Trump amplia cerco contra JBS em investigação sobre possível cartel da carne nos EUA

Governo investiga possível combinação de preços e domínio do mercado de carne, afetando produtores e consumidores

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (4) a intensificação da investigação por suspeita de cartel envolvendo os quatro maiores frigoríficos que atuam nos Estados Unidos — entre eles as brasileiras JBS e Marfrig, dona da National Beef.

A investigação antitruste, conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA, está em curso desde novembro do ano passado e apura possível formação de cartel, fixação de preços e práticas que podem comprometer o abastecimento alimentar no país. O anúncio da ampliação ocorreu durante coletiva em Washington.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou que o volume de provas já analisado é significativo.

“A estrutura atual do mercado e a alta concentração da indústria indicam atividade anticompetitiva.”

Segundo ele, mais de 3 milhões de documentos foram analisados e centenas de pecuaristas, produtores e processadores foram ouvidos desde a abertura do inquérito, determinada por ordem executiva de Trump.

Domínio de mercado preocupa autoridades

De acordo com o governo americano, apenas quatro empresas controlam mais de 85% do mercado de carne bovina nos EUA:

• JBS USA Holdings

• Cargill

• National Beef Packing

• Tyson Foods

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, destacou que essas empresas operam por meio de cerca de 70 subsidiárias, o que reduz as opções de negociação para produtores rurais.

A concentração saltou de 36% em 1980 para 85% atualmente, segundo dados oficiais.

“Quando apenas quatro empresas controlam um mercado, fornecedores e preços de alimentos sofrem fortes impactos”, afirmou Rollins.

Controle estrangeiro entra no radar

Outro ponto central da investigação é o fato de duas das quatro maiores empresas terem controle estrangeiro — ambas brasileiras.

“Metade desses gigantes da indústria de carne […] é estrangeira, tornando-os uma ameaça não apenas aos nossos produtores, mas à própria América.”, declarou Rollins.

O assessor econômico da Casa Branca, Peter Navarro, reforçou o alerta:

“Não é apenas com a manipulação e a fixação de preços que temos de nos preocupar. É também com a influência de estrangeiros na nossa cadeia de suprimentos e na segurança nacional. Não podemos tolerar isso.”

Navarro também fez críticas diretas:

“A empresa distribui milhões de dólares ao sistema político americano como se fossem balas.”

Além disso, afirmou que exportações de carne foram redirecionadas para a China após tarifas impostas ao Brasil, o que teria elevado o nível de preocupação do governo.

Origem da investigação

A apuração começou após uma publicação de Trump, em novembro de 2025, determinando a investigação sobre frigoríficos.

Na ocasião, o presidente acusou empresas de “inflar artificialmente os preços” e colocar em risco a segurança alimentar dos Estados Unidos.

Dados oficiais mostram que os preços da carne subiram 19,7% em um ano, reforçando a preocupação do governo.

EUA vão pagar até US$ 1 milhão a delatores

O Departamento de Justiça anunciou que irá recompensar financeiramente quem denunciar práticas ilegais.

Delatores poderão receber entre 15% e 30% dos valores recuperados, em casos com penalidades superiores a US$ 1 milhão.

Empresas não se manifestaram

Até o momento, JBS e Marfrig não responderam às acusações.

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