Mário César dos Santos Jr realizava treinamentos de capelania e fornecia distintivos e certificados de conclusão com selos de agências federais dos EUA
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
Morador de Massachusetts, o brasileiro Mário César dos Santos Jr., de 50 anos, se declarou culpado na semana passada das acusações de fraude eletrônica e uso fraudulento de selos governamentais nos Estados Unidos. Ele será submetido a uma audiência de sentença no dia 18 de dezembro deste ano.
Segundo informações divulgadas pelo Escritório do Procurador dos EUA para o Distrito Central da Flórida, Mário presidia uma organização chamada Chaplain Emergency Management Agency Inc. (CEMA), que alegava falsamente ser uma agência governamental credenciada pela Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA).
Ao fazer isso, o brasileiro usou de forma fraudulenta os selos da FEMA, do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do FBI para apresentar a CEMA como uma agência do governo federal, como objetivo de vender “cursos de treinamento de capelania” na Flórida, em outros estados do país e até no exterior. Ele e a CEMA não tinham autorização para usar os selos dos órgãos federais, porque não são filiados às agências.
Apesar disso, Mário organizou diversos cursos de treinamento para capelães da CEMA, dizendo aos participantes que sua organização era parceria da FEMA e que os cursos eram endossados pela agencia federal. Mesmo oferecendo os cursos gratuitamente, ele cobrava entre US$ 400 e US$ 450 dos participantes para que recebessem o certificado de conclusão.
Após o pagamento, o brasileiro entregava aos participantes carteiras de identidade, distintivos de agentes da lei e certificados de conclusão com os selos de vários departamentos e agências dos Estados Unidos. Ele ainda afirmava que as carteiras e distintivos autorizavam os portadores a apoiar as forças policiais em situações de emergência e a assumir o controle dessas situações até a chegada da polícia. Além disso, dizia que o status de capelão da CEMA conferia certo grau de imunidade contra a deportação.
Os produtos oferecidos pela organização de Mário também incluíam camisas polo, adesivos para carro, jaquetas, distintivos e porta-crachás – todos com o selo do DHS ou da FEMA. Em 27 de setembro de 2025, durante uma operação secreta realizada em um desses treinamentos, reunindo cerca de 45 participantes, um informante confidencial comprou itens da mercadoria.
“O site e as redes sociais da CEMA exibiam o logotipo da CEMA (uma versão alterada do selo do DHS) e identificavam falsamente a CEMA como uma organização governamental ou agência federal. O site também afirmava falsamente que a CEMA era ‘totalmente credenciada pela Associação Internacional de Educação Continuada e Treinamento (IACET) e pelo Conselho Americano de Educação (ACE)’”, relata o Escritório do Procurador dos EUA para o Distrito Central da Flórida
Mário foi preso no dia 19 de fevereiro de 2026 no Aeroporto Internacional de Orlando, depois de viajar de Boston para Orlando com objetivo de realizar um treinamento da CEMA agendado para o dia 21 de fevereiro. No momento da prisão ele vestia uma camisa polo da CEMA com o selo do DHS.
“Fingir ser uma agência ou funcionário do governo federal é um crime grave. Os valores e missões coletivos dessas agências representam as comunidades que elas servem e devem ser protegidos”, destaca o procurador federal Gregory W. Kehoe, que atua no caso.
O brasileiro mora imigrante ilegal nos Estados Unidos, porque entrou no país em 2016 e ultrapassou o prazo de permanência autorizado pelo visto. Atualmente ele está passando por um processo de deportação.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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