Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontaram pagamentos a ex-presidentes, ex-ministros, dirigentes partidários e escritórios de advocacia
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O caso envolvendo o Banco Master continua sendo lembrado como um dos episódios que mais repercutiram nos bastidores da política e do setor financeiro nos últimos anos. Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado revelaram pagamentos milionários realizados pela instituição a empresas, consultorias e escritórios de advocacia ligados a figuras influentes da política, da economia e do meio jurídico brasileiro. Embora os repasses tenham sido declarados formalmente e os beneficiários sustentem que os valores correspondem a serviços prestados, a divulgação dos montantes chamou a atenção de parlamentares e órgãos de fiscalização.
Entre os nomes citados nos documentos está o ex-presidente Michel Temer. Segundo os registros enviados à CPI, seu escritório de advocacia aparece associado a pagamentos de aproximadamente R$ 10 milhões realizados pelo Banco Master. Temer afirmou que a contratação ocorreu para prestação de serviços jurídicos e que o valor efetivamente recebido teria sido inferior ao registrado nos documentos.
Outro nome de destaque é o do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A empresa Pollaris Consultoria, de sua propriedade, aparece vinculada a repasses de cerca de R$ 14 milhões. Os documentos apontam que os pagamentos ocorreram dentro de contratos de consultoria mantidos com a instituição financeira.
A documentação também menciona o escritório Lewandowski Advocacia, ligado à família do atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Os registros indicam depósitos superiores a R$ 6 milhões iniciados antes da entrada de Lewandowski no governo federal.
O ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles também figura na relação. Segundo informações divulgadas à época, os pagamentos estavam ligados a serviços de consultoria em macroeconomia e mercado financeiro prestados ao Banco Master.
Os documentos enviados à CPI alcançam ainda lideranças partidárias. O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, aparece associado a pagamentos superiores a R$ 6 milhões. Já o ex-prefeito de Salvador e uma das principais lideranças da legenda, ACM Neto, surge vinculado a uma empresa de consultoria que recebeu mais de R$ 5 milhões.
Outro nome que aparece nos registros é o do ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten. Uma empresa ligada a ele recebeu cerca de R$ 3,8 milhões. Wajngarten declarou que passou a integrar a equipe jurídica de defesa do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e que o contrato possui cláusulas de confidencialidade.
Também constam nos documentos pagamentos destinados a empresas ligadas ao Grupo Massa, conglomerado empresarial da família do governador do Paraná, Ratinho Junior. Os valores registrados somam aproximadamente R$ 24 milhões, distribuídos entre empresas do grupo.
Entre os repasses que mais chamaram a atenção está o valor declarado em favor do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Segundo os registros analisados, os pagamentos ultrapassaram R$ 80 milhões entre os anos de 2024 e 2025.
A relação inclui ainda pagamentos a empresas ligadas a Bonnie Bonilha, familiar do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, além do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, entre outros profissionais e consultores que mantiveram contratos com a instituição financeira.
O que estava em discussão
A divulgação dos documentos provocou intenso debate político porque revelou a dimensão dos contratos firmados pelo Banco Master com pessoas e empresas ligadas a figuras públicas de grande influência nacional. Especialistas ressaltaram que a existência dos pagamentos, por si só, não caracteriza qualquer irregularidade, uma vez que contratos de consultoria, assessoria e advocacia são atividades legítimas e comuns no mercado.
O foco das discussões passou a ser a natureza dos serviços contratados, os valores envolvidos e a necessidade de maior transparência sobre operações que movimentaram dezenas de milhões de reais.
Repercussão continua
Mesmo após a divulgação dos documentos, o episódio segue sendo lembrado como um dos casos que mais despertaram atenção nos meios político e econômico. As informações reforçaram o interesse de parlamentares e órgãos de controle em compreender as relações comerciais mantidas entre grandes instituições financeiras e personalidades com influência em diferentes esferas de poder.
Até o momento, a divulgação dos pagamentos não representa conclusão de irregularidade ou condenação de qualquer pessoa citada nos documentos, mas permanece como um dos capítulos mais comentados das investigações analisadas pela CPI do Crime Organizado.
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