prevention já convocou reuniões com nações próximas para coordenar estratégias regionais de contenção e evitar uma expansão internacional do surto.
Um caso importado já foi registrado em Uganda, aumentando o alerta das autoridades sanitárias africanas.
O Ebola é uma doença viral grave e altamente contagiosa, transmitida pelo contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou superfícies contaminadas por pessoas infectadas. Os sintomas incluem febre alta, dores musculares, fadiga intensa, vômitos, diarreia e, em casos severos, hemorragias internas e externas.
Sem tratamento adequado e resposta rápida, a doença pode levar à morte em poucos dias. Em surtos anteriores registrados no continente africano, a taxa de mortalidade chegou a ultrapassar 50% dos casos confirmados.
Especialistas internacionais reforçam que o controle rápido do atual surto será decisivo para impedir uma nova crise sanitária regional na África Central.
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