Impasse na delação premiada leva a defesa a concentrar esforços nos recursos em tramitação na Corte
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro aguarda uma definição do Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto enfrenta dificuldades para avançar nas negociações de um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF).
Segundo informações divulgadas, a segunda proposta de colaboração apresentada por Vorcaro corre o risco de não ser homologada. Diante desse cenário, a defesa passou a concentrar seus esforços nos recursos que tramitam no STF, apostando em uma possível reversão de decisões que mantêm a prisão preventiva do ex-executivo.
Durante as negociações, Vorcaro buscou ganhar tempo enquanto permanecia sob custódia. Ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Após a rejeição da primeira proposta de delação, em 21 de maio, passou a ocupar uma cela provisória no mesmo local.
A defesa teme que uma nova rejeição do acordo resulte em transferência imediata para o Complexo da Papuda. Desde março, Vorcaro já passou por cinco unidades prisionais entre São Paulo e o Distrito Federal.
Voto de Nunes Marques ganha peso no STF
O cenário dentro do Supremo tem sido acompanhado de perto pelos advogados. Até o momento, os ministros André Mendonça e Luiz Fux votaram pela manutenção das prisões analisadas pela Segunda Turma da Corte.
O ministro Dias Toffoli declarou impedimento no caso, enquanto Gilmar Mendes pediu vista dos processos, suspendendo temporariamente o julgamento.
Com a composição atual da turma, o voto de Kassio Nunes Marques pode ser decisivo para o futuro de Vorcaro. A avaliação da defesa é que uma eventual mudança de entendimento poderia abrir caminho para a concessão de prisão domiciliar ou até mesmo para a revogação da prisão preventiva.
Nos bastidores, existe a expectativa de que a defesa consiga uma decisão favorável ainda nesta semana.
Decisão de André Mendonça gerou reação da defesa
A defesa de Daniel Vorcaro demonstrou insatisfação com a decisão do ministro André Mendonça que retirou a tornozeleira eletrônica de Raimundo Nogueira, investigado em uma das fases da operação.
Ao justificar a medida, Mendonça afirmou que não havia elementos concretos capazes de comprovar risco de fuga, entendimento que levou à revogação da restrição imposta ao investigado.
Os advogados de Vorcaro argumentam que a situação seria semelhante à de Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro, que continua preso.
No entanto, segundo informações apresentadas pelas autoridades responsáveis pela investigação, Felipe teria tentado fugir de agentes federais durante uma operação realizada em janeiro, circunstância que diferencia os dois casos e foi considerada relevante para a manutenção da prisão.
Defesa amplia estratégia para familiares
Além da situação de Daniel Vorcaro, os advogados também atuam para tentar reverter as decisões que mantiveram presos Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, e Felipe Vorcaro, seu primo.
Os dois foram alvos de medidas determinadas durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, e os pedidos de prisão domiciliar serão analisados pela Segunda Turma do STF.
Caso obtenha uma decisão favorável, a defesa pretende apresentar novos recursos para ampliar os benefícios concedidos aos investigados.
Com as negociações de delação praticamente paralisadas, o foco de Daniel Vorcaro agora está totalmente voltado para os recursos em tramitação no Supremo, onde uma mudança de entendimento de ministros pode alterar os rumos do caso nos próximos dias.
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