Brasil completa dez anos sem registrar casos de raiva humana transmitida por cães

Avanço é resultado das campanhas de vacinação e das ações de vigilância, mas Ministério da Saúde alerta para o risco de transmissão por animais silvestres

Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

O Brasil alcançou um importante marco na área da saúde pública: em 2026, o país completa dez anos sem registrar casos de raiva humana transmitida por variantes do vírus associadas a cães. A conquista é atribuída principalmente à ampliação das campanhas de vacinação animal, à vigilância epidemiológica e às medidas de prevenção adotadas ao longo das últimas décadas.

A raiva é uma doença viral grave que pode atingir mamíferos, incluindo seres humanos. A transmissão ocorre principalmente por meio da saliva de animais infectados, geralmente após mordidas, arranhaduras ou contato da saliva com ferimentos e mucosas. Quando os sintomas aparecem, a doença apresenta letalidade próxima de 100%, o que torna a prevenção fundamental.

Vacinação ajudou a mudar o cenário

O controle da raiva transmitida por cães é considerado um dos principais avanços brasileiros no combate à doença. O número de casos de raiva canina caiu de 635 registros em 2002 para nove em 2023. Em 2024, foram registrados oito casos, a maioria relacionada a variantes encontradas em animais silvestres. 

A vacinação de cães e gatos é uma das principais estratégias para impedir a circulação do vírus. Além da imunização dos animais, o país mantém ações de vigilância e disponibiliza atendimento e profilaxia para pessoas que tenham contato de risco com animais suspeitos.

Morcegos são hoje a principal preocupação

Apesar da conquista, o Ministério da Saúde ressalta que o fim da transmissão por cães não significa que a raiva tenha sido eliminada do país.

Nos últimos anos, os morcegos passaram a representar a principal fonte de transmissão da raiva para seres humanos no Brasil. Entre 2010 e 2024, foram registrados 47 casos de raiva humana, sendo 24 relacionados a morcegos, nove a cães e outros casos envolvendo primatas, raposas, felinos e bovinos. 

Por isso, autoridades de saúde reforçam a necessidade de manter a vacinação de animais domésticos e evitar o contato com morcegos e outros animais silvestres, principalmente quando encontrados caídos no chão ou apresentando comportamento incomum.

Vacinação continua sendo essencial

O marco de dez anos representa um avanço importante para o Brasil, mas especialistas reforçam que a prevenção precisa continuar. A vacinação de cães e gatos, a identificação rápida de situações de risco e o atendimento médico após mordidas ou arranhaduras são medidas fundamentais para evitar novos casos.

Em caso de agressão por um animal, a orientação é lavar imediatamente o local com bastante água e sabão e procurar uma unidade de saúde para avaliação. A conduta adequada após a exposição pode impedir que o vírus avance.

A conquista brasileira mostra a importância das políticas públicas de vacinação e vigilância, mas também serve como alerta: enquanto o vírus continuar circulando entre animais silvestres, a prevenção contra a raiva precisa permanecer constante.

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