Senador defende a Constituição, promete anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e autonomia à PF
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado (18) que não pretende “abaixar a cabeça para tirano nenhum” e voltou a criticar decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura de Magno Malta (PL) ao Senado pelo Espírito Santo. O discurso foi realizado um dia após Moraes ampliar as restrições impostas ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Durante sua fala, Flávio afirmou que é conhecido por buscar diálogo e construir pontes na política, mas declarou que pretende reagir quando, segundo ele, houver concentração de poder fora dos limites constitucionais.
“Eu não vou abaixar a cabeça para tirano nenhum. Sou conhecido na política como uma pessoa centrada, ponderada, alguém que busca construir pontes. Vou continuar sendo assim. Mas, quando um tirano vai se autoconcedendo poder, não há nada que faça ele devolver esse poder ao povo, a não ser quando todos voltarem a cumprir a Constituição”, afirmou.
Restrições impostas a Jair Bolsonaro
Na sexta-feira (17), Alexandre de Moraes determinou a suspensão, por 30 dias, de todas as visitas a Jair Bolsonaro, incluindo familiares, permitindo apenas a entrada de médicos, fisioterapeutas e advogados.
A decisão também proibiu encontros com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026 e vetou a divulgação de manifestações políticas relacionadas ao pleito, mesmo quando feitas por terceiros.
No caso de Flávio Bolsonaro, permanece uma restrição específica que impede visitas ao pai pelo período de 90 dias. A medida foi mantida após o senador divulgar, em 11 de julho, uma carta escrita por Jair Bolsonaro em apoio à sua pré-candidatura presidencial.
Críticas ao STF e defesa de anistia
Durante o evento, Flávio afirmou que não pretende governar movido por vingança caso seja eleito presidente, mas voltou a questionar a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
O senador também mencionou investigações e acusações envolvendo o ministro, fazendo críticas sobre suposto excesso de poder e cobrando apurações independentes.
“Eu não estou buscando vingança de nada. Peço a Deus que possa resgatar aquela alma. Não tem ninguém que está acima da lei. Por que ele acha que pode?”, declarou.
Flávio voltou ainda a defender a anistia para pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Segundo ele, caso seja eleito, pretende subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado de pessoas que, em sua avaliação, deveriam ser beneficiadas pela medida.
“Apesar de Alexandre de Moraes ser a pessoa que está fazendo tanto mal para o Brasil, tem pessoas aqui que serão anistiadas e subirão a rampa comigo”, afirmou.
Promessa de autonomia para a Polícia Federal
Outro ponto destacado pelo senador foi a promessa de ampliar a autonomia da Polícia Federal em um eventual governo.
Flávio afirmou que pretende fortalecer a atuação dos agentes e criticou o que chamou de interferência política nas instituições.
“As instituições estão aparelhadas. Policiais federais deste Brasil voltarão a ter autonomia para trabalhar. Voltarão a ir atrás de bandido de verdade. Serão valorizados a partir de 2027”, declarou.
O pré-candidato também afirmou que agentes que, segundo ele, estiverem cumprindo ordens consideradas ilegais deverão responder dentro da lei.
Disputa eleitoral de 2026
As declarações fazem parte da movimentação política de Flávio Bolsonaro para consolidar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026.
O senador tem adotado como principais bandeiras a defesa do legado do governo Jair Bolsonaro, críticas ao que considera excessos do Judiciário, a defesa da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e a promessa de mudanças na relação entre Executivo e instituições de Estado.
A definição das candidaturas e alianças para a eleição presidencial ainda depende das convenções partidárias e do calendário eleitoral oficial.
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