ONU alerta que três em cada quatro famílias estão pulando refeições nas áreas controladas pelo governo; retomada dos combates já deslocou dezenas de milhares de pessoas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A crise humanitária no Iêmen se agravou ainda mais com a intensificação dos combates no país. Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), da Organização das Nações Unidas (ONU), o número de pessoas que não conseguem garantir alimentação suficiente chegou a um nível recorde nas áreas controladas pelo governo iemenita.
De acordo com a agência, três em cada quatro famílias nessas regiões já estão sendo obrigadas a pular refeições por falta de alimentos ou de recursos para comprá-los. As áreas monitoradas pelo PMA concentram aproximadamente 10 milhões de pessoas.
A deterioração da segurança alimentar ocorre ao mesmo tempo em que o conflito entre forças apoiadas pela Arábia Saudita e os houthis, grupo alinhado ao Irã, voltou a se intensificar. A escalada representa o período mais grave de confrontos desde a trégua mediada pela ONU em 2022.
Dezenas de milhares foram deslocados
A retomada da violência já provocou o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas, que foram obrigadas a deixar suas casas em busca de locais mais seguros. O avanço dos combates também ameaça o funcionamento de rotas comerciais estratégicas, principalmente no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb.
A situação é especialmente preocupante porque o Iêmen depende fortemente da importação de alimentos. Com a insegurança dificultando o transporte e o acesso às comunidades, famílias que já enfrentavam dificuldades econômicas ficam ainda mais vulneráveis.
Matthew Hollingworth, diretor-executivo adjunto do PMA para Operações de Programa, classificou o impacto da nova onda de violência sobre a segurança alimentar como potencialmente devastador.
Crise pode se aprofundar
A preocupação das organizações humanitárias é que a continuidade dos combates aumente ainda mais o número de pessoas em situação de insegurança alimentar. Além da violência, o deslocamento da população e as dificuldades de acesso às regiões afetadas dificultam a distribuição de ajuda.
O agravamento da fome ocorre após anos de conflito e instabilidade econômica no Iêmen. Dados divulgados anteriormente pela ONU e por organizações humanitárias já apontavam níveis muito elevados de insegurança alimentar no país. Em junho, a UNICEF informou que cerca de 5 milhões de pessoas nas áreas controladas pelo governo enfrentavam níveis de insegurança alimentar considerados de crise ou piores.
Com a nova escalada militar, as agências humanitárias alertam que a combinação entre violência, deslocamentos e falta de recursos pode ampliar ainda mais uma das crises humanitárias mais graves do mundo.
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