Novo pede impedimento de Moraes no caso Vorcaro e questiona voto do ministro

Partido quer afastamento das decisões, retirada do voto e análise do pedido antes da retomada do julgamento

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O Partido Novo pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, o impedimento de Alexandre de Moraes no julgamento relacionado aos fatos que envolvem o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O pedido foi apresentado na quinta-feira (17) e também inclui a solicitação para que seja anulado o voto apresentado por Moraes durante uma questão de ordem discutida pelo plenário na sessão de terça-feira (15).

A legenda sustenta que Moraes não deveria participar da decisão por estar diretamente relacionado aos fatos que deram origem à apuração. O partido argumenta que houve uma possível confusão entre a posição de interessado e a função de julgador.

Novo questiona participação de Moraes

A discussão começou durante o julgamento que analisa se devem ser abertas investigações relacionadas aos elementos reunidos pela Polícia Federal a partir das mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Durante a sessão do dia 15, o ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem propondo que as apurações envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça fossem analisadas conjuntamente.

Gilmar também defendeu uma mudança na condução da relatoria dos procedimentos.

Moraes participou da discussão e apresentou seu voto.

É justamente esse ponto que o Novo questiona.

Segundo a legenda, o fato de a questão de ordem tratar do próprio procedimento que envolve Moraes não afastaria a necessidade de analisar eventual impedimento.

O partido afirma que o ministro primeiro se manifestou na condição de pessoa diretamente relacionada aos fatos e, posteriormente, participou da votação como integrante do colegiado.

Pedido para retirar voto de Moraes

Além de solicitar o impedimento do ministro para as próximas etapas, o Novo pediu que o voto já apresentado por Moraes na questão de ordem seja desconsiderado.

A legenda sustenta que a natureza preliminar da discussão não elimina, por si só, a necessidade de avaliar o impedimento.

De acordo com o pedido, a questão é especialmente relevante porque a decisão sobre o andamento da apuração poderá estabelecer as regras e os procedimentos pelos quais os próprios fatos envolvendo Moraes serão analisados.

O Novo quer que Fachin avalie o pedido antes da retomada do julgamento.

Caso o presidente do STF entenda que a questão precisa ser submetida ao plenário, o partido solicita que isso aconteça antes da continuidade da análise do processo.

Votação foi interrompida após pedido de vista

A questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes foi discutida na sessão de 15 de setembro.

Com a participação de Moraes, o placar caminhava para um cenário de 4 votos a 4. O ministro Flávio Dino, porém, pediu vista, interrompendo a análise.

Com isso, o placar provisório ficou em 4 votos a 3 contra a questão de ordem, sem que a votação fosse concluída.

O pedido de vista impediu a conclusão imediata da discussão.

A situação deixou pendente uma série de questões sobre a forma como os procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça serão conduzidos.

Caso envolve mensagens com Daniel Vorcaro

A origem da controvérsia está nos elementos reunidos pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master.

Entre os materiais analisados estão mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

O conteúdo passou a ser discutido dentro do STF e levou à abertura de um julgamento sobre a possibilidade de investigação envolvendo o ministro.

O próprio Fachin afirmou durante a sessão de 15 de setembro que Moraes deveria ter oportunidade de se manifestar, enquanto o plenário analisava as questões processuais relacionadas ao caso.

O episódio marcou uma situação incomum dentro da Corte: o STF passou a discutir a possibilidade de investigação de um de seus próprios ministros.

Impasse também envolve André Mendonça

A questão apresentada por Gilmar Mendes não trata apenas de Moraes.

O ministro defendeu que os procedimentos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem analisados conjuntamente.

Mendonça está envolvido em outra frente do caso Banco Master, na condição de relator de procedimentos relacionados às investigações.

O ministro havia determinado medidas no âmbito das apurações e passou a ser alvo de questionamentos apresentados ao STF.

Na quinta-feira (17), Fachin também retirou da pauta uma sessão que estava prevista para analisar um pedido de investigação relacionado à atuação de Mendonça no caso Master. A decisão ocorreu após a sessão extraordinária de terça-feira, marcada pela discussão sobre Moraes e Vorcaro.

Novo já havia questionado condução do caso

O pedido apresentado agora faz parte de uma série de iniciativas do Partido Novo relacionadas à condução do caso Banco Master.

Em 14 de setembro, a legenda já havia solicitado que Fachin revertesse a mudança de relatoria que levou o presidente do STF a assumir o processo envolvendo as mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro.

Na ocasião, o partido também questionou decisões tomadas durante a condução das investigações e pediu o restabelecimento de medidas determinadas por André Mendonça.

Com o novo pedido, o Novo volta a pressionar institucionalmente por mudanças na condução do processo.

O que o Novo pede ao STF

Na petição apresentada a Fachin, o partido solicita:

• O impedimento de Alexandre de Moraes no julgamento;

• A desconsideração do voto de Moraes na questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes;

• Manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio ministro sobre o pedido;

• E, caso a questão seja levada ao plenário, que a análise ocorra antes da retomada do julgamento.

Até o momento, trata-se de um pedido apresentado pelo partido. A decisão sobre o impedimento e sobre a validade do voto ainda cabe ao STF.

Discussão coloca regras do próprio julgamento no centro do caso

O ponto central levantado pelo Novo é processual: quem está diretamente relacionado aos fatos em análise pode participar das decisões sobre como esses mesmos fatos serão julgados?

Essa é a questão que a legenda pretende levar ao presidente do STF.

O partido afirma que a separação entre quem participa de um processo e quem julga é fundamental para a condução de qualquer procedimento.

Já a análise definitiva sobre a existência ou não de impedimento dependerá da apreciação do próprio Supremo, conforme as regras processuais aplicáveis.

O caso Banco Master continua, assim, no centro de uma disputa que envolve relatoria, competência, pedidos de investigação, mensagens atribuídas a autoridades e questionamentos sobre a participação de ministros nas decisões relacionadas aos próprios fatos sob análise.

O próximo passo será a manifestação de Fachin sobre o pedido apresentado pelo Novo e a definição sobre como o STF dará continuidade à discussão envolvendo Moraes, Mendonça e os desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

Leia mais

Influenciador digital brasileiro é detido pelo ICE nos Estados Unidos

Vorcaro ameaça revelar fatos sobre ministros do STF se pai não for solto

EUA lançam novo projeto para transformar diagnóstico de autismo e acelerar identificação em crianças

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*