Mesmo após períodos de desaceleração, preços de itens essenciais acumulam fortes aumentos nos últimos anos e seguem pressionando o orçamento das famílias de menor renda
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O preço da cesta básica e o custo dos alimentos continuam entre as principais preocupações dos brasileiros. Apesar de dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontarem desaceleração da inflação dos alimentos em determinados períodos, o aumento acumulado dos preços ainda compromete significativamente o poder de compra das famílias, especialmente as de baixa renda. O tema voltou ao centro do debate político e econômico, colocando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob pressão diante da percepção de que itens essenciais permanecem caros nos supermercados.
A inflação dos alimentos tem impacto direto no cotidiano dos brasileiros porque a alimentação representa uma das maiores parcelas do orçamento doméstico, sobretudo entre as famílias de menor renda. Segundo o Instituto Pacto Contra a Fome, em alguns lares com renda de até R$ 2 mil mensais, os gastos com alimentação podem representar mais de 60% das despesas familiares.
Dados do IBGE mostram que o grupo Alimentação e Bebidas foi um dos principais responsáveis pelas pressões inflacionárias em diversos meses de 2025, impulsionado principalmente pela alta de produtos como café, tomate e batata-inglesa. Em março daquele ano, o segmento registrou alta de 1,17%, exercendo o maior impacto individual sobre o índice geral de inflação.
Embora a inflação dos alimentos tenha perdido força em parte de 2025 e apresentado períodos de queda em alguns produtos, o aumento acumulado desde 2020 ainda é expressivo. Estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) apontou que, entre janeiro de 2020 e novembro de 2025, os preços dos alimentos subiram cerca de 57%, percentual superior ao avanço acumulado da inflação geral no mesmo período, de aproximadamente 38%.
Especialistas destacam que a alta dos alimentos não decorre de um único fator. Entre as causas estão os efeitos das mudanças climáticas sobre as safras agrícolas, o aumento dos custos de produção, oscilações do dólar, eventos climáticos extremos, problemas logísticos internacionais e o comportamento dos preços das commodities no mercado global.
A percepção de perda de poder de compra também se reflete no custo da cesta básica. Levantamentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que, embora o poder de compra do salário mínimo tenha apresentado melhora ao longo das últimas décadas, o valor dos alimentos continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento familiar, especialmente nos grandes centros urbanos.
Economistas avaliam que o comportamento dos preços dos alimentos continuará sendo um dos principais desafios econômicos e políticos do governo federal. A capacidade de reduzir o custo da alimentação e recuperar o poder de compra das famílias poderá influenciar diretamente a percepção da população sobre a situação econômica do país nos próximos anos.
Enquanto os indicadores oficiais apontam desaceleração em alguns períodos recentes, a sensação de encarecimento da cesta básica permanece forte entre os consumidores, evidenciando a distância que muitas vezes existe entre os números macroeconômicos e a realidade vivida nas prateleiras dos supermercados brasileiros.
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