Preso em operação no Complexo de Israel usava colete com bandeira de Israel

Ação contra o grupo de Peixão expõe símbolos usados pelo tráfico e mira perseguição religiosa nas comunidades

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Um dos quatro suspeitos presos durante uma operação realizada nesta segunda-feira, 24, pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Vigário Geral e Parada de Lucas, utilizava um colete com uma bandeira de Israel. A ação também resultou na apreensão de dois fuzis e mobilizou mais de 200 policiais.

Os suspeitos foram localizados em uma região de mata durante a operação. A presença da bandeira de Israel no colete chamou atenção por estar relacionada à identidade adotada pelo grupo criminoso que controla áreas conhecidas como Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.

A ofensiva policial teve como um dos objetivos combater a perseguição contra praticantes de religiões de matriz africana, outros segmentos cristãos e demais minorias religiosas em territórios dominados pelo crime organizado.

Durante a operação, criminosos reagiram à presença das forças de segurança e atearam fogo em caminhões, provocando o fechamento da Avenida Brasil, uma das principais vias da capital fluminense.

Complexo de Israel

O Complexo de Israel é controlado pelo grupo criminoso liderado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como chefe do Terceiro Comando Puro (TCP).

Considerado um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro, Peixão nunca foi preso e é conhecido pela política de expansão territorial agressiva do grupo. O avanço ganhou força a partir de 2016, quando integrantes do TCP invadiram a comunidade Cidade Alta.

Durante a pandemia, o traficante consolidou o chamado Complexo de Israel, que reúne as comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas.

O nome da região está ligado ao uso de símbolos religiosos incorporados pelo grupo criminoso. Entre as referências estão elementos da tradição judaico-cristã, incluindo a Estrela de Davi. Peixão também passou a utilizar o nome Arão, em referência ao personagem bíblico.

Perseguição religiosa

Além do tráfico de drogas e do controle territorial, o grupo passou a ser associado a denúncias de perseguição religiosa.

Segundo informações das autoridades, foram impostas restrições contra praticantes de religiões de matriz africana em áreas sob domínio da organização criminosa. Entre as denúncias estão a retirada de imagens religiosas e o fechamento de terreiros.

A operação desta segunda-feira buscou atingir integrantes do grupo criminoso e combater esse tipo de perseguição. Mais de 200 policiais foram mobilizados para atuar em diferentes pontos das comunidades.

Ao final da ação, quatro suspeitos foram presos e dois fuzis apreendidos. A Polícia Militar segue atuando na região para identificar outros envolvidos nas atividades criminosas e nos ataques registrados durante a operação.

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