Lideranças do PT pedem apreensão dos passaportes dos deputados mais votados, Nikolas e Pavanato

Parlamentares do PL são alvos de pedidos após viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA; Nikolas reage e denuncia perseguição política

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos desencadeou uma nova ofensiva de políticos ligados ao PT contra integrantes da oposição. Nos últimos dias, Pedro Rousseff e Leonardo Grandini apresentaram iniciativas para tentar restringir a saída do país de dois parlamentares do Partido Liberal: Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).

O movimento provocou reações entre aliados de Bolsonaro e levantou questionamentos sobre a utilização de pedidos de restrição de passaportes contra representantes da oposição. As iniciativas ocorreram após Flávio deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos, mesmo diante de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus documentos de viagem e não deixar o território nacional.

Pedro Rousseff pede apreensão do passaporte de Nikolas

O vereador de Belo Horizonte e deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando que o órgão avalie a apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira e a possibilidade de impedir que o parlamentar deixe o Brasil.

Na representação, Rousseff mencionou um procedimento criminal envolvendo Nikolas por suposta injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), relacionado a declarações feitas em julho de 2024.

O petista argumentou que o deputado poderia deixar o país para evitar responder a procedimentos judiciais. Como justificativa, relacionou a possibilidade de uma eventual saída de Nikolas à viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.

A iniciativa, entretanto, não veio acompanhada de informação pública que demonstrasse um plano de Nikolas para deixar o Brasil.

Nikolas reage e acusa esquerda de perseguição

Nikolas Ferreira respondeu à iniciativa em um vídeo publicado nas redes sociais. O deputado chamou Pedro Rousseff de “imbecil” e “jacu” e questionou a justificativa para a tentativa de retenção de seu documento.

O parlamentar ironizou o pedido e afirmou que a iniciativa teria como motivação a viagem de Flávio Bolsonaro.

Nikolas também acusou setores da esquerda de direcionarem esforços contra adversários políticos, em vez de concentrarem suas ações em outras questões do país.

A reação ampliou a repercussão do episódio nas redes sociais, onde apoiadores do deputado questionaram a tentativa de impor restrições a um parlamentar sem a apresentação pública de elementos concretos que indiquem intenção de deixar o território nacional.

Lucas Pavanato também entra na mira

Outro alvo da movimentação foi o deputado Lucas Pavanato (PL-SP). O deputado estadual eleito Leonardo Grandini (PT-SP) apresentou pedido semelhante para que seja avaliada a apreensão do passaporte do parlamentar.

Segundo as informações divulgadas sobre a iniciativa, Grandini relacionou o pedido às manifestações de Pavanato sobre a decisão do STF envolvendo Flávio Bolsonaro.

O petista também mencionou suposto risco de fuga e afirmou ter encaminhado informações às autoridades. Entretanto, não apresentou publicamente elementos que comprovassem a intenção de Pavanato de deixar o Brasil.

Pedidos não significam apreensão automática

As iniciativas contra Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato ainda dependem da análise das autoridades competentes. A apresentação de uma representação à PGR ou à Polícia Federal não determina automaticamente a apreensão de passaportes.

Qualquer restrição dessa natureza depende de decisão da autoridade judicial competente, com fundamentação jurídica.

O episódio acrescenta mais um capítulo ao embate entre integrantes do PT e parlamentares do PL, especialmente após a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e os desdobramentos da decisão de Alexandre de Moraes.

Com dois parlamentares da oposição na mira de pedidos semelhantes, a controvérsia passa a envolver também os limites das medidas cautelares e o tratamento dado a representantes políticos de diferentes posições.

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