Inundação no Himalaia destrói casas, estradas e pontes e deixa 384 viajantes sem contato
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Uma das mais graves tragédias provocadas por uma inundação repentina atingiu nesta quarta-feira (26) a região montanhosa do Nepal, próxima à fronteira com o Tibete. A força da água avançou pelo vale do rio Bhote Koshi, levando construções, veículos, pontes e trechos de estradas e deixando centenas de pessoas sem contato.
O balanço mais recente aponta 98 mortos, sendo 95 no Nepal e três no lado chinês da fronteira. O número ainda pode sofrer alterações, porque várias áreas permanecem isoladas e as equipes de emergência continuam encontrando vítimas e procurando pessoas desaparecidas.
Além dos mortos, 384 viajantes foram registrados como desaparecidos nas áreas atingidas, sendo 291 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses. A lista é preliminar e reúne pessoas cujo paradeiro ainda não foi confirmado. Isso significa que estar registrado como desaparecido não representa, necessariamente, uma confirmação de morte.
Pessoas estão no centro da tragédia
A principal preocupação neste momento é localizar quem continua sem contato.
Entre as pessoas desaparecidas estão turistas, peregrinos, trabalhadores, moradores e funcionários que estavam na região quando a inundação atingiu o vale.
Há estrangeiros de diversas nacionalidades entre os desaparecidos, incluindo 105 cidadãos indianos. Também foram registrados viajantes dos Estados Unidos, Reino Unido, Malásia, Austrália, África do Sul, Países Baixos e outros países.
Muitas dessas pessoas estavam viajando pela região do Himalaia, enquanto outras trabalhavam em projetos de infraestrutura e energia.
O número de desaparecidos ainda pode mudar. Em determinadas localidades, as comunicações foram interrompidas e as estradas destruídas, fazendo com que pessoas que podem estar vivas permaneçam temporariamente sem conseguir avisar familiares ou autoridades.
Famílias aguardam notícias
Para centenas de famílias, o principal drama é a falta de informações.
Em muitos casos, não existe confirmação sobre o que aconteceu com parentes que estavam na região. Telefones deixaram de funcionar, estradas foram destruídas e comunidades inteiras ficaram isoladas.
As equipes precisam cruzar informações para descobrir quem conseguiu escapar, quem foi levado para locais seguros, quem está recebendo atendimento médico e quem continua desaparecido.
Por isso, o número de 384 pessoas deve ser entendido como uma relação preliminar de pessoas sem contato confirmado.
A inundação avançou com enorme velocidade
A enchente atingiu a região durante a manhã, quando uma grande quantidade de água, gelo, pedras e sedimentos avançou pelo sistema do rio Bhote Koshi.
As investigações iniciais indicam que um fenômeno ocorrido em uma área montanhosa próxima à fronteira pode ter provocado o bloqueio temporário de um curso de água. A liberação repentina desse volume teria provocado uma onda de inundação extremamente forte.
A água desceu pelos vales carregando lama, rochas e destroços.
A velocidade da correnteza deixou pouco tempo para que as pessoas próximas aos rios procurassem lugares seguros.
Casas e comunidades foram destruídas
A força da água atingiu diretamente áreas onde havia casas, estabelecimentos comerciais e estruturas utilizadas por moradores e viajantes.
Construções foram danificadas ou completamente destruídas. Veículos foram arrastados e grandes quantidades de lama e pedras ficaram espalhadas pelas áreas atingidas.
Pontes que conectavam comunidades também foram destruídas, dificultando ainda mais o deslocamento das equipes de emergência.
Em alguns locais, os caminhos simplesmente desapareceram sob a água e os destroços.
Trabalhadores também estão entre os desaparecidos
A tragédia atingiu pessoas que estavam trabalhando na região.
Funcionários ligados a projetos de energia e infraestrutura estavam em áreas próximas ao curso do rio quando a inundação aconteceu. Alguns ficaram isolados e outros permanecem sem contato.
Também há funcionários públicos e integrantes das forças de segurança entre as pessoas cujo paradeiro ainda precisa ser confirmado.
A situação é especialmente delicada porque alguns trabalhadores estavam em instalações que foram atingidas diretamente pela água e pelos deslizamentos.
Resgate enfrenta obstáculos
As equipes de emergência estão trabalhando para alcançar as regiões mais afetadas, mas o acesso é extremamente difícil.
A destruição de estradas e pontes impede a chegada de veículos. Em determinados pontos, somente helicópteros conseguem alcançar as comunidades isoladas.
Mesmo as operações aéreas enfrentam dificuldades devido às condições meteorológicas e ao terreno montanhoso.
No solo, os socorristas precisam avançar por áreas cobertas por lama, pedras e destroços, enquanto continuam existindo riscos de novos deslizamentos.
O Exército e equipes especializadas foram mobilizados para auxiliar na localização de sobreviventes e na retirada de pessoas das áreas de risco.
O perigo ainda não terminou
Mesmo depois da passagem da primeira grande onda de água, as autoridades continuam preocupadas com novos deslizamentos e possíveis alterações no nível dos rios.
Existe também preocupação com um possível bloqueio de água em uma área montanhosa próxima à origem do desastre. Se esse bloqueio se romper repentinamente, outra onda de água poderá avançar pelo vale.
Por isso, moradores que vivem próximos aos rios estão sendo orientados a permanecer longe das áreas de maior risco.
O número de vítimas pode aumentar
As 98 mortes registradas até agora representam o balanço disponível neste momento, mas a situação ainda está em evolução.
Diversas regiões continuam sem acesso adequado. À medida que as equipes conseguirem chegar a esses locais, poderão ser encontradas novas vítimas ou pessoas que estavam desaparecidas.
Ao mesmo tempo, pessoas que estavam na lista de desaparecidos podem ser localizadas com vida e retiradas das áreas isoladas.
Essa é uma das razões pelas quais os números divulgados ao longo do dia apresentam diferenças: as autoridades ainda estão reunindo informações de diferentes localidades e tentando identificar cada pessoa.
Uma corrida contra o tempo
Agora, cada hora é importante para as equipes que procuram sobreviventes.
A prioridade é chegar às comunidades isoladas, localizar pessoas que continuam desaparecidas, retirar feridos e levar água, alimentos e atendimento médico para quem ficou sem acesso a serviços básicos.
Para as famílias, a espera continua.
Enquanto o trabalho de resgate avança, centenas de pessoas permanecem sem paradeiro confirmado. Entre elas estão turistas estrangeiros, moradores nepaleses e trabalhadores que estavam na região no momento em que a inundação atingiu o vale.
Com 98 mortos e centenas de desaparecidos, a tragédia na fronteira entre Nepal e Tibete permanece em andamento, e o balanço de vítimas ainda pode mudar conforme as equipes consigam alcançar as áreas mais destruídas.
Leia mais
Perícia aponta que “Dark Horse” não usou dinheiro público
Lula deixa evento no Exército sem responder a perguntas sobre investigações envolvendo Lulinha


Faça um comentário