Gaza chega a três anos de guerra com 82% das construções danificadas

Levantamento da ONU aponta mais de 200 mil estruturas afetadas; destruição também atingiu escolas, hospitais, moradias e áreas agrícolas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

Três anos após o ataque de 7 de outubro de 2023, a Faixa de Gaza enfrenta uma das maiores crises de destruição de sua história recente. Um levantamento do Unosat, centro de análise por satélite das Nações Unidas, identificou danos em 201.290 estruturas, o equivalente a 82% de todas as construções do território. A análise foi feita a partir de imagens registradas em junho de 2026. 

Do total de estruturas afetadas, 134.422 foram classificadas como completamente destruídas. Outras 13.848 sofreram danos graves, 28.096 apresentaram danos moderados e 24.924 foram identificadas com possíveis avarias. Ao todo, cerca de 328 mil unidades habitacionais foram atingidas.

Destruição alcança serviços essenciais

Os impactos ultrapassam os danos às residências. Dados da ONU indicam que 95,5% das escolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas ao final de 2025. Mais da metade dos hospitais também deixou de funcionar, comprometendo o atendimento médico à população.

A infraestrutura de água, saneamento e gerenciamento de resíduos também foi severamente atingida, aumentando os riscos de doenças e agravando as condições humanitárias.

A agricultura sofreu perdas igualmente expressivas. Uma análise da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Unosat apontou que, em junho deste ano, apenas 3% das áreas agrícolas de Gaza permaneciam intactas e acessíveis à população. 

Danos continuaram mesmo após o cessar-fogo

Embora um cessar-fogo tenha entrado em vigor em outubro de 2025, a destruição não foi completamente interrompida. Na comparação entre os levantamentos realizados após o início da trégua e a avaliação de junho de 2026, o número de estruturas afetadas aumentou 1,5%.

O crescimento foi ainda maior entre as construções completamente destruídas: 9% no mesmo período. 

A situação também provocou o deslocamento de grande parte dos cerca de 2 milhões de habitantes de Gaza. Relatórios internacionais apontam que muitas famílias permanecem vivendo em tendas, abrigos improvisados ou entre os escombros de antigas áreas residenciais.

Reconstrução deve custar dezenas de bilhões de dólares

A dimensão da destruição tornou a reconstrução um desafio de longo prazo. Uma avaliação conjunta da ONU, União Europeia e Banco Mundial estima que serão necessários cerca de US$ 71,4 bilhões para a recuperação e reconstrução de Gaza ao longo da próxima década.

Somente nos primeiros 18 meses, seriam necessários aproximadamente US$ 26,3 bilhões para recuperar serviços básicos, oferecer moradia e iniciar a reconstrução da infraestrutura. O levantamento estima ainda que os danos físicos causados pelo conflito alcançam US$ 35,2 bilhões. 

Três anos após o 7 de outubro, portanto, Gaza permanece marcada por uma devastação que vai muito além dos números. Bairros inteiros desapareceram, milhares de famílias perderam suas casas e serviços fundamentais para a população foram profundamente comprometidos, deixando a reconstrução como um dos maiores desafios humanitários e financeiros dos próximos anos.

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