Reconhecida pela Federação Internacional de Diabetes, condição associada à desnutrição ainda não é aceita oficialmente pela OMS e gera discussões na comunidade médica
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Uma nova classificação do diabetes vem despertando atenção da comunidade científica internacional e levantando questionamentos sobre o diagnóstico e o tratamento de milhões de pacientes em países de baixa e média renda. Conhecida como diabetes tipo 5, a condição foi reconhecida pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) em 2025 como uma forma distinta da doença, associada à desnutrição prolongada durante a infância e a adolescência. Apesar do reconhecimento, a classificação ainda não é consenso entre especialistas e não foi oficialmente incorporada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera insuficientes as evidências científicas para caracterizá-la como uma categoria independente.
O diabetes é uma das doenças crônicas mais comuns do mundo, afetando mais de 830 milhões de pessoas, segundo dados internacionais. Tradicionalmente, os casos são classificados principalmente como diabetes tipo 1, quando o organismo deixa de produzir insulina por um processo autoimune, ou tipo 2, relacionado à resistência à ação desse hormônio.
Agora, pesquisadores e entidades médicas discutem a existência de uma nova forma da doença que estaria ligada à subnutrição crônica. A hipótese é que a falta de nutrientes durante períodos críticos do desenvolvimento humano comprometa o crescimento adequado do pâncreas, reduzindo sua capacidade de produzir insulina ao longo da vida.
Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o diabetes tipo 5, anteriormente chamado de diabetes relacionado à desnutrição, afeta principalmente adolescentes e adultos jovens com baixo índice de massa corporal, especialmente em regiões da África Subsaariana e do Sudeste Asiático. A entidade estima que entre 20 e 25 milhões de pessoas possam apresentar características compatíveis com essa condição.
Entre os sintomas mais comuns estão:
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Sede excessiva;
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Perda rápida de peso;
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Cansaço frequente;
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Aumento da frequência urinária;
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Níveis elevados de glicose no sangue.
A semelhança dos sintomas com o diabetes tipo 1 é justamente um dos fatores que tornam o diagnóstico mais complexo. Especialistas apontam que muitos pacientes podem estar sendo classificados de forma inadequada e recebendo tratamentos que não atendem às características específicas da condição.
Por que a classificação gera controvérsia?
Embora a IDF tenha oficializado o reconhecimento da nova categoria durante seu Congresso Mundial realizado em 2025, a Organização Mundial da Saúde mantém posição cautelosa.
A OMS já havia reconhecido, na década de 1980, uma forma de diabetes relacionada à desnutrição. Entretanto, essa classificação foi retirada das diretrizes oficiais em 1999 por falta de evidências conclusivas que demonstrassem tratar-se de uma doença distinta dos demais tipos.
Atualmente, um dos principais desafios é a ausência de um exame laboratorial específico capaz de confirmar o diagnóstico. Os médicos dependem da análise do histórico nutricional do paciente, do peso corporal e do comportamento metabólico diante dos tratamentos convencionais.
Por essa razão, parte da comunidade científica considera que o chamado diabetes tipo 5 pode representar uma variação de formas já conhecidas da doença, e não necessariamente uma categoria independente.
Tratamento pode ser diferente
As pesquisas mais recentes indicam que pacientes com características compatíveis com o diabetes tipo 5 apresentam deficiência na produção de insulina, mas não necessariamente resistência ao hormônio, como ocorre frequentemente no diabetes tipo 2.
Isso significa que doses elevadas de insulina, normalmente utilizadas em outros tipos da doença, podem não ser adequadas em todos os casos. Em algumas situações, o tratamento pode exigir acompanhamento nutricional intensivo, medicamentos orais e estratégias individualizadas para o controle da glicemia.
A Federação Internacional de Diabetes criou um grupo de trabalho internacional para desenvolver critérios diagnósticos padronizados e estabelecer protocolos terapêuticos específicos para a condição.
Impacto global
Especialistas alertam que o reconhecimento da doença pode ter importância especial em regiões afetadas por insegurança alimentar, pobreza e desnutrição infantil. Além disso, o aumento da incidência de diabetes em pessoas magras observado em diferentes países tem ampliado o interesse científico pelo tema.
Enquanto novas pesquisas são conduzidas, o diabetes tipo 5 permanece como um dos assuntos mais debatidos da endocrinologia mundial. A expectativa é que estudos futuros esclareçam se a condição representa, de fato, uma nova categoria da doença ou uma manifestação ainda pouco compreendida dos tipos já conhecidos.
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